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Bastidores

“Viver em Comunidade” em Setúbal“Alguns espaços nos bairros, como os pátios, eram, anos atrás, verdadeiras lixeiras"

A necessidade de promover princípios de cidadania e vizinhança, envolvendo mais a população na manutenção e conservação de espaços comuns, foi realçada, ontem à noite, num encontro entre a Câmara Municipal e moradores da Bela Vista.

“Os problemas sociais são cada vez maiores e a Câmara, naturalmente, não os consegue resolver todos sozinha. É importante que as pessoas também dêem as mãos e contribuam em conjunto para que tudo possa melhorar”, sublinhou, no final da reunião “Viver em Comunidade”, no Centro Social Nossa Senhora da Paz, na Bela Vista, o vereador do pelouro da Habitação, Eusébio Candeias

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“Viver em Comunidade” em Setúbal “Alguns espaços nos bairros, como os pátios, eram, anos atrás, verdadeiras lixeiras"

Por Jornal Rostos

A reunião que lotou a sala disponibilizada pela Cáritas Diocesana de Setúbal, foi dirigida aos munícipes dos bairros da Alameda das Palmeiras e do Forte da Bela Vista.

No encontro também participaram a presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, e o vereador das Obras Municipais, Rui Higino.
Maria das Dores Meira apresentou um conjunto de diapositivos que destacavam pontos negativos e positivos no civismo dos moradores daqueles bairros sociais.
“Alguns espaços nos bairros, como os pátios, eram, anos atrás, verdadeiras lixeiras. Hoje, apesar de algo degradados, estão com muito melhor aspecto. Isto porque, em conjunto com a Câmara Municipal, muito moradores mudaram de atitude”, apontou a autarca.
“Não pode ser só o Município a contratar empresas para limpar o lixo, as pessoas também têm de ajudar e isso já se vai verificando”, rematou, acrescentando que “também se notam menos actos de vandalismo”, apesar de situações desta natureza ainda se constatarem, em particular em espaços momentaneamente desocupados.

Maria das Dores Meira adiantou que, “com a organização e ajuda da Autarquia, estão a criar-se comissões de moradores por prédios, o que faz com que já se vejam resultados positivos na preservação de espaços comuns dos edifícios”, de resto, um dos problemas mais frequentes naqueles bairros.
A autarca, após a apresentação dos diapositivos, ouviu também as carências dos moradores. “Em vez de estarmos à espera de um investimento de milhões, que é necessário aqui, vimos até vocês para ouvir as vossas necessidades e vermos quais são as situações que podem ser resolvidas mais rapidamente”.

Ratos, canalizações, tráfego e consumo de estupefacientes, limpeza e pintura de prédios e os arranjos de acessos, de exteriores e de espaços comuns dos edifícios foram algumas das questões levantadas por moradores.
Maria das Dores Meira, referindo-se ao orçamento municipal, adiantou que “agora que a casa está mais arrumada” foi possível destinar 500 mil euros “para intervenções e obras em habitações, em particular os casos mais graves e urgentes, como canalizações e instalações eléctricas”.

Num prazo mais imediato, a Câmara Municipal vai fornecer tintas para que os próprios moradores possam pintar espaços comuns dos edifícios.
A presidente da Autarquia informou igualmente os munícipes que os bairros da Bela Vista precisam de intervenções de fundo, orçadas em milhões de euros, ao nível da reabilitação do parque habitacional.

Nesse sentido, Maria das Dores Meira recordou que “a Câmara Municipal tem preparada uma candidatura ao programa Prohabita, só que o projecto foi criado pelo Governo há dois anos e ainda não foi regulamentado”.
A edil acrescentou que “o programa determina que só viabiliza fundos para habitações do Governo ou da Câmara”, considerando esta orientação “uma aberração, pois muitas pessoas lutaram a muito custo para comprar as suas casas e depois vêem as habitações à volta a serem melhoradas e as delas não”.

O vereador Eusébio Candeias recordou, contudo, que o esforço em melhorar as condições de vida na Bela Vista passa por todos. “A Câmara Municipal não consegue fazer tudo se as pessoas não cumprirem as suas obrigações”, acrescentando que, actualmente, as dívidas dos inquilinos à Autarquia ascendem a um milhão e 400 mil euros.

Durante a reunião foi distribuído o “Manual do Morador”, publicação da Autarquia que divulga os direitos e deveres dos munícipes.
No dia 2 de Março, às 21h00, também no Centro Social Nossa Senhora da Paz, da Cáritas, realiza-se nova reunião no âmbito do projecto “Viver em Comunidade”, desta feita dirigida aos moradores do Bairro da Bela Vista (“Amarelo”).

Nos três bairros da Bela Vista, 23 por cento dos moradores são proprietários da casa onde vivem e os restantes são inquilinos da Câmara Municipal.

No total existem 1256 fogos, que abrangem 4422 pessoas, agrupadas, na maioria, em agregados familiares de três a quatro indivíduos.
Com uma média de idades de 34 anos, o índice de analfabetismo atinge 10 por cento da população, enquanto apenas 5,5 por cento dos moradores concluíram o ensino secundário.
A taxa de desemprego nos três bairros – Bela Vista, Alameda das Palmeiras e Forte da Bela da Vista – é de 28,7 por cento, quatro vezes superior à média nacional.

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