I Encontro Gravidez e Maternidade na Adolescência

Por Jornal Rostos
A presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, salientou, na abertura do I Encontro Gravidez e Maternidade na Adolescência, a urgência numa reflexão sobre “a legislação, as consultas de planeamento familiar e a capacidade de reforçar a informação ao cidadão”.
A autarca, que insistiu numa “maior e melhor informação” e no “acesso livre e gratuito ao planeamento familiar”, acentuou, nesta iniciativa organizada pelo Grupo de Trabalho – Gravidez e Maternidade na Adolescência, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Setúbal, o indispensável trabalho em parceria e em rede entre instituições devido aos novos desafios do mundo moderno.
Perante uma plateia de cerca de 250 médicos, enfermeiros, estudantes e técnicos de acção social de várias instituições, Maria das Dores Meira enalteceu a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Setúbal pela realização desta iniciativa, caracterizada pela “partilha de conhecimentos e inquietações”, bem como pelo “confronto com realidades”, com vista à melhoria do desempenho das instituições.
Jacinta Santos, da Maternidade Alfredo da Costa, salientou que às mudanças próprias destes dois estados – estar grávida e ser adolescente – acrescem alterações psicossociais, tornando-se num problema de saúde e social, em que se põe em risco o percurso escolar e em que há o assumir de uma nova função.
Jacinta Santos também abordou o papel da prevenção: “Há que reforçar tudo e aumentar tudo aquilo que poderá vir a ser desenvolvido. Às vezes há uma ruptura com a família e as instituições acabam por proporcionar o apoio de que estas jovens carecem. Falar aos pais sobre gravidez na adolescência não é tarefa fácil.”
Jorge Santos, da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, abordou a importância das parcerias que se criam para a resolução de problemas específicos, indicando que Setúbal tem tradição nesta área: “Este encontro é exemplo disso.”
O responsável destacou o papel dos avós e defendeu a necessidade de uma consciencialização de todos os cidadãos sobre a problemática da gravidez e maternidade na adolescência para que a Comissão possa dedicar-se mais à reflexão.
O estilo de vida dos jovens foi ainda focado por Jorge Santos, bem como por Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, que apontou a existência de novas fragilidades nos adolescentes.
“Esta problemática não é nova. Sempre existiu. O que é novo são os jovens e os adolescentes. Não têm as mesmas características de outrora, que amadureciam mais cedo”, sublinhou.
Eugénio Fonseca salientou que a palavra-chave é prevenir, o que passa pela informação e capacitação, quer em termos familiares, quer na escola.
“Metodologias de Intervenção – A mais-valia da multidisciplinaridade” e “Planeamento Familiar – O agir pela prevenção” foram os dois painéis da manhã.
No primeiro, a enfermeira chefe do Serviço de Puerpério do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), Benvinda Bento, apresentou alguns números sobre as grávidas adolescentes que passam por aquela sector, adiantando que, só este ano, houve o registo de 22 adolescentes com 18 anos, nove com 17, igual número com 16, quatro com 15, uma com 14 e outra com apenas 13.
De salientar que, quando chegaram ao CHS, unidade que há cerca de 15 anos trabalha com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Setúbal, 42 dessas gravidezes não estavam a ser vigiadas.
Benvinda Bento deu a conhecer algumas das valências do CHE, como a existência, desde 1994, de consultas de vigilância de grávidas, com várias formas de intervenção quer médicas quer de enfermagem.
A responsável indicou que os técnicos têm um papel fundamental no contributo para a aceitação da realidade biológica da gravidez e da maternidade, bem como na consciencialização de que uma criança vai nascer.
Já no puerpério, o apoio também é imprescindível, acrescentou Benvinda Bento. Ter atenção a sinais como a expressão de sentimentos, as carências maternais e a ausência de visitas é outra competência dos técnicos.
“Reacção / atitude da adolescente e família face à gravidez” e “Repercussões da gravidez / maternidade na adolescente e seus filhos” foram subtemas do painel “Gravidez / Maternidade na Adolescência”.
No encontro houve ainda tempo para discutir “Recursos na Comunidade – Uma rede de apoio”, último painel.













