Doentes de Almada à espera de cirurgia podem ser operados em LisboaContinuidade da perda de capacidade de resposta do Hospital Garcia de Orta

Por Jornal Rostos
Os órgãos de comunicação social têm destacado, nos últimos dias, a notícia de que alguns doentes que se encontram em listas de espera para a realização de cirurgias gerais no Hospital Garcia de Orta, em Almada, poderão ser chamados a realizar essas intervenções no Centro Hospitalar Lisboa Norte, num total de até 300 cirurgias por ano.
Perante esta informação, a Câmara Municipal de Almada reitera que, em primeiro lugar, deve ser colocada, obviamente, a saúde dos cidadãos e a sua recuperação das situações de doença, não colocando em causa a bondade da cooperação entre hospitais a que a notícia se refere.
A Câmara Municipal de Almada não pode, no entanto, deixar de expressar uma vez mais o seu profundo lamento, pelo facto desta situação ser consequência de uma política que teima em apostar no desinvestimento continuado nos serviços públicos de prestação de cuidados de saúde, em Almada e em toda a Península de Setúbal.
Esta situação vem na continuidade da perda de capacidade de resposta do Hospital Garcia de Orta em várias valências e na abdicação da existência de uma urgência polivalente na Península de Setúbal, realidade que afeta muito negativamente a qualidade dos serviços de saúde prestados às populações da margem Sul do rio Tejo.
Esta política que urge alterar e inverter, é desde há muito denunciada pelos utentes, pelas suas associações e pelas autarquias locais. O anúncio da cooperação entre o Hospital Garcia de Orta e a Centro Hospitalar Lisboa Norte sublinha também a necessidade de construção de um novo Hospital no Concelho do Seixal, há muito reivindicado e que, como se demonstra, continua a constituir uma prioridade absoluta, tendo em vista a melhoria da capacidade de resposta e da qualidade dos serviços de cuidados de saúde prestados às populações.
Talvez não por acaso, este anúncio é feito no preciso momento em que tomamos igualmente conhecimento que os encargos correntes das famílias portuguesas com a saúde continuam a aumentar, e que os médicos e enfermeiros dos Centros de Saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, onde Almada se insere, passaram a estar impedidos de realizar chamadas telefónicas para o exterior.
Almada, 27 de julho de 2015
A Câmara Municipal













