Barreiro saúda Abril“Ganhámos o direito à participação cívica e ao voto em eleições livres”
Por Jornal Rostos
Na passagem do 32º Aniversário da Revolução de Abril, que se assinala na próxima terça-feira, dia 25 de Abril de 2006, o Executivo Municipal aprovou por unanimidade, em Reunião Pública de Câmara de 19-04-06, a seguinte Saudação.
Saudação ao 32º Aniversário da Revolução de Abril
Há 32 anos, numa longa madrugada que despertou ao som das canções ´´E Depois do Adeus´´ e ´´Grândola Vila Morena´´, Portugal colocou fim a quase cinquenta anos de ditadura. Nessa madrugada em que os cravos invadiram as ruas, Portugal iniciou um novo percurso da sua história.
Um percurso com altos e baixos, com momentos felizes e menos felizes, com mais ou menos sobressaltos, mas que, para além do muito que ainda nos falta fazer, nos permitiu a construção de um país mais justo, mais livre e mais desenvolvido.
Se, em termos históricos, esta é uma Revolução ainda muito jovem, em termos qualitativos pode dizer-se que Portugal mudou radicalmente: o país melancólico, atrasado e avesso ao contacto com os outros povos, isolado, autista, governado com mão de ferro por um tirano, libertou-se, descolonizou, desenvolveu-se.
Todos ganhámos: ganhámos o direito à participação cívica e ao voto em eleições livres, os trabalhadores passaram a ter direitos e a capacidade de discuti-los sem ir parar à prisão; as mulheres deixaram de ser tratadas como incapazes de tomar decisões; os idosos ganharam o direito a ser tratados com humanidade; e até os que discordam podem fazê-lo sem risco.
Mas o 25 de Abril foi apenas o início de um processo dinâmico, cujos objectivos apenas parcialmente foram atingidos.
E uma das camadas etárias que deve merecer particular atenção é a juventude: porque se os jovens receberam a enorme dádiva da liberdade, eles debatem-se hoje ainda com problemas bem duros e concretos, entre os quais um ensino cheio de falhas, um desemprego ameaçador, a falta de habitação.
É nos jovens, pois, que importa agora pensar: eles escaparam ao fantasma da guerra, ganharam o direito de decidir, votando; e, sobretudo, a liberdade de viver a sua juventude de uma forma total, sem os limites impostos por uma ditadura que destruiu a vida de muitos.
É preciso, pois, que todos nos juntemos em defesa desta liberdade ainda tão recente.
Aos mais velhos, compete transmitir a verdade dos anos duros da ditadura e não deixar esquecer a força libertadora do 25 de Abril.
Aos mais novos, estarem atentos aos perigos, e continuarem a obra iniciada pelos heróicos capitães de Abril, que libertaram este país apenas com cravos e o apoio maciço de um povo que perdeu o medo.
Mas o 25 de Abril de 74, e é necessário que aqui se registe este facto, abriu as portas à liberdade e às conquistas acima referidas, mas abriu também as portas ao Poder Local. E quando o poeta falava nas portas que Abril abriu, uma das que inegavelmente mais contribuiu para o progresso e desenvolvimento do país foi a possibilidade dos cidadãos escolherem livremente, através do voto, os eleitos e as políticas que desejam para a sua terra. Foi a possibilidade de, após o mandato para que foram eleitos pela população, o trabalho de quem esteve à frente das autarquias poder ser avaliado. Foi a possibilidade de os cidadãos sentirem o Poder mais próximo. Sentirem que os problemas na sua rua, no seu bairro, na sua vila, aldeia ou cidade, são resolvidos por alguém que tem rosto. Que está próximo e que pode comunicar directamente com eles.
E é por tudo isto que a Câmara Municipal do Barreiro Saúda e felicita:
Os capitães de Abril, homens fardados com o orgulho de uma Nação, que num acto de coragem sublime reencontraram os caminhos da dignidade colectiva, marcando a ouro, páginas das mais brilhantes da nossa história.
Os milhares de homens e mulheres resistentes, com e sem partido, que ao longo da noite opressora, muitas vezes com o sacrifício supremo da própria vida, venceram o combate pela Liberdade.
O nosso Povo, esse Povo que apesar de oprimido, subjugado e perseguido durante cinquenta anos de obscurantismo e de fascismo foi capaz de gerar e de inspirar a mão e a acção de tantos heróis resistentes.













