Barreiro - Quinta BraamcampAssinatura do Contrato-Promessa de Compra e Venda

Por Jornal Rostos
Recorde-se que a Câmara Municipal do Barreiro aprovou, no dia 4 de novembro de 2015, em reunião privada, a compra da Quinta Braamcamp, o que constitui, na opinião do Presidente da Autarquia, Carlos Humberto de Carvalho, um passo importante na estratégia de requalificação da zona ribeirinha do Concelho e de reapropriação dos rios por parte da população. O Autarca referiu que, numa primeira fase será efetuada a limpeza do território, seguida da recuperação do moinho e da caldeira. De modo a recolher e partilhar opiniões e contributos para a Quinta Braamcamp e toda a zona de Alburrica, a Autarquia prevê a realização de workshops com a população.
A recuperação de toda a zona ribeirinha do Concelho é o objetivo estratégico. Para tal, estão a juntar-se “as peças de um puzzle”, como afirmou o Autarca, referindo-se, numa primeira fase, à requalificação da zona entre o Clube Naval e a Avenida de Sapadores, à compra do moinho grande de maré, à candidatura a fundos comunitários para a recuperação do moinho de maré pequeno, entre outros aspetos.
“Compramos a Quinta para a pôr ao serviço da população e, eventualmente, para atividades ligadas à náutica e ao lazer.
Jorge Góis, em representação do BCP, mostrou-se satisfeito com o “destino útil” que esta zona irá ter. “Vai alterar a centralidade da Cidade e a relação das pessoas com o rio”, referiu Jorge Góis.
Quinta Braamcamp
Único complexo rural em plena cidade do Barreiro, cuja atividade cessou. Era composto inicialmente por casa de habitação, armazéns, moinho de vento e de maré e terras de cultivo. Ficou como propriedade do Millenium BCP, após processo de insolvência da Sociedade Nacional de Cortiças. Conserva ainda a antiga casa solarenga (século XIX), instalações agrícolas e um moinho de maré.
De acordo com o Guia Documental da Casa Reynolds / Sociedade Nacional de Cortiças, editado pelo Espaço Memória - Arquivo Municipal do Barreiro | CMB, “A história do fabrico de cortiça na Quinta Braamcamp iniciou-se em 1882 quando os irmãos Reynolds arrendaram a Quinta Braamcamp de George Abraham Wheelhouse e sua mulher”.
“Em Março de 1883 Tomás Reynolds já vivia na Quinta Braamcamp e nesta data já era transformada cortiça na fábrica instalada na quinta. A maquinaria importada da Grã-Bretanha (da Baerlein e c.º em Manchester, que custou cerca de 123 mil libras), como caldeiras e bombas para o fabrico de pranchas, só chegou ao Barreiro no final de 1884, quando a fábrica está em plena laboração, inclusive com horário nocturno”.
O texto da deliberação aprovada em reunião privada faz uma referência à obra “O Primo Basílio”, de Eça de Queirós, que descreve o local:
Comecemos pelo Primo Basílio.
Quando Sebastião, numa quente manhã de verão de finais do século XIX (por volta de 1878), acompanhou Jorge ao Barreiro e ao transporte que o levaria ao Alentejo, em trabalho, de visita às minas, foi junto a Alburrica que ambos desceram do vapor, fazendo a pé, pelo areal, o caminho até à Estação Ferroviária do Barreiro, início da Linha do Alentejo.
Ambos viram o conjunto moageiro de Alburrica, a praia, a Quinta do Braamcamp, o moinho de vento gigante do Barão do Sobral.
Ambos, seguramente, comentaram a beleza do local, o início da outra banda, a imponência dos moinhos, o desconforto da ligação entre o vapor e o comboio. (…)
O texto da deliberação remete para a atualidade: No coração deste território ficam os 21 hectares da Quinta do Braamcamp, hoje propriedade do Millennium BCP.
Um território que integra um moinho de maré e respetivo sistema de caldeiras, uma quinta e o espaço industrial da, hoje extinta, Sociedade Nacional de Cortiças.
Delimitado a norte pelo Rio Tejo, a poente pelo Bico do Mexilhoeiro, a nascente pela Escola Secundária Alfredo da Silva, e a sul pelas caldeiras dos moinhos Pequeno e Grande, e pela praia de Alburrica.
Fonte - CMB













