Assembleia Municipal do BarreiroCentenário do nascimento de Nathércia Couto 1ª Maestrina Portuguesa

Por Jornal Rostos
Saudação
Centenário do nascimento de Nathércia Couto, 1a Maestrina Portuguesa
Nathércia Madalena Bela de Almeida Couto nasceu no Lavradio, Barreiro, a 17 de fevereiro de 1924 e faleceu em Lisboa em 1999.
Maestrina e compositora, com carreira internacional destacada, autora de ensaios filosóficos e poetisa, iniciou a sua formação musical no Conservatório de Música de Lisboa, onde estudou piano e composição, estudos que completou nos Conservatórios de Salzburgo, Madrid e Paris, estreando-se como maestrina no Palácio de Cristal do Porto aos 20 anos de idade.
Dirigiu várias orquestras em Portugal, nomeadamente a Orquestra da Emissora Nacional, a Orquestra Filarmónica de Lisboa e a Orquestra Sinfónica Nacional (em Lisboa e no Porto). No estrangeiro regeu a Orquestra Sinfónica de Colónia e da Rádio Nacional de Espanha, tendo ainda trabalhado em países como Itália ou Brasil.
Detentora do 1º Prémio de Regência, no final do seu curso no Conservatório de Paris. Em Roma constituiu a Orquestra Sinfónica Italiana, com a qual percorreu vários países, sendo ainda considerada uma notável interprete de Schumann e de Wagner. É também autora de obras musicais para violino e piano.
No artigo “Para a Historiografia das Maestras em Portugal: mulheres maestras sob ditadura (1926-1974), a historiadora Helena Lopes Braga traça-nos o seu perfil e percurso profissional, em que, apesar de uma atividade regular no estrangeiro durante alguns anos, a carreira de maestrina, bem como a sua duração, foi marcada pela ideologia de género dominante no Estado Novo:
“No contexto social e político vigente e particularmente no panorama musical, o papel de mulheres na direção de orquestra, em que dirigir exige que se exerça poder e controlo sobre instrumentistas, ao mesmo tempo que quem o faz goza inevitavelmente de visibilidade e protagonismo – começando pela própria fisicalidade da função ou a geografia física das intervenientes, num plano destacado frente a toda a orquestra não é adequado para o papel do sexo feminino que o regime preconizava e impunha.”
Nathércia Couto ofereceu parte do seu espólio à Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense SFAL, incluindo a «Medalha Barreiro Reconhecido» na área das Artes e Letras, com que foi homenageada em 1989, existindo nesta coletividade uma lápide comemorativa em sua honra, uma Sala e uma Escola de Música com seu nome.
A presença de mulheres na esfera musical profissional portuguesa era, à época, algo rara e que importa assinalar e valorizar.
Deste modo, a Assembleia Municipal do Barreiro, reunida em sessão ordinária a 22 de fevereiro de 2024, saúda o Centenário do nascimento de Nathércia Couto, a sua a vida e obra e recomenda, em caso de aprovação:
• O envio da saudação à família de Nathércia Couto, bem como à Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense.
• À Comissão Municipal de Toponímia a inclusão do Nome «Nathércia Couto» na toponímia do Concelho.
• À Câmara Municipal do Barreiro a realização de um Concerto Comemorativo dos Centenário do nascimento, preferencialmente durante o ano de 2024
Barreiro, 22 de fevereiro de 2024
O Grupo Municipal do Partido Socialista













