Bloco de Esquerda BarreiroA estação do Barreiro em agonia e subaproveitamento da EMEF constituem um cenário preocupante

Por Jornal Rostos
O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda enviou para a nossa redacção o texto integral da “Recomendação” que apresentou na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro que, como referimos, foi aprovada por unanimidade.
Divulgamos o teor integral da “Recomendação” apresentada na AMB pelos Grupo Municipal do Bloco de Esquerda.
Recomendação
Os caminhos de ferro no nosso Concelho enfrentam, na actualidade, duas questões essenciais para a sua sobrevivência e preservação, por um lado o abandono e vandalismo da sua história e por outro a indefinição relativamente ao seu futuro.
O património ferroviário do Barreiro continua a delapidar-se dia após dia, por abandono, vandalismo e indiferença.
O Barreiro que ainda detém um espólio relevante de equipamento e infra-estruturas ferroviárias, como o edifício das oficinas, a doca, a estação, ou a rotunda do material diesel arrisca-se a muito curto prazo a assistir ao seu desaparecimento completo.
O terminal de mercadorias do Barreiro-
A desactivado, a estação Barreiro em agonia, o edifício das oficinas e actividade da EMEF em subaproveitamento constituem um cenário preocupante.
O desenvolvimento do Barreiro, as suas gentes, o associativismo e cultura locais estão intimamente ligados à ferrovia.
A sul do Tejo esta cidade constituía até há bem pouco tempo o maior e mais importante pólo ferroviário. Que nos desculpe o Entroncamento e outras cidades com laços significativos à história dos caminhos-de-ferro. Foi aqui que durante mais de um século se assegurou a principal travessia do Tejo entre o norte e o sul. Estes barcos, melhor, aqueles barcos dos quais, infelizmente, só quase nos restam as fotografias, ligavam a ferrovia a norte e a sul, ao sinal do mesmo chefe de estação e ao soar do mesmo apito.
A morte continuada deste património por decisões políticas e/ou actos de vandalismo constituem um crime e uma ofensa à nossa vida colectiva e à identidade sócio-cultural.
Ninguém pode ficar indiferente, assim:
considerando o papel essencial da rede ferroviária no desenvolvimento do país e do concelho;
tendo em conta as infra-estruturas existentes e a localização geográfica privilegiada do Concelho do Barreiro na Área Metropolitana de Lisboa;
considerando a forte identificação social e cultural entre os barreirenses e o caminho de ferro;
considerando o papel que a ferrovia poderá ainda vir a desempenhar no desenvolvimento económico do Concelho, à imagem daquele que desempenhou no passado, nomeadamente na atracção de novas tecnologias, mão de obra especializada, assim como a criação de novos postos de trabalho;
A Assembleia Municipal do Barreiro, reunida a 28 de Abril de 2006, recomenda à Câmara Municipal do Barreiro que invista num estudo prospectivo sobre os cenários de desenvolvimento do transporte ferroviário com repercussão directa no Concelho do Barreiro, nomeadamente os relativos à alta velocidade e à travessia do Tejo, bem como na criação de propostas fundamentadas no domínio do planeamento que sustentem a vantagem competitiva do Barreiro para a manutenção de um pólo ferroviário actual e adequado às novas características dos equipamentos e da rede.
Recomenda ainda ao executivo camarário a criação de uma equipa de trabalho multidisciplinar que retome e actualize as iniciativas dos executivos anteriores com vista ao estudo e classificação do espólio ferroviário, incluindo o Bairro Ferroviário de modo a ampliar e sustentar a classificação de todo este complexo como área de Interesse Público Nacional. Por esta via salvaguarda-se este património das prováveis futuras investidas comerciais com vista à obtenção de lucro fácil através de especulações imobiliárias e fundiárias.













