Santiago do Cacém -Revisão do Plano Director Municipal“Este PDM tem que respeitar a natureza e ir ao encontro da solidariedade humana”
Um Plano considerado pela Câmara Municipal de 2ª geração e que está previsto durar dois anos a ser elaborado. A equipa do IST é coordenada pelo Professor Manuel Costa Lobo que vai realizar, em conjunto com a Câmara Municipal, a revisão do PDM de Santiago do Cacém.

Por Jornal Rostos
Trata-se de uma das equipas mais qualificadas do país nesta matéria, o que levou a autarquia a optar pelo IST para a elaboração deste documento estratégico para o desenvolvimento do concelho.
Segundo Vítor Proença, Presidente da Câmara Municipal, “ a Revisão do PDM é uma necessidade de primeira ordem já que globalmente o PDM em vigor esgotou o seu ciclo, o município necessita de um novo PDM capaz de induzir desenvolvimento equilibrado, projectando-o pelo menos para os próximos 15 anos”.
Para o professor Costa Lobo, amanhã começam oficialmente os trabalhos. “Para isso vou ouvir a população, os eleitos, os políticos, quero ouvir também os investidores. Tenho que trabalhar com todas as pessoas para perceber quais são as linhas mestras que interessam ao concelho”.
Para o responsável pela equipa do IST, existem no entanto dois objectivos muito fortes: “O primeiro é que nós temos que ter uma grande consideração pelas forças da lei da natureza, há valores como os montados, as lagoas, a água, as inundações que podem surgir. Temos que ter muito respeito pela natureza, esta será uma das grandes vertentes deste plano”, disse Costa Lobo, apontando ainda a solidariedade humana como outra vertente essencial na Revisão do Plano Director Municipal de Santiago do Cacém.
“Nós entendemos que toda a população tem que beneficiar com o PDM. Um plano de um concelho, não pode ser só para alguns. Tem que ser para todos”, afirmou ainda o professor Costa Lobo, consciente de que a decisão do Município de aprovar esta revisão vai beneficiar toda a população do concelho.
Mas o especialista defende que “não se pode, por exemplo, construir Pousadas em todos os montes” porque, defendeu, “o turismo não deve ser encarado isoladamente. A boa solução para um concelho é um turismo equilibrado envolvendo a cultura, o ensino, o comércio, a administração e as indústrias”.
O responsável está convicto de que, apesar do protocolo prever um período de dois anos para a elaboração da revisão, ele “estará pronto para ser discutido, antes disso, e até lá vão existir muitos momentos de discussão pública para irmos acertando as agulhas e irmos fazendo novas avaliações”.
Uma vez que o Município pretende uma participação alargada dos cidadãos neste processo, a Revisão do PDM irá ser amplamente discutida e participada através de acções de esclarecimento com a população.
No Sábado terminou um curso intensivo que durou duas semanas onde 44 técnicos e eleitos da autarquia foram preparados para vários temáticas. Foi o caso do ambiente. O orador foi o professor Amílcar Soares, para quem “o ambiente é uma ferramenta essencial e obrigatória “.
Segundo o especialista, “ a Revisão do PDM tem que ir ao encontro do pólo industrial que já existe no concelho, mas o desafio que se coloca agora é o desenvolvimento da região com esse pólo, preservando a qualidade de vida das pessoas e preservando aquilo que de mais bonito existe, que é a natureza”.
De acordo com o Professor Amílcar Soares “o município vai ficar dotado de um PDM à altura do desenvolvimento que se pretende para o futuro” e reforçou que “é para isso que esta equipa vai trabalhar com todos os actores locais, para que do PDM resulte um documento válido e útil para planear a vida do município entre os próximos 10 a 15 anos”.
Outro especialista que marcou presença na acção de formação dos eleitos e técnicos da Câmara Municipal de Santiago do Cacém envolvidos na Revisão do PDM, foi Carlos Bana e Costa, um dos mais categorizados especialistas internacionais do ramo das “Ciências da Decisão”, que explicou a importância do seu trabalho na Revisão do PDM.
“Vou intervir nas metodologias de multi-critério de ajuda à decisão. Pode parecer um nome muito complicado mas basicamente queremos saber, se as soluções geradas pela equipa do planeamento, vão ao encontro dos objectivos” disse Carlos Bana e Costa.
As Infra-estruturas são outra das vertentes essenciais na Revisão do PDM e outro dos maiores especialistas nesta matéria marcou igualmente presença nesta acção de formação. Trata-se do Engº José Patrão, que explicou o peso da rede de infra-estruturas num município.
“Qualquer concelho em termos de investimento, ao longo do período de vigência de um Plano Director Municipal, gasta muito dinheiro nas infra-estruturas, 90 por cento ou mais, porque são físicas. São as estradas, os esgotos, as águas e estas obras custam muito dinheiro”, defendeu José Patrão, que frisou, já ter uma “ideia mas antiga, das infra-estruturas de Santiago de Cacém”, porque esteve ligado ao município na altura em que se estava a infraestruturar fortemente o concelho (há cerca de 15 anos), e a corrigir certas carências fundamentais.
O especialista disse ainda que nessa altura ficou “com uma imagem boa do concelho”, mas referiu que agora tem muitas questões que quer colocar e aprender com os eleitos e com a população em geral.













