«Esvaziamento do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo e do Centro Hospitalar de Setúbal»sublinhado em moção pela defesa do Serviço Nacional de Saúde
A Câmara Municipal de Setúbal aprovou ontem, em reunião pública, uma moção pela defesa do Serviço Nacional de Saúde, documento no qual são subscritas as posições reivindicativas assumidas pela Plataforma Península de Setúbal.
Na região de Setúbal, aponta a moção, o desinvestimento é evidente no “esvaziamento do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo e do Centro Hospitalar de Setúbal e na não construção de um hospital no concelho do Seixal, num compromisso assumido pelo Governo”.

Por Jornal Rostos
A moção destaca a importância do regime democrático construído após o 25 de Abril de 1974 para “a criação e o desenvolvimento dos serviços públicos e a garantia de direitos sociais”, benefícios nos quais se insere o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
“Foi assim possível a muitos milhares de portugueses o acesso, pela primeira vez, a consultas médicas e colocar Portugal no caminho do progresso dos indicadores de saúde, onde se destaca a drástica baixa de mortalidade infantil e o aumento da esperança média de vida”, realça o documento.
A moção salienta que, mercê das “políticas seguidas pelos sucessivos governos”, o futuro do SNS é posto em causa com os “constantes aumentos das taxas moderadoras, pelo encerramento dos serviços de proximidade, unidades de saúde e serviços de atendimento permanente e desrespeito e pelo desrespeito e afronta aos profissionais do setor”.
O desinvestimento público, a privatização de serviços, o encerramento e concentração de serviços hospitalares e a redução de valências são algumas das políticas apontadas para o declínio do Serviço Nacional de Saúde, assim como os ataques aos direitos fundamentais dos profissionais de saúde.
Na região de Setúbal, aponta a moção, o desinvestimento é evidente no “esvaziamento do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo e do Centro Hospitalar de Setúbal e na não construção de um hospital no concelho do Seixal, num compromisso assumido pelo Governo”.
Situações que, de acordo com a moção, colocam em causa “a qualidade dos cuidados prestados no já sobrelotado Hospital Garcia de Orta, concebido para presta serviço a 150 mil utentes e que serve atualmente mais de 400 mil utentes nos concelhos de Almada e Seixal”.
O documento sublinha, igualmente, que Setúbal “é das regiões do País onde há um maior número de utentes sem médico de família atribuído” e que continuam por construir um conjunto de novas unidades de centro de Saúde, nomeadamente no Feijó, Corroios, Foros da Amora e Pinhal Novo, entre outros.
“Por mais que o Governo venha dizer que os cortes drásticos são para a defesa do SNS, a verdade é que estão a conduzir à sua asfixia e desmantelamento, com vista a entregá-lo a privados que veem na saúde e, sobretudo, na doença, uma oportunidade grande de negócio”, realça o texto aprovado.
A moção vinca que, “perante o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, a violação do direito à saúde para todos os portugueses consagrado constitucionalmente e a retirada de direitos aos profissionais de saúde, é necessária a mobilização de todos para defender o SNS”.
A defesa e o reforço do SNS como serviço público, geral, universal e gratuito, como garantia de acesso a todos em qualidade aos cuidados de saúde, é uma das exigências subscritas pela Plataforma Península de Setúbal em Defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Outras reivindicações referem-se ao fim da privatização dos serviços de saúde, à eliminação das taxas moderadoras, à adoção de medidas para minorar os tempos de espera nas consultas de especialidade e respetivos exames de diagnóstico, a par do reforço dos recursos humanos e materiais dos cuidados de saúde primários.
Fonte - CMS













