Presidente da Câmara de Setúbal"Não haverá Ramblas mais bonitas do que as da Avenida Luísa Todi"

Por Jornal Rostos
Esta é uma das linhas gerais em que assenta a filosofia do projecto de requalificação da Avenida Luísa Todi no âmbito do Polis apresentado aos munícipes, ontem à noite, na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, encontro que se repete hoje, às 21h00, no Club Setubalense, com a presença do arquitecto Manuel Salgado, autor do projecto.
Na sessão de ontem, promovida pela Câmara Municipal e Sociedade Setúbal Polis, participaram a presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, e o vereador do Urbanismo, André Martins, bem como Vítor Casimiro e Sofia Silva, técnicos que integram a equipa projectista da intervenção Polis e que deram a conhecer as alterações a realizar, nomeadamente ao nível da circulação rodoviária, da estrutura verde e do mobiliário urbano.
Aspectos relacionados com as duas fontes, a das Ninfas e a dos Golfinhos, foram igualmente debatidos, uma vez que principalmente a primeira faz parte do imaginário setubalense e grande parte das pessoas não é sensível à mudança de local da mesma.
O projecto já deixou de parte a deslocação da Fonte das Ninfas, uma vez que, tal como referiu Maria das Dores Meira, já não vai ser construída a passagem desnivelada - que obrigaria a deslocar a fonte poucos metros para Poente -, elemento de ligação pedonal entre a Praça de Bocage e o lado sul da Avenida, junto do Pingo Doce.
Quanto à dos Golfinhos, esta vai ser relocalizada, redimensionada e terá novos acabamentos com a criação de um conjunto de elementos de água que fazem a ligação a esta fonte, transmitindo-lhe uma maior conformidade com a envolvência, e que encerram a zona Poente da Avenida. Os elementos são constituídos por repuxos ao nível do chão, em que alguns são jactos verticais e outros irrompem de um ponto sendo recebidos por outro diferente.
No que respeita ao pavimento do passeio central da Avenida Luísa Todi, a proposta assenta em desenhos a simular ondas. Um dos elementos do público, de profissão arquitecto, alertou para o facto de aquele tipo de desenhos poder provocar alterações sensoriais nomeadamente nas pessoas mais idosas. A presidente da Câmara Municipal sugeriu aos técnicos do projecto que acautelassem essa situação, até porque, acrescentou, "a Avenida é em grande maioria frequentada por pessoas menos jovens".
Um dos principais objectivos do projecto de requalificação da Avenida Luísa Todi é transformar esta zona numa área que privilegia a circulação pedonal e paralelamente criar uma maior interligação da área histórica da cidade com o coração da Avenida e com o rio.
Para isso, em termos de circulação rodoviária, a nova avenida, referiu Vítor Casimiro, um dos técnicos que integra a equipa projectista, "assumirá uma filosofia diferente".
A via norte da Avenida Luísa Todi passa a ser apenas para transportes públicos, cargas e descargas e veículos prioritários, o que permite disciplinar o tráfego na área intervencionada, criando condições de circulação fluida mas a baixa velocidade e transmitindo um acrescido sentido de segurança e lazer ao transeunte.
No que respeita aos transportes individuais, um anel giratório, na via sul da Luísa Todi e na nova avenida portuária, tratará de distribuir o tráfego ao longo de toda a zona ribeirinha.
A questão do estacionamento, uma das principais preocupações levantadas por alguns dos intervenientes do público, foi também abordada, tendo André Martins apresentado números para assegurar que a capacidade de parqueamento na Avenida não vai decrescer. "Vai haver mais estacionamento legal na zona de intervenção Polis do que aquele que hoje existe. Actualmente há 1090 lugares, futuramente ficamos com 1250."
Mas não é só o estacionamento que aumenta. A zona verde da Avenida vai duplicar, passando dos cerca de 12 mil metros quadrados de área permeável para perto de 25 mil. Os bancos existentes nos jardins são para manter e os novos serão iguais aos actuais. Dois quiosques, um parque infantil e uma zona de esplanadas são para já algumas das propostas de mobiliário e equipamentos para a zona de intervenção.
Uma zona que um dos elementos do público gostaria que "viesse a ser como as Ramblas de Barcelona, com animação, artes circenses, enfim, uma avenida com vida".
Maria das Dores Meira peremptória disse não conhecer cidade mais bonita do que Setúbal e que depois de terminada a intervenção "não haverá Ramblas mais bonitas do que as da Avenida Luísa Todi".
A autarca regozijou-se pela forma como decorreu a sessão e a maneira correcta como os participantes colocaram as suas dúvidas.













