Conferência sobre Novo Aeroporto de LisboaEspecialistas consideram que existem interesses imobiliários na origem da actual decisão da OTA

Por Jornal Rostos
Na conferência "O Novo Aeroporto Internacional", promovido pela Câmara Municipal de Setúbal, através do Gabinete da Participação Cidadã, em colaboração com o general Lemos Ferreira, os especialistas sublinharam que a escolha de Rio Frio, na península de Setúbal, se apresenta como a melhor solução em termos de custos, de condições técnicas e de planeamento para o País.
"Não há como fugir" à opção de Rio Frio.
Para o professor Paulino Pereira, do Instituto Superior Técnico, autor de mais de 70 publicações sobre Engenharia Civil, "não há como fugir" à opção de Rio Frio.
Segundo dados apresentados pelo académico, as duas pistas previstas para a Ota ficarão, na prática, reduzidas a apenas uma devido a medidas de segurança, dado que aquela zona está sujeita a frequentes períodos de nevoeiro e a tectos de nuvens baixos.
Para Paulino Pereira, Rio Frio está isento deste problema e possibilita, em contrapartida, a construção faseada de quatro pistas, algo inviável na Ota, onde, a existir um aeroporto, uma vez concluído, será impossível expandir a infra-estrutura por falta de espaço.
O professor universitário sublinhou, igualmente, que a Portela recebe actualmente 11 milhões de passageiros por ano, sendo que para a Ota se prevê uma capacidade de 19 milhões em 2017, ano em que se espera que o novo aeroporto comece a funcionar.
Além disso, Paulino Pereira realçou que o actual aeroporto de Lisboa já regista um movimento de cerca de 60 aviões por hora, enquanto na Ota são esperados 79, portanto "praticamente o que já se consegue com o actual aeroporto".
Paulino Pereira, bem como para os restantes conferencistas, um aeroporto na Ota tem como desvantagens estar saturado em 2050, ser construído junto da serra de Montejunto, o que implica dispendiosos e morosos trabalhos de terraplenagem, e localizar-se demasiado longe de Lisboa e da respectiva área metropolitana.
Todos os conferencistas consideram que existem interesses imobiliários na origem da actual decisão para o futuro aeroporto internacional. "Com esta escolha, a Portela terá de ser encerrada, se não de que outra maneira é que se conseguirá atrair pessoas para a Ota?", observou António Brotas, professor catedrático jubilado do Departamento de Física do Instituto Superior Técnico, lembrando que os terrenos do actual aeroporto ficariam, assim, livres para a construção de novas urbanizações.
"Nunca ouvi um único argumento a favor da Ota", salientou António Brotas, acrescentando que "pode ser um belíssimo negócio, mas não para o País".
Já António Diogo Pinto, professor catedrático em Geologia Aplicada no Instituto Superior Técnico e antigo presidente do Conselho de Administração do Aeroporto Internacional de Macau, defendeu que "as justificações apresentadas pelo Governo [em defesa da Ota] parecem insuficientemente fundamentadas".
Constatou, em contrapartida, que "os custos da construção de um novo aeroporto na margem sul do rio Tejo serão sempre sensivelmente metade do valor em relação a uma localização na margem norte".
Todos os intervenientes na conferência, que praticamente encheu o Salão Nobre dos Paços do Concelho com público, defenderam Rio Frio como a melhor escolha estratégica para o País.
António Brotas afirmou que esta opção também reúne as melhores condições em termos de planeamento de transportes, pois, ao contrário da Ota, a ligação de caminhos-de-ferro "de alta velocidade prevista entre Lisboa e Madrid é compatível com a plataforma logística prevista para Poceirão", ficando, igualmente, mais próxima dos portos de Setúbal, Lisboa e Sines.
Relativamente aos problemas ambientais apresentados pelo Governo para abdicar da localização de Rio Frio, Diogo Pinto referiu que os impactes podem ser facilmente ultrapassados, até porque, contrapôs, "a Ota também não está isenta de problemas semelhantes".
O presidente da Câmara Municipal, Carlos de Sousa, presente na sessão, salientou na abertura da conferência que esta teve como principal objectivo "fazer com que os cidadãos participem em temas de interesse local, regional e nacional", acrescentando que o futuro aeroporto internacional é um tema "de extrema importância para a região e para o País".













