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Bastidores

Barreiro - É impossível não questionar a negação em que a Europa mergulhou em matéria ambientalParadigma do consumo exacerbado delapida recursos

. A melhor forma de respeitar Abril é transportar para os meses do ano os valores que tornaram aquela data uma realidade tão acarinhada

"No mês da revolução e passados escassos dias do dia da liberdade, é impossível não questionar a forma condescendente como a Europa convive com a segregação e com o ódio motivados por questões de género, de orientação sexual ou de raça.", sublinhou Durval Salema, deputado do PAN, na sessão da Assembleia Municipal do Barreiro, evocativa do 25 de Abril.

4 min de leitura
Barreiro - É impossível não questionar a negação em que a Europa mergulhou em matéria ambiental Paradigma do consumo exacerbado delapida recursos

Por Jornal Rostos

Assembleia Municipal do Barreiro
Comemoração do 25/Abril/2019
Intervenção do PAN

O PAN associa-se às comemorações do 25 de Abril, data que vive no consciente de cada português e que ficará para sempre imortalizada no património imaterial de Portugal como uma das mais belas e marcantes conquistas coletivas da nossa história.

Abril é, para os portugueses, o mês da revolução, sendo o seu dia vinte e cinco, acreditamos nós que para sempre, sinónimo de liberdade. É, pois, importante, enquanto sociedade que preza a vida e convivência democráticas, recordá-lo, celebrá-lo e, mais importante, senti-lo como se do primeiro se tratasse. É isso que nos propomos fazer, não apenas agora mas sempre, honrando os que no passado se bateram por um Portugal livre e democrático e ladeando os que, tal como nós, pugnam por uma democracia mais forte, consolidada e transparente.

O quadragésimo quinto aniversário do 25 de Abril ocorre num ano particularmente desafiante para a Europa, com a existência de eleições europeias que ditarão, disso ninguém tenha dúvidas, o futuro do projeto europeu.

A verdade é que o projeto Europeu está numa encruzilhada, a ponto da própria democracia estar em causa. Seja pela ascensão de movimentos eurocéticos, nacionalistas e extremistas, seja pela crescente desmobilização dos cidadãos em torno do mesmo ou na desacreditação do próprio sistema democrático e em particular dos partidos políticos que o alimentam, quando no próximo dia 26 de maio os cidadãos europeus forem chamados a votar, será muito mais do que a escolha de representantes que estará em causa, antes a própria integridade da União.

No mês da revolução e passados escassos dias do dia da liberdade, é impossível não questionar a subserviência da Europa à economia e a total desconsideração dos direitos humanos, dos animais e do ambiente. Mas, afinal, quando foi que consensualizámos a prevalência do extrativismo sobre o comércio justo, equitativo e regulado por elevados critérios sociais e ambientais? Quando foi que consensualizámos a indiferença e o desprendimento para com o nosso próximo?
No mês da revolução e passados escassos dias do dia da liberdade, é impossível não questionar a negação em que a Europa mergulhou em matéria ambiental, tentando soluções paliativas para problemas estruturais e mantendo o paradigma do consumo exacerbado que delapida recursos e ameaça irreversivelmente a biodiversidade. Mas afinal, quando foi que consensualizámos o paradigma produtivista, intensivo e massificado, a expansão da poluição atmosférica, terrestre e marinha, e a redução ou mesmo extinção de espécies vegetais e animais? Quando foi que consensualizámos que o planeta é nossa propriedade e que as gerações futuras a ele não têm direito?

No mês da revolução e passados escassos dias do dia da liberdade, é impossível não questionar a forma condescendente como a Europa convive com a segregação e com o ódio motivados por questões de género, de orientação sexual ou de raça. Mas não apenas, como convive com o flagelo da violência, seja ela doméstica, no parto, contra crianças, no trabalho ou como convive com a discriminação no trabalho em razão do género. Mas, afinal, quando foi que consensualizámos que existem direitos humanos de primeira categoria e outros de segunda, terceira ou mesmo quarta?

No mês da revolução e passados escassos dias do dia da liberdade, é urgente questionar. E é importante fazê-lo, justamente, porque como bem sabemos cada ano tem mais onze meses, pelo que a melhor forma que cada um de nós tem de respeitar Abril é transportar para os demais meses do ano os valores, os princípios e a esperança que tornaram aquela data uma realidade tão acarinhada por todos nós.

Viva o 25 de Abril!

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