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Bastidores

Em SetúbalDia Internacional das Pessoas com Deficiência

A Câmara Municipal de Setúbal assinalou, ontem, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência com a inauguração de equipamentos no edifício dos Paços do Concelho que o dotam de acessibilidade para todos.

As comemorações começaram, pelas 14h30, com a realização de um “percurso acessível”, que inclui uma rampa de acesso na entrada, uma plataforma elevatória que permite transpor o primeiro lanço de escadas do interior do edifício, um ascensor de ligação ao piso superior e a remodelação de duas casas de banho, uma por piso, adaptadas à realidade dos cidadãos portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida.

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Em Setúbal Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Por Jornal Rostos

“Várias vezes referimo-nos às barreiras arquitectónicas e menos vezes a outras barreiras, tão ou mais difíceis de eliminar, como a ignorância, o preconceito e a vergonha nas questões da deficiência”, referiu a presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, na inauguração dos equipamentos, oferecidos ao Município no âmbito do mecenato.

A autarca afirmou que a Câmara Municipal tem encarado a temática de forma integrada e tentado contribuir activamente para tornar Setúbal num concelho acessível. Referiu que, além de se assinalar a data, a iniciativa procurou dar maior visibilidade às questões da mobilidade, “numa cidade que se quer metrópole e vivida por todos”.

Esclareceu que muito continua por fazer nos vários edifícios, públicos ou não, que não possuem as condições necessárias à utilização por pessoas com mobilidade reduzida, pelo que, referiu, é necessário continuar a fiscalizar e aplicar as normas legais, numa perspectiva de melhoria contínua.

Seguiu-se, às 15h00, uma sessão no Salão Nobre com intervenções sobre as questões da acessibilidade, seguidas de debate, num painel constituído por representantes da Sociedade Setúbal Polis e da Comissão de Especialidade de Enfermagem de Reabilitação da Ordem dos Enfermeiros Portugueses.

A representante da Ordem dos Enfermeiros, Maria José Caninhas, apresentou as conclusões do peddy-papper “Mobilidade, Acessibilidade e Cidadania”, realizado a 7 de Novembro, em que foram constituídas três equipas de 50 elementos cada, que se deslocaram por diversas zonas da cidade.

Maria José Caninhas apontou como as dificuldades encontradas mais recorrentes os lancis muito altos, os passeios estreitos e a localização dos sinais de trânsito e do mobiliário urbano, referindo que “muitas vezes o cidadão com deficiência tem de se desviar para a estrada a fim de poder tornear um obstáculo de sinalização, papeleiras ou pilaretes”.

A irregularidade do piso, a falta de aderência e os buracos foram outras preocupações apontadas pela técnica de saúde, a par da ocupação dos passeios por viaturas, o incumprimento das áreas na construção de lugares de estacionamento, a altura dos telefones públicos e das caixas Multibanco e a disseminação de esplanadas pela cidade.

O representante da Setúbal Polis, Luís Palma Ferro, indicou que o plano de reconversão da zona ribeirinha de Setúbal também foi pensado para os cidadãos com problemas de mobilidade, com a eliminação de obstáculos, o alargamento das vias e o nivelamento das passadeiras com os passeios e o afastamento dos pilaretes de protecção, cujo rebatimento é possível por razões de circulação de veículos de emergência.

O técnico referiu-se ainda à imposição da redução da velocidade de circulação para 30 km/h nos locais de passagens para peões, retomando-se a velocidade máxima para 40 km/h após cada uma delas, e à estipulação de horários para a circulação de veículos pesados.

Algumas das intervenções camarárias realizadas foram relatadas pelo técnico municipal Nuno Viterbo, que enalteceu a utilidade do peddy-paper na identificação dos problemas existentes no Concelho.

Referiu-se às intervenções realizadas de deslocação de sinalética de trânsito junto da PSP e na Rua Tenente Valadim, que impediam a circulação de uma cadeira de rodas pelo passeio, enquanto na Rua de Bocage foram desviados um sinal de trânsito e uma papeleira que impediam a mobilidade.

Nuno Viterbo indicou que outros espaços municipais foram intervencionados. Junto do Edifício Sado foram marcados lugares de estacionamento e no interior do edifício as casas de banho encontram-se remodeladas.

O parque infantil e de lazer do Jardim da Algodeia, sublinhou, é um dos únicos três do País que está adaptado para pessoas com deficiência motora, além de que, acrescentou, o próprio jardim está equipado com diversas rampas.

Todos os intervenientes nesta iniciativa apelaram ao civismo dos condutores, já que um dos grandes factores que condicionam a mobilidade é o estacionamento abusivo em cima dos passeios.

Luís Palma Ferro chegou mesmo a exemplificar esta situação através de fotografias, revelando casos em que automobilistas estacionaram em cima do passeio, apesar de terem lugares vagos na mesma rua.

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