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Bastidores

Pesca e Aquacultura em Setúbal"Nota-se uma ausência de organização entre os pescadores"

O primeiro passo para a criação de uma associação de pescadores em Setúbal foi dado ontem à noite, no Clube Recreativo Palhavã, numa reunião promovida pela Câmara Municipal no âmbito da Semana da Pesca e Aquacultura.

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Pesca e Aquacultura em Setúbal "Nota-se uma ausência de organização entre os pescadores"

Por Jornal Rostos

A presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, começou a sessão alertando para a falta de associativismo nos pescadores artesanais e da ganchorra. "Nota-se uma ausência de organização entre os pescadores. A maior parte de vós não está organizada em associações."

A edil desafiou os pescadores a constituírem desde já uma comissão provisória para dar andamento ao processo de criação de uma associação. Para apoiar a iniciativa, Maria das Dores Meira assegurou que a "Câmara Municipal paga os custos de legalização da associação".

O presidente da Mútua dos Pescadores, João Lopes, corroborou as palavras da autarca e apelou à união dos homens do mar, sublinhando mesmo que determinados problemas se mantêm devido à falta de associativismo dos pescadores.

A falta de apoios ao combustível das embarcações foi um dos problemas levantados por vários pescadores e armadores. "Não se compreende que o gasóleo tenha algum apoio do Estado e a gasolina não. Por exemplo, na zona da Gâmbia, quase todas as embarcações utilizam gasolina como combustível", frisou Maria das Dores Meira.

Críticas ligadas à aplicação de coimas e aos baixos preços a que os marítimos têm de vender o pescado foram também apresentadas pelos presentes.

A questão da reforma dos pescadores ter passado para os 65 anos, independentemente dos anos passados no mar, constitui, para a presidente da Autarquia, um problema. "Esta profissão de risco devia ter um tratamento especial. Antes a reforma dos pescadores acontecia aos 55 anos ou quando perfizessem 30 anos de trabalho. Hoje é aos 65 e ponto final", sublinhou.

A edil reforçou, também, que quando os pescadores param de trabalhar por razões que lhes são alheias, muitas vezes motivadas por condições adversas impostas pela natureza, "não são compensados por ninguém. Não há subsídios de desemprego ou quaisquer subsídios por parte da Segurança Social".

Maria das Dores Meira entende que a Câmara Municipal "pode servir de elo de ligação" entre as várias entidades da pesca e que a Autarquia é o porta-voz ideal para "reivindicar junto de quem detém o poder a alteração de algumas coisas em prol da protecção dos pescadores".

Para já, a autarca vai solicitar reuniões com as entidades reguladoras do sector, nomeadamente com o ministro da Agricultura e Pescas e com o secretário de Estado da Segurança Social, para fazer chegar a estas instâncias as preocupações dos pescadores de Setúbal.

A sessão com os pescadores artesanais de Setúbal realizou-se no âmbito da Semana da Pesca e Aquacultura que termina hoje com novo conjunto de reuniões. Na segunda-feira, às 14h30, há uma conferência de imprensa, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde será feito um balanço daquela semana temática promovida pela Câmara Municipal.

Foto : CMS

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