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Bastidores

Zeca Afonso chegou a Setúbal em 1967Evocar a memória é honrar a cultura e a democracia portuguesas

A Câmara Municipal de Setúbal aprovou ontem, em reunião pública ordinária, uma moção apresentada pela bancada do Partido Socialista que recorda a vida e obra de José Afonso, falecido a 23 de fevereiro de 1987 em Setúbal.

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Zeca Afonso chegou a Setúbal em 1967 Evocar a memória é honrar a cultura e a democracia portuguesas

Por Jornal Rostos

Nascido em Aveiro, a 2 de agosto de 1929, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que ficou popularmente conhecido entre os amigos, e posteriormente enquanto artista, como Zeca Afonso, despertou em criança para a música e esta tornar-se-ia a paixão da sua vida e que “o veio a celebrizar intemporalmente”, salienta o documento.

Os vereadores do PS recordam que, após as vicissitudes da vida e as passagens por Angola e Moçambique, Zeca Afonso chegou a Setúbal em 1967, onde viria a fixar-se, para lecionar no Liceu Nacional de Setúbal.

No entanto, “o regime de Salazar interditou-o de exercer a função de professor, motivo que fez Zeca Afonso passar a dedicar-se, em exclusivo, à sua grande paixão, a música”.

Na moção, a bancada do PS lembra que o momento mais brilhante e icónico da carreira de Zeca Afonso é o álbum “Cantigas do Maio”, editado em 1971, do qual faz parte “Grândola, Vila Morena”, que viria a constituir-se como senha da Revolução dos Cravos.

A “proximidade a alguns movimentos políticos locais durante o período revolucionário” levou ainda Zeca Afonso a ter uma breve experiência político-partidária, tendo sido eleito à Assembleia Municipal de Setúbal em 1976 pelos, já extintos, Grupos Dinamizadores de Unidade Popular, aquando das primeiras eleições autárquicas.

O cantautor faleceu na madrugada de 23 de fevereiro de 1987 no Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, tendo o seu funeral reunido uma imensa multidão, naquela que terá sido “a maior cerimónia fúnebre que cidade sadina alguma vez registou” e que comoveu o país inteiro.

“Marcou muitas gerações e, por isso, trinta anos após a sua morte, a memória e a voz de Zeca Afonso continuam bem vivas e a sua figura continua a ser recordada como a eterna voz da liberdade”, sublinha o documento.

Os vereadores da bancada socialista consideram que se deve a Zeca Afonso “o encontro do sonho revolucionário com a música e a poesia portuguesas e lusófonas”, graças a “um dos mais relevantes e brilhantes músicos portugueses da segunda metade do século XX”.

O seu génio musical levou-o a cruzar influências e estilos, fundir sons mais tradicionais, populares e folclóricos, com a erudição política, “afirmando-se como protagonista maior da música de intervenção, cuja mensagem denunciou injustiças, ao mesmo tempo inspirou, e continua a inspirar, a luta por um país diferente e por um mundo melhor, por uma sociedade sem muros nem ameias”.

Numa altura em que se assinalam trinta anos sobre a sua morte, Zeca Afonso continua a encher salas em espetáculos de tributo e homenagem e as suas músicas ainda passam nas rádios.

Para o PS, “evocar a memória e o legado de Zeca Afonso é não só prestar tributo à sua genialidade musical e divulgar a sua obra intemporal, mas também honrar a cultura e a democracia portuguesas”.

Fonte - CMS

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