Assembleia Municipal do BarreiroManifesta desagrado pelo encerramento dos Infantários da CP
Na sua reunião de ontem, a Assembleia Municipal do Barreiro aprovou, por unanimidade, uma moção apresentada por Humberto Candeias, do Bloco de Esquerda, na qual “manifesta o seu desacordo pela decisão da Direcção Executiva da CP de encerrar os infantários e manifesta a solidariedade para com as crianças e famílias afectadas por esta medida”.

Por Jornal Rostos
No teor da moção, apresentada pelo deputado municipal Humberto Candeias, do Bloco de Esquerda, refere-se que os trabalhadores da CP receberam, no dia 21 de Fevereiro, uma carta da direcção Executiva da CP, “a anunciar o encerramento dos infantários actualmente existentes” no final do próximo mês de Agosto, sendo um deles no Barreiro.
“A empresa pública CP, sob argumentos de maior justiça social, maior bem estar e um apoio social mais adequado, decide encerrar infra-estruturas básicas e fundamentais na área sócio educativa, lesando gravemente o interesse e os direitos das crianças, das famílias e dos trabalhadores da CP e de outras empresas do grupo como a REFER e a EMEF” – sublinha a moção do Bloco de Esquerda, acrescentando – “É verdade que algum apoio financeiro vai ser extensível não só a estas famílias mas também a outras com crianças na empresa, mas o exíguo apoio financeiro, entre 55 e 85 Euros, não garantirá, seguramente, uma solução educativa de qualidade a nenhum deles”.
Taxa de pobreza infantil coloca-nos na cauda da Europa
Referiu, o deputado Humberto Candeias, na moção que apresentou que “tudo isto acontece num país em que as taxas de cobertura de estruturas sociais e educativas para crianças estão muito abaixo daquilo que é necessário, facto reconhecido pelo actual governo que continua a incentivar e a investir na criação de novos equipamentos, como é o caso do pré-escolar e das creches” – acrescenta ainda Humberto Candeias que – “tudo isto acontece num país em que a taxa de pobreza infantil nos envergonha ao colocar-nos na cauda da Europa”.
Ter em conta a realidade das empresas
No período de discussão das moções, Isidro Heitor, Partido Socialista, manifestou a sua concordância com a “filosofia da moção”, no entanto, expressou o seu incómodo, pela moção do Bloco de Esquerda “fazer juízos de valor sobre a gestão da empresa” porque, disse, é preciso “ter em conta a realidade das empresas”.
Isidro Heitor sublinhou que concordando com os princípios, na sua opinião devia na moção ser alterado o termo que a Assembleia Municipal decide “repudiar a decisão” o qual classificou de “muito violente” e sugeriu que ficasse no texto da moção o termo - “a Assembleia manifesta o seu desacordo”.
Isidro Heitor salientou que podem existir situações em que o encerramento se justifique desde que se “encontrem alternativas”.
Cerca de 150 crianças ficarão sem infantário
O deputado do Bloco de Esquerda, Humberto Candeias, sublinhou que mesmo que do “ponto de vista da gestão” esta medida “possa ter bastante lógica”, na sua opinião, “não podemos ignorar que se trata de uma empresa pública” que depende de um governo que “tem uma determinada politica”.
“Não se pode apenas fazer uma leitura de gestão” – sublinhou Humberto Candeias, recordando que o Governo estimula empresas para que criem estes equipamentos para os seus trabalhadores e sendo a CP uma empresa com tutela do governo – “é um contra-senso” e não se pode ficar só por uma leitura de aspectos da gestão da empresa.
O deputado do Bloco de Esquerda referiu que com o encerramento dos Infantários serão afectadas 150 crianças, que “ficarão sem infantário”, acrescentando que, recentemente foram efectuados, pela CP, investimentos na modernização destas infra-estruturas educativas, na ordem de 250 mil euros.
Por outro lado, salientou que existirá um universo de trabalhadores que vão ser beneficiados dado que não tinham os seus filhos nos infantários e vão receber um subsidio – “há uma generalização de alguma maneira” – mas, referiu que a verba é insuficiente para que encontrem uma resposta de qualidade que lhes proporcione uma solução educativa para os seus filhos.
Humberto Candeias concordou com a proposta de Isidro Heitor em mudar “manifesta o seu desacordo”, retirando o termo “repudiar”.
A moção apresentada pelo Bloco de Esquerda foi aprovada por unanimidade, com os votos do PCP/CDU, PS, PSD e Bloco de Esquerda.













