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Bastidores

Câmara Municipal do Barreiro apresenta resultados de auditoria14 milhões de euros de compromissos assumidos não pagos

“Os números falam por si: 14 milhões de euros de compromissos assumidos não pagos; 11,2 milhões de euros de dívidas de curto prazo, dos quais 2,3 milhões sem registos de compromisso e 477 mil euros gastos não cabimentados ou sem facturação de dívida, porque foram gastos à margem dos Serviços do município” referiu Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na conferência de imprensa para apresentar o resultado da Auditoria às contas da Câmara Municipal do Barreiro.

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Câmara Municipal do Barreiro apresenta resultados de auditoria 14 milhões de euros de compromissos assumidos não pagos

Por Jornal Rostos

Mais de 4.milhões de euros à margem são o total apurado pela auditoria externa, realizada às contas do anterior executivo da Câmara Municipal do Barreiro, até ao dia 31 de Outubro de 2005.

Após a visita e inauguração das novas Bibliotecas das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do concelho o executivo camarário reuniu com os jornalistas.
Refira-se que, com a inauguração das novas Biblioteca, o concelho do Barreiro fica coberto totalmente com Biblioteca Escolares, sendo das poucas situações existentes no país.
Seguiu-se, após esta visita, um almoço para apresentar oficialmente os resultados da auditoria externa às responsabilidades financeiras e disponibilidades da Câmara, realizada pela Sociedade de Revisores Oficiais de Contas Baptista Costa & Associados.
Sobre esta apresentação, Carlos Humberto frisou que não a desejou realizar mais cedo porque “entendi que tinha de fazer primeiro duas coisas: ler o relatório e dá-lo a ler aos vereadores e entregá-lo formalmente à Assembleia Municipal. Com a auditoria podemos conhecer a realidade e o que estamos a fazer e por isso encomendámos este trabalho. Não queremos fazer um combate político, nem para apontar culpados, mas queremos conhecer os reflexos das escolhas do executivo anterior que conduziram a uma situação muito difícil para a Câmara Municipal e o relatório vem dar razão ao que temos sempre afirmado sobre as contas.”

4 milhões de euros à margem

“Mas vamos a contas porque os números falam por si: 14 milhões de euros de compromissos assumidos não pagos; 11,2 milhões de euros de dívidas de curto prazo, dos quais 2,3 milhões sem registos de compromisso e 477 mil euros gastos não cabimentados ou sem facturação de dívida, porque foram gastos à margem dos Serviços do município” referiu Carlos Humberto.
Para o edil, as contas do anterior executivo “são uma situação que vai marcar este ano e que não ficará por aqui, e temos medo que ainda surjam mais dívidas. As coisas agora estão mais claras, o que para nós é muito importante porque precisamos de conhecer o que é real para podermos agir”.
E o autarca deu também um exemplo de «despesismo»: “dos 33 milhões de euros de receita que a Câmara Municipal obteve, 17 milhões foram aplicados em Recursos Humanos. Não digo que a Câmara não precise deles, porque precisamos, mas quando uma família precisa de uma mobilia nova mas não tem dinheiro, remedeia-se com a velha.”

Medidas de contenção

Interrogado acerca das medidas que irá aplicar para contornar esta situação, “Carlos Humberto afirmou que “queremos resolver e daremos os passos que forem necessários para resolver esta situação, da qual não há forma de fugir.
Esta situação penaliza o concelho e os cidadãos, bem como o desenvolvimento do concelho. A CDU irá sempre fazer um esforço para que este tipo de situações não se repita. E por isso temos de responder aos compromissos assumidos, não cometendo ilegalidades.”
Consciente de que quaisquer medidas que sejam tomadas “não garantem uma resposta imediata, iremos actuar ao nível das despesas e das receitas, controlando a situação financeira, procurando diferentes fontes de financiamento, renegociar as dívidas, aumentar as receitas e rentabilizar e diminuir as despesas, em suma, fazer dentro do que for possível o que o relatório nos indica. Mas temos, acima de tudo, de responder às despesas imediatas porque não parámos, como as festas da cidade, o dia do Bombeiro, arranjar estradas, como aconteceu com a Avenida Alfredo Silva, etc.
Temos de fazer o que o Barreiro precisa, e embora não possamos ir mais longe, estamos satisfeitos com o que estamos a fazer. Por isso mesmo, durante a campanha eleitoral não fizemos promessas que não poderiamos cumprir, excepto a das Piscinas e para a qual continuamos a trabalhar.”
No caso dos recursos humanos, questionado sobre a forma de reduzir os custos, Carlos Humberto frisou que não haverá despedimentos, mas “quando as pessoas se reformarem teremos de pensar dez vezes se as iremos substituir e no caso dos contratados, ponderar muito sobre a manutenção dessas pessoas. Em 2006 pretendemos também reduzir ao mínimo as admissões de pessoal, salvo as que já fizemos.”

Desafios só de futebol

Em relação ao comunicado apresentado pelo PS sobre o assunto, Carlos Humberto referiu que “desafios, só quando era pequeno e eram de futebol. Não respondo a desafios de ninguém, só os que a vida me coloca”.

Maria do Carmo Torres

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