Câmara Municipal de AlcocheteComemorar o passado e o presente sem perder de vista os objectivos estratégicos

Por Jornal Rostos
A sessão solene decorreu no edifício dos Paços do Concelho e contou com a participação dos Presidentes da Câmara e da Assembleia Municipais e das personalidades e representantes das entidades homenageadas, cerimónia a que assistiram autarcas locais, deputados, dirigentes associativos, convidados e muitos munícipes.
A sessão solene teve início com a intervenção do Presidente da Assembleia Municipal de Alcochete, que apresentou um protesto em nome do órgão autárquico a que preside contra o entendimento entre o PS e o PSD em relação à nova Lei Eleitoral para as Autarquias. Miguel Boieiro considerou ser “um rude golpe no Poder Local Democrático”,
A população nunca se resignou com a anexação ao concelho vizinho
Luís Miguel Franco, Presidente do Município de Alcochete, anunciou que a Câmara Municipal vai promover durante 2008 um conjunto de iniciativas para festejar o 110.º aniversário da Restauração da autonomia do concelho e fez uma pequena resenha da História do Concelho.
“A população nunca se resignou com a anexação ao concelho vizinho e a influência de uma indignação e revolta populares significativas, em 1898 dá-se a restauração da independência administrativa do concelho, momento que hoje comemoramos não como uma mera manifestação de bairrismo, mas como uma homenagem ao nosso orgulho enquanto comunidade e território”, referiu o autarca.
O autarca enumerou depois, sucintamente, as razões que levaram à escolha das entidades e personalidades homenageadas nas comemorações do 110º aniversário da Restauração do Concelho, destacando que “todas dignificam o nome de Alcochete e engrandeceram, através das suas actividades, o nome do nosso concelho”.
Um papel muito importante na memória e cultura locais
Em relação à Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898, o Presidente da Câmara destacou a sua Banda e Escola de Música, os prémios nacionais e internacionais alcançados e o Orfeão, elogios igualmente dirigidos à Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense com a sua Banda de Música, o reconhecimento nacional e internacional, a Escola de Música, o Grupo Coral e o dinamismo evidenciado na realização de actividades desportivas e recreativas.
No que respeita à Fundação João Gonçalves Júnior, Luís Miguel Franco sublinhou a sua “função social incontornável no apoio às crianças e aos mais desfavorecidos e ainda um papel muito importante na memória e cultura locais”, numa referência à preservação da actividade de salicultura no concelho.
Comemorar o passado e o presente sem perder de vista os objectivos estratégicos
De acordo com as palavras do Presidente do Município, “objectividade” e “justiça” presidiram à escolha das duas personalidades homenageadas na sessão solene comemorativa da Restauração da autonomia concelhia em 2008.
“João Ferreira Rosa é um dos mais emblemáticos fadistas portugueses, um apaixonado por Alcochete” e uma pessoa “com especial apetência para contribuir e participar em espectáculos promovidos quer pela Câmara, quer pelas colectividades do concelho, sempre de forma absolutamente altruísta”, referiu o autarca.
No que respeita a Eugénia Maria de Assis Casadinho Costa Macedo, Luís Miguel Franco afirmou o seguinte: “Eugénia Casadinho, uma pessoa de quem me orgulho de ser amigo, solidária, autarca, destacou-se desde sempre pela sua dedicação ao Ensino Especial e à dinamização do ensino artístico na Escola Comunitária de Alcochete”.
“Com esta cerimónia visamos comemorar o passado e o presente sem perder de vista os objectivos estratégicos de desenvolvimento futuro para o concelho que deverão ser os objectivos comuns de todos nós, autarcas e população”, lembrou o edil.
Não privatização das transportadoras ANA e TAP
O Presidente do Município de Alcochete destacou os investimentos governamentais previstos para a Península de Setúbal: o futuro Aeroporto Internacional, a Plataforma Logística do Poceirão e a nova Travessia sobre o Tejo, sublinhando que “se tratou de um processo de luta, porque a Câmara Municipal de Alcochete e a Associação de Municípios da Região de Setúbal entenderam que havia alternativas mais credíveis que a Ota”. Mais adiante no seu discurso, Luís Miguel Franco fez um apelo à qualificação profissional da população do município, dado que os investimentos previstos representam mais emprego qualificado.
Neste contexto, segundo o autarca, quatro pressupostos deviam presidir à decisão do Governo quanto à localização do novo Aeroporto: “o respeito pelo interesse nacional”, “a localização numa área dotada de excelentes acessibilidades”, “a natureza pública dos terrenos” e a “não privatização das transportadoras ANA e TAP”.
Parabéns ao 110.º aniversário da Restauração do Concelho de Alcochete
Luís Miguel Franco criticou ainda a afirmação do Ministro da República de que a “Margem Sul é um deserto”, assim como os “autarcas que vêm agora reclamar que Alcochete não tem nada a ver com o futuro Aeroporto”. Referiu também que o segundo ciclo do seu mandato autárquico “será abundante em termos de obras municipais”, uma vez que “os compromissos são para cumprir”.
Alfredo Canário, presidente da Sociedade Imparcial, Manuel Ferreira Teixeira, presidente da Direcção da Sociedade Filarmónica Samouquense, Paulo Alves Machado, Vereador do Município e presidente da Direcção da Fundação, João Ferreira Rosa e Eugénia Casadinho foram unânimes, nas suas intervenções, no agradecimento à Câmara Municipal de Alcochete pelas distinções que receberam das mãos do Presidente da Edilidade.
A sessão solene finalizou com um apontamento musical da formação musical “Raízes” e a entoação dos parabéns ao 110.º aniversário da Restauração da autonomia do Concelho de Alcochete.
SOCIEDADE IMPARCIAL 15 DE JANEIRO DE 1898
As sucessivas gerações que têm assegurado a existência da centenária Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 contribuíram, de forma decisiva, para a excelência da interpretação musical e para manter viva a luta pela autonomia do concelho.
Durante os seus 110 anos, a Sociedade Imparcial promoveu as artes do teatro, do canto e da música, embora o ponto forte seja a banda e a escola de música e, mais recentemente, em 1997, o renascer do seu orfeão.
Os êxitos obtidos são fruto do muito esforço e dedicação dos seus elementos. A Medalha de Mérito Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, a Medalha da Restauração do Concelho, o reconhecimento como Instituição de Utilidade Pública, os dois troféus RTP, o 1.º Prémio do Certame Internacional da Cidade de Valência, Espanha, o 3.º lugar no 8.º Concurso em Riva Del Garda, Itália, e o 1.º lugar no Concurso Internacional de Bandas, em Vila Franca de Xira, são alguns dos momentos altos da Banda.
O prestígio, o sucesso, a qualidade ímpar da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 são factores de um genuíno orgulho para os habitantes deste concelho da Região de Setúbal.
Nascido em 1929, Alfredo Canário desempenhou desde os seus 26 anos vários cargos directivos e é de novo, desde Dezembro, Presidente da Direcção da colectividade.
António Francisco Rei Menino, que sucedeu a seu pai na direcção da Banda e do Orfeão em 1998, permitiu a participação feminina e tem alcançado enormes êxitos na área musical.
A Câmara Municipal de Alcochete presta homenagem à Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898, aos dirigentes, músicos e sócios pelo seu contributo para a divulgação e o prestígio do Município de Alcochete.
SOCIEDADE FILARMÓNICA PROGRESSO E LABOR SAMOUQUENSE
Instituída a 1 de Dezembro de 1919, a Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense é uma Instituição de Utilidade Pública com um imenso historial e experiência na promoção da cultura e da educação musical, .
Alicerçada na sua Banda de Música, esta ilustre colectividade apresenta um elevado dinamismo, evidente com a estreia do Grupo Coral dirigido por Gisela Sequeira, em 2007, e a promoção de numerosas iniciativas de índole recreativa e desportiva na nova sede, bem como o investimento em projectos musicais como a Orquestra Ligeira e o Conjunto “Aguarela”.
A afirmação da sua Banda de Música em território nacional, com destaque para a participação nas corridas de toiros do Campo Pequeno, alia-se à projecção internacional alcançada por terras de Espanha e Açores.
A actividade desta Banda de Música foi por isso já publicamente distinguida pelo Município de Ayamonte e pela Região de Turismo da Costa Azul.
Na vanguarda da comunicação global, a Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense está ainda apostada em retomar a tradição do famoso Carnaval e na realização de espectáculos de variedades e revista.
Manuel Ferreira Teixeira é sócio da colectividade desde a sua juventude, presidiu à Assembleia Geral e é há seis anos Presidente da Direcção da Colectividade.
O Maestro Sérgio Manuel Nunes de Oliveira dirige, há 11 anos, a Banda da Sociedade Filarmónica e tem alcançado enorme êxito e sucesso com os seus músicos.
A Câmara Municipal de Alcochete presta homenagem à Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense, aos sucessivos órgãos directivos, músicos e sócios, pelo seu contributo para a divulgação e prestígio do Município de Alcochete.
FUNDAÇÃO JOÃO GONÇALVES JÚNIOR
Desde a sua constituição em 1953, por vontade expressa em testamento por Mariana Gonçalves Dias de Sousa Rodrigues, filha de João Gonçalves Júnior, que a Fundação que perpetua o nome do abastado salineiro de Alcochete assumiu uma função social exemplar, relevante e imprescindível no apoio às crianças e aos mais desfavorecidos.
Durante largos anos a única instituição do Município de Alcochete a desenvolver actividade nesta área, a Fundação faz parte da memória e do afecto de muitos e muitos concidadãos que tiveram a oportunidade de frequentar a instituição.
Mais de meio século ao serviço da população com um trabalho ímpar e de qualidade, a Fundação João Gonçalves Júnior assume também um papel preponderante na preservação da memória e cultura locais através da manutenção da salicultura. Na época da safra ainda é possível em Alcochete observar o trabalho do salineiro e a extracção do sal da salina.
Na actualidade, a Direcção, presidida por Paulo Alves Machado, e os quarenta e seis profissionais que asseguram o regular funcionamento da instituição estão apostados na modernização e na definição de novas áreas de intervenção.
A Câmara Municipal de Alcochete presta homenagem a esta instituição particular de solidariedade social pelo seu inigualável contributo na educação e bem-estar de milhares de concidadãos e por ser responsável pela preservação de um património ambiental, cultural e histórico único no Município.
FADISTA JOÃO FERREIRA ROSA
João Ferreira Rosa nasceu em Lisboa no dia 16 de Fevereiro de 1937, mas viveu parte da sua infância em Angola, num ambiente tranquilo e de relativa liberdade, regressando a Portugal continental aos cinco anos.
A rebeldia e irreverência marcaram a sua juventude, características que levaram, juntamente com o gosto pelos cavalos, a frequentar a Escola Agrícola de Santarém. Aos 14 anos estreia-se como fadista numa festa escolar no Teatro Rosa Damasceno, em Santarém.
Em Abril de 1966 abre a “Taverna do Embuçado” em Alfama, um restaurante de luxo da capital, “catedral” do fado e local de actuação de grandes nomes da tradição fadista portuguesa.
Com uma vida sentimental intensamente vivida, assume que as suas duas paixões são hoje o Palácio de Pintéus, em Loures, que recuperou da ruína, e a sua casa no Núcleo Antigo de Alcochete que lhe permite o convívio com um povo amigo, “nobre”e apreciador de fado.
Desde que se conhece que sente prazer em cantar e o seu ídolo é Amália Rodrigues, com quem conviveu muitos anos.
Monárquico convicto, um dos fados mais carismáticos, o “Embuçado”, continua a ser escutado em muitos espectáculos a que o fadista acede em dar o seu contributo para a angariação de receitas a favor de muitas colectividades de Alcochete.
A Câmara Municipal de Alcochete presta a sua homenagem ao fadista João Ferreira Rosa como reconhecimento pelo seu valor como artista e pelo seu amor e generosidade a Alcochete e às suas gentes.
EUGÉNIA MARIA DE ASSIS CASADINHO COSTA MACEDO
Eugénia Maria de Assis Casadinho Costa Macedo nasceu em Montemor-o-Novo em 22 de Abril de 1941 e iniciou os seus estudos no Colégio “Mestre de Avis”.
Conclui o Curso de Professora do 1º Ciclo em 1964 em Évora, ano em que inicia a sua actividade de docência na Freguesia de Pinhal Novo, passando depois por várias escolas de Almada, Montijo, Alcochete, Barreiro e Moita.
Em 1967 veio morar para o Samouco e depois mudou-se para a Vila de Alcochete. É casada, tem dois filhos e três netos.
Com experiência na função de docente opta pelo Ensino Especial, área onde desenvolve actividade até à sua aposentação. Durante este período frequenta o Curso de Educação pela Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e os Cursos de Pintura Artística e de Desenho nas Belas-Artes.
Exerceu durante dois mandatos o cargo de deputada na Assembleia Municipal e há mais de uma década que integra a Comissão de Protecção de Menores de Alcochete.
Nos órgãos directivos da Escola Comunitária de Alcochete há largos anos, sendo actualmente Vice-Presidente, e dinamizadora do Núcleo de Artistas Plásticos, Dona Eugénia, como afavelmente é tratada, transmite a sua alegria de ser e estar como voluntária na dinamização do ensino artístico e educação pela arte junto dos alunos do 1.º Ciclo e na Escola Comunitária.
A Câmara Municipal de Alcochete presta a sua homenagem a Eugénia Casadinho pelo seu contributo para a construção de uma sociedade mais solidária, mais altruísta e mais fraterna.













