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Bastidores

Discussão Pública do Centro da CidadeReconstrução da Avenida Alfredo da Silva vai estar a cargo da Multi Development

Cerca de uma centena de barreirenses encheu o Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, no dia 8 de Fevereiro, para participar no plenário com a população, no âmbito da discussão pública do Estudo Prévio sobre o Centro do Barreiro promovida pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB). Esta última acção ficou marcada pela apresentação do referido Estudo por parte do seu autor, o arquitecto catalão Joan Busquets.

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Discussão Pública do Centro da Cidade Reconstrução da Avenida Alfredo da Silva vai estar a cargo da Multi Development

Por Jornal Rostos

A moderar o plenário, o Vereador Joaquim Matias ressalvou que a requalificação do centro do Barreiro “é muito importante e muito cara” e recordou que o plano de participação começou em 2006 em plenários com a população do Barreiro, no âmbito das Opções participadas e nas quais se discutiu a localização do mercado. Recordou que este era para ser localizado onde está a ser construído o Forum, “havia um compromisso de dação e pagamento de essa infraestrutura. A empresa Multi Development responsável pelo Forum Barreiro em conversações com a Câmara transformou essa dação e pagamento na construção do novo mercado 1º de Maio, na reconstrução da praça central e no estudo urbanístico da Avenida Alfredo da Silva, Ruas Miguel Bombarda e Stara Zagora”. Foi escolhido o arquitecto Joan Busquets, “uma escolha aplaudida pela Câmara”. Joaquim Matias destacou alguns dados biográficos do arquitecto. Foi licenciado em arquitectura em 1969, doutorou-se em 1975 e é professor de planeamento de cidades, responsável por vários projectos em todo o mundo. Por exemplo, em Portugal foi um dos responsáveis pelo projecto de reconstrução dos armazéns do Chiado.

Joaquim Matias lembrou as reuniões realizadas com os vendedores do Mercado, com os comerciantes da zona e a população, para além da exposição do estudo prévio que esteve patente ao público na Galeria Municipal de Arte. Segundo o autarca “a opinião das pessoas tem orientado e modelado todo este procedimento”.
O autarca anunciou para o dia 3 de Março a transferência dos vendedores para o mercado provisório junto à Escola Secundária Alfredo da Silva.

Por seu lado, o Presidente Carlos Humberto de Carvalho agradeceu, especialmente, a presença de Joan Busquets e de representantes da empresa Multi Development e destacou a cooperação coma CMB. Pela primeira vez, o autarca anunciou que a reconstrução da Avenida Alfredo da Silva estará a cargo da referida empresa que antes já tinha acordado com a CMB a construção do Mercado, o estacionamento subterrâneo e a praça 1640. O Presidente referiu que a estratégia a desenvolver será de “consolidar o actual centro e alargá-lo forma sistemática e paulatina, pois temos a preocupação da deslocalização do centro com a construção do Forum para aquela zona e a consequente desertificação do actual centro do cidade”. Perante os poucos meios financeiros da CMB, “abdicámos de um espaço na zona do fórum que seria disponibilizado à Câmara em tosco. Nós não queremos isso, mas queremos que a Multi nos reconstrua o mercado, o parque de estacionamento, a praça 1640 e a Avenida Alfredo da Silva”, referiu.

Segundo o autarca “precisamos de encontrar outros equipamentos âncora que nos ajudem a consolidar esta ideia da Avenida Alfredo da Silva ser o principal centro do Barreiro”. O Presidente considerou fundamental a participação das pessoas na construção do Barreiro do presente e do futuro. “Um Barreiro de cidadania de participação, é um caminho que nunca está feito. O que interessa é que iniciámos esse caminho que tem de continuar”.

“A Avenida Alfredo da Silva está perpendicular à Avenida da Liberdade”
Na sua intervenção Joan Busquet explicou que quando fez o trabalho tentou entender a cidade e a margem sul do Tejo. O arquitecto comparou o crescimento metropolitano de Lisboa com o da Barcelona. Assinalou no mapa a Avenida Alfredo da Silva que se localiza de forma perpendicular à Avenida da Liberdade e comparou as duas avenidas que são cada uma delas uma referência quer para lisboetas, quer para Barreirenses. Classificou a Avenida do Barreiro como “a espinha dorsal e um eixo central”. Acredita que a relação entre as duas margens do rio Tejo, vai influenciar muito a economia e a dinâmica do Barreiro e a margem sul da Área Metropolitana de Lisboa.

O arquitecto descobriu os espaços verdes da cidade e a sua relação com o Barreiro antigo. Ao nível do trânsito, constatou que 70 por centro dos autocarros passam pela Avenida Alfredo da Silva e considerou que o tráfico de carros que passa pelo centro que não é necessário”. Defende outras alternativas. “A cidade necessita dos carros, mas estes não devem andar no centro é importante que o carro coexista com o peão e a bicicleta”. Mostrou a Avenida Alfredo da Silva e o aumento dos passeios em calçada portuguesa, a sua arborização e a criação de zonas de cargas e descargas, na qual só se possa circular a 30 km/h.

A solução da Rua Miguel Bombarda passa pelo alargamento dos passeios, arborizar a zona oriente e contempla zonas de cargas e descargas. Para o arquitecto “o mais importante é recuperar a presença de árvores que criam sombra”.

Joan Busquets estudou 38 mercados na Área Metropolitana de Barcelona e concluiu que estes “dão uma resposta diferente à que é dada pelos centros comerciais” e apresentou o projecto para um mercado moderno e eficiente.

O arquitecto apresentou a filosofia para o mercado, “com um correcto sistema de organização da venda, um sistema eficiente de cargas e descargas, boas dimensões para as lojas, boas condições de higiene, tão bonito como o centro comercial”. Apresentou o projecto de edifício que une o mercado compacto com bancas no centro e lojas em redor, com estacionamento subterrâneo com 225 lugares com acesso pela praça e pelo mercado. Defendeu que a praça e o parque Catarina Eufémia devem estar ligados e deve haver intercâmbio entre os três elementos. A praça será em calçada portuguesa com o desenho da Área Metropolitana de Lisboa. Quanto ao acesso ao estacionamento subterrâneo Joan Busquets projectou-o em cristal e de forma a definir dois espaços na praça.

No período dedicado à intervenção do público, um munícipe quis saber se o Barreiro velho vai ter o cunho do arquitecto. Em resposta o Presidente da CMB ressalvou que foi pedido ao arquitecto que estudasse o centro do Barreiro, mercado, praça, estátua Alfredo da Silva, ruas Miguel Bombarda e Stara Zagora, pois “não há condições financeiras para o resto do Barreiro. Estou satisfeitíssimo por termos esta possibilidade e tivemos a sorte de encontrar esta solução e juntámos à sorte o saber”.
Em relação à preservação da fachada que fica de frente para o Parque poder ser preservada, o Presidente explicou que não será possível por questão de espaço. “Precisávamos de um espaço maior por isso não podemos manter todas as fachadas”.

Em relação ao funcionamento do Mercado, o Presidente defendeu a permanência dos vendedores. “Temos de construir o mercado com elas. O mercado vai ter evoluções ao longo do seu funcionamento e será complementado com outras actividades. Temos previsto cafés e esplanadas e um serviço municipal”.

Quanto à estátua Alfredo da Silva deve ser deslocada. Segundo o Presidente há uma “certa inclinação” para a escolha do largo Alexandre Herculano na futura rotunda em frente ao portão da Quimiparque.

Para atenuar os problemas do trânsito será construída uma rotunda que liga a Avenida Alfredo da Silva à Rua Stara Zagora, dessa sairá um acesso ao largo Alexandre Herculano e a ligação ao Lavradio. Segundo o autarca “estas ligações estarão feitas antes da inauguração do Forum Barreiro e serão medidas para atenuar estes problemas”.

Em relação a uma possível recuperação do Barreiro antigo, o arquitecto lembrou que “as cidades não se modificam num dia, mas em anos”.

A preceder este plenário teve lugar uma reunião com eleitos da Assembleia e Câmara Municipal, Assembleia e Junta de Freguesia do Barreiro, no final da tarde de sexta-feira, onde foi apresentado por Joan Busquets o estudo sobre a reestruturação do Centro Histórico do Barreiro, assim como da recuperação e modernização do Mercado 1º de Maio.

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