Barreiro - Pela Revolução de Abril vale a pena lutar.Portugal é hoje um país absolutamente diferente muito há ainda por fazer.
"O Poder Local operou profundas transformações sociais na melhoria das condições de vida das populações e na superação de enormes carências, muitas vezes na resolução de problemas que excedem largamente as suas competências", sublinhou Susana Ramalho, deputada da CDU, na sessão da Assembleia Municipal do Barreiro, evocativa do 25 de Abril.

Por Jornal Rostos
Assembleia Municipal do Barreiro
Comemoração do 25 Abril 2019
Intervenção da CDU
A Revolução de Abril, iniciada pelo Movimento das Forças Armadas, ao qual prontamente se associou o levantamento popular, veio devolver a esperança ao Povo Português, propiciando conquistas políticas, sociais, económicas e culturais, que a Constituição da República, promulgada em 2 de Abril de 1976, veio acolher.
Mas a Revolução de Abril não é apenas o dia 25 de Abril, são dezenas de anos de um caminho desbravado e trilhado passo a passo por quem sempre acreditou que Portugal não estava condenado a viver amordaçado, nem o seu povo a viver esmagado e oprimido pelos grilhões da ditadura fascista.
Porque o fascismo existiu. Semeou pobreza, fome, miséria, analfabetismo e doença. Impôs o trabalho infantil. Subjugou as mulheres.
Foi o poder de meia dúzia de famílias multimilionárias.
Censurou e oprimiu. Perseguiu e prendeu opositores antifascistas. Ergueu o campo de concentração do Tarrafal – campo da morte lenta. Torturou e matou.
Não esquecemos tudo isto, como não esquecemos o papel do PCP, de gerações de comunistas, de outros democratas e resistentes antifascistas que, de forma firme, corajosa e abnegada enfrentaram a ditadura fascista e, mesmo na clandestinidade, mesmo sob o chicote da censura, da repressão e da tortura, lutaram para a derrubar, muitas vezes pagando com a própria vida.
E sublinhamos o papel revolucionário de muitos trabalhadores e democratas barreirenses, que pela sua luta foram presos e torturados para que o 25 de Abril fosse possível.
E foi Abril, com a sua acção libertadora, que pôs fim a este tempo de terror, que trouxe um tempo de esperança e força para transformar.
A revolução de Abril abriu portas à liberdade, à liberdade de expressão, de manifestação, de organização política e sindical. Abriu portas à participação social e ao desenvolvimento, e pôs fim à Guerra Colonial.
Na sequência do golpe contra-revolucionário de 11 de Março, foram nacionalizados sectores estratégicos da nossa economia, como foi oc aso da CUF, da CP, da banca e dos seguros.
Para pôr a terra a produzir, os operários agrícolas apropriaram-se das herdades e lançaram a Reforma Agrária.
Foi com Abril que pela primeira vez na nossa história, foi reconhecido ao povo português o direito universal à saúde, tornado possível através da criação do Serviço Nacional de Saúde; o direito de todos os portugueses a um sistema público e universal de segurança social que dê apoio na doença, no desemprego, na velhice e na invalidez, foi consagrado o direito à educação para todos, independentemente das condições sociais e económicas de cada um; foi garantido o direito à fruição e criação cultural, à cultura física e ao desporto; foi consagrado o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos, o direito à habitação, o direito à igualdade entre mulheres e homens e ao salário mínimo nacional.
Mas se Portugal é hoje um país absolutamente diferente, muito há ainda por fazer. Apesar dos avanços registados na reposição e conquista de direitos, Portugal necessita de uma resposta mais rápida a problemas estruturais ligados ao desenvolvimento das capacidades produtivas nacionais e ao fortalecimento dos serviços públicos, para dar resposta às necessidades dos trabalhadores e do povo.
É necessário inverter de forma mais célere o desemprego e a precariedade, bem como a desigualdade social.
Celebrar Abril é também lutar por uma política que dignifique o trabalho e os trabalhadores, que dê resposta aos problemas do país e do povo, que abra caminhos ao desenvolvimento económico e social.
O Poder Local, parte integrante do regime democrático, é também uma conquista de Abril, consagrada na Constituição da República. Um Poder Local amplamente participado, plural, colegial e democrático, que tem necessariamente de ser dotado de uma efectiva autonomia administrativa e financeira.
Desde as primeiras eleições livres de Dezembro de 1976, que o Poder Local operou profundas transformações sociais na melhoria das condições de vida das populações e na superação de enormes carências, muitas vezes na resolução de problemas que excedem largamente as suas competências.
Celebrar Abril é também celebrar o Poder Local democrático, lutar pelo seu papel relevante na democracia portuguesa e por meios que o possam dotar da capacidade de intervir na solução dos problemas das populações. É lutar pela reposição das freguesias ao povo, garantido a proximidade que tão bem caracteriza o Poder Local.
Celebrar Abril é resistir e lutar, contra os que querem reverter as conquistas alcançadas, atacando a democracia, a liberdade, a paz e o desenvolvimento de Portugal.
Pela Revolução de Abril, pelos valores que representa, vale a pena lutar.
Com a força do povo, com a luta, construiremos um País mais livre, mais desenvolvido, mais justo e solidário.
Será com os valores de Abril que se construirá o futuro de Portugal.
E porque não desistimos, haveremos de transformar o sonho em vida.
Daqui, partimos para a comemoração do 1º de Maio e estamos todos convocados para as acções de luta já marcadas pelo movimento sindical.
Viva o 25 de Abril!
Viva o 1º de Maio!













