Comunidade Intermunicipal promoveu Encontro no BarreiroPenínsula de Setúbal entre 2021 e 2025 cresceu de 800 mil para um milhão de pessoas
O plano estratégico deve ser um modelo que possa contribuir para apresentar, até às instâncias europeias, as expectativas, os desafios e as potencialidades da península de setúbal, salientou Álvaro Balseiro Amaro, 1.º Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal.

Por Jornal Rostos
A Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, promoveu no Barreiro, o primeiro dos cinco «Encontros com a Região», que visam recolher contributos para o Plano Estratégico da Península de Setúbal 2028- 2034.
O encontro de ontem, realizou-se na Casa da Cidadania Caboz Gonçalves, subordinado à temática - Saúde, Habitação, Demografia e Coesão Social.
Pontes e novo aeroporto vão transformar o território
Na abertura, Frederico Rosa, presidente da CIMPS, salientou que a Península de Setúbal, entre 2021 e 2025, cresceu de 800 mil para um milhão de pessoas.
Referiu que a regiaõ está numa fase com vários projectos previstos, ao nível da ferrovia e rodoviário, a ponte Barreiro- Chelas, a ponte Barreiro – Seixal e o novo aeroporto, vão transformar o território.
Recordou que a região tem um problema ao nível da habitação, mas, não pode ser um território que só pensa crescer ao nível da habitação, com os serviços completamente saturados, acrescentado que estamos a projectar para uma população que, daqui a dez anos, já estaremos com um milhão e meio de habitantes.
É preciso dar coesão a tudo isto, pensar como vai ser nesse futuro e ver neste contexto uma oportunidade para resolver os problemas da mobilidade na região – “somos a região do país onde mais tempo se consome de casa para o trabalho e do trabalho para casa”.
Região tem indicadores de pobreza e exclusão acima do país
Miguel Major, moderou o debate, recordou que a finalidade destes encontros é contribuir para que se construa o próximo Plano Estratégico, de forma que seja “uma estratégia construída com a região e não apenas para a região”.
Sublinhou que a Península de Setúbal está a sofrer uma mudança de escala, com um crescimento que é uma oportunidade, mas, também um teste à capacidade do território.
Salientou que na região “a habitação está acima da média nacional em preço”, que existem “indicadores de pobreza e exclusão acima do país”, e, a “oferta hospitalar por habitante também é inferior ao país”.
Deixou para abrir o debate a pergunta: estaremos a conseguir fazer crescer a capacidade social, pública, ao ritmo que cresce a população?
Conceito «inovação social» deve ser ligado à ideia de transformação
Paula Urze, socióloga da Universidade NOVA, Faculdade de Ciências e Tecnologia, defendeu que no contexto de uma reflexão sobre o território é importante ter em consideração um conceito central «inovação social», que é prático que deve ser ligado à ideia de que transformação social é sempre muito conectada com o território e com as pessoas, o qual está ligado à questão da participação – “temos que ouvir as pessoas” para que termos “o seu envolvimento”.
Na sua opinião, tudo isto implica o levantamento de informação, implica não só o diagnóstico, mas também, outro conceito fundamental, a questão da «antecipação».
Defendeu o diálogo interinstitucional, porque perante problemas complexos, é preciso um olhar interdisciplinar e interconectividades, não se pode fragmentar a realidade.
Estas questões, Saúde, Habitação, Demografia e Coesão Social, não podem ser vistas ‘per si’, estão ligadas em si, com desafios e projectos, que devem ser enquadrados em diálogo, procurando as respostas em rede com uma visão sistémica.
A finalizar sublinhou a importância da Academia se afirma como um parceiro estratégico da região.
Envelhecimento - mais de 20% da população acima dos 65 anos
Madalena Gomes da Silva, Universidade Politécnica de Setúbal, salientou que a sua universidade, vê-se como um parceiro activo na procura de soluções e gostava que as suas formações dessem respostas a desafios reais para contribuir para uma sociedade mais justa.
Na sua intervenção, sublinhou que embora a sua especialização fosse na área da saúde, ela é indissociável de todos os temas em análise, porque “a saúde depende da habitação, a habitação influência a natalidade, ou seja a demografia, a demografia influencia a sustentabilidade do nosso sistema nacional de saúde, e, a coesão social determina quem consegue viver mais e melhor”.
Na perspectiva da elaboração de um plano estratégico para a Península e Setúbal, considerou essencial referir a importância de se garantir a sustentabilidade do sistema nacional de saúde, realidade que preocupa a todos.
Na sua opinião, o sistema está altamente pressionado, por um lado, por ser um sistema pensado há 40 anos, para uma realidade diferente da actual, e, hoje, na área da saúde existem novos desafios.
Referiu que apesar de todas as mudanças e alterações, na forma como está organizado, que procuram um caminho sistémico e mais abrangente, na prática, há aspectos positivos e aspectos a melhorar.
Salientou que a sustentabilidade do sistema nacional de saúde está em causa, porque são outros os desafios de saúde das pessoas. Tínhamos há 40 anos doenças gravíssimas que matavam, agora a nossa preocupação é com doenças crónicas, com a nossa longevidade, cada vez maior, e os cuidados que necessários para garantir apoio às pessoas mais velhas e com maiores vulnerabilidades.
Acrescentou, ainda, os desafios que temos na área da saúde mental, que agora são, precocemente, mais diagnosticados – “a depressão toda a vida existiu, só que dantes as pessoas só estavam tristes”.
Esta mudança de paradigma, na área da saúde, é um dos grandes desafios para a elaboração de um plano estratégico, de futuro, para a Península de Setúbal.
Sublinhou que os aspectos demográficos causam uma pressão grande no sistema nacional de saúde, no caso concreto da Península de Setúbal tem um aumento de migração considerável, de população jovem, de culturas diferentes, de línguas diferentes e com expectativas diferentes.
Para além desta realidade sublinhou o envelhecimento, com mais de 20% da população acima dos 65 anos.
Madalena Gomes da Silva recordou que para se dar resposta são necessários profissionais de saúde, e, precisamos de uma população com maior literacia de saúde, porque não serão só os profissionais a resolver os problemas – “é necessário mudar os nossos comportamentos como factores de risco”.
“É preciso antecipar problemas para podermos responder”, disse.
Recordou que dos alunos que completam a sua formação na Universidade de Setúbal – “nós temos uma percentagem significativa de diplomados que trabalha fora do país, porque as perpectivas de desenvolvimento são mais interessantes.
Nós estamos a formar enfermeiros que emigram, porque têm condições de trabalho melhor – “aqui mesmo ao lado”.
Curso de medicina na região de setúbal
José João Mendes, Egas Moniz School of Health & Science, sublinhou que vivemos um tempo de oportunidade para a região, com as novas travessias e aeroporto, vão colocar-se desafios, porque, só com trabalhadores que vão estar envolvidos nos projectos a população vai evoluir brutalmente.
Referiu, se já temos problemas com a habitação, esta situação vai aumentar a carência de habitação.
Na sua opinião, a coesão do território é fundamental, sendo necessário criar estruturas, por exemplo, ao nível da saúde vão aumentar as necessidades.
Lançou o repto à cooperação entre a universidade e municípios, assim como a ligação a consórcios europeus, na elaboração do plano estratégico.
Defendeu um modelo de federação entre parques de empreendedorismo, existentes na região, nos diferentes municípios, para criar modelos alargados de partilha de experiências e conhecimentos.
Salientou, a urgência de criar união de esforços entre os vários centros hospitalares e as universidades da região, para unir massa critica, para avançar com um curso de medicina na região de setúbal.
Processo deverá desenvolver-se de forma participada
Seguiu-se um período de debate e auscultação dos participantes, visando a partilha de contributos e identificação de desafios, oportunidades e prioridades para o território.
A encerrar, Álvaro Balseiro Amaro, 1.º Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, recordou que para além destes encontros, a CIM tem recebido muitos contributos, tem dialogado com diversas entidades, reuniões com empresas e associações, recolhendo contributos que serão partilhados com os membros do Conselho Estratégico da CIM, sobretudo com a sua visão na fase de diagnóstico.
Sublinhou que lá para final de outubro, ou, no mês de novembro será apresentada alguma documentação ao Conselho Intermunicipal, ao Conselho Estratégico, assim como à Assembleia Intermunicipal.
Na sua opinião todo o processo deverá desenvolver-se de forma participada, de forma permanente, porque existe muita massa crítica na península, com a academia e associações, e temos muitos cidadãos na península que estiveram envolvidos noutras reflexões, outras experiências, de outros momentos, de outros planos, e todo esse património de trabalho tem quer reconduzido para o que estamos a perspectivar.
Na sua opinião o plano estratégico deve ser um modelo que possa contribuir para apresentar, até às instâncias europeias, as expectativas, os desafios e as potencialidades da península de setúbal.
António Sousa Pereira
TE- 180













