Comemorações «Dia Mundial da Água» no BarreiroFilme “H2O Água à venda” chamou a tenção para o perigo da privatização da água

Por Jornal Rostos
Retratando quatro realidades concretas de igual número de cidades europeias (Kiel, Hamburgo, Berlim e Londres) o filme apresentado “é sintomático daquilo que se passa no mundo”. Com estas palavras introdutórias José Palma abriu o debate. Partindo da privatização da água pública em Kiel, Berlim e Londres a realidade que o filme revela não é animadora. Diminuição de postos de trabalho e exponencial subida do preço da água foram consequências imediatas da privatização. De acordo com os vários testemunhos do filme, quando o sector privado tem quem gerir os riscos e os custos da exploração e distribuição deste bem, os problemas de qualidade são muitas vezes descurados: «Temos mesmo que colocar toda essa quantidade de cloro na água?», «Quantas pessoas podemos despedir sem que isso prejudique o fornecimento de água às populações?», «Se diminuirmos a pressão no fornecimento da água diminuímos também o risco de perdas» etc, etc, etc.
No caso inglês, as rupturas nas condutas devido à sua má conservação são responsáveis pela perda de 30 a 60 por cento da água para consumo humano. E aqui, mais uma vez de acordo com os testemunhos recolhidos no filme, as empresas deixam de se preocupar com a água em si mesma, enquanto bem essencial à vida, e importam-se somente com os custos necessários à recuperação dessa mesma água.
No caso de Hamburgo a cidade assistiu, em 2004, a um levantamento popular que deu origem a um referendo onde venceu por larga maioria a não privatização da água pública.
«Cuidado com os lobos em pele de cordeiros»
Defendendo que a mercantilização da água não tem, nem pode ter preocupações sociais, uma vez que visa o lucro, José Palma alertou para o facto de, com a privatização, não ser possível garantir que os mais pobres continuem a ter acesso a um bem que é de todos. “Devemos ter em conta que, falsos argumentos estão na base da tão ‘apetecida’ privatização. Está hoje provado que os recursos hídricos que continuaram na posse das autarquias são os mais bem geridos. Nas privatizações que conhecemos os investimentos ficam a cargo da autarquia enquanto que os lucros vão para os privados. Sabemos que as pressões junto das autarquias são muitas, mas não deveriam ser suficientes para as fazer ceder”.
«A água não se nega a ninguém»
Sofia Martins, vereadora da CMB, partilha desta opinião. “De facto, afirmou, a distribuição da água é muito dispendiosa, se tivermos em conta a sua qualidade. Tão dispendiosa que, nas opções em que está privatizada, o seu custo torna-se tão elevado que pode ser incomportável para grande parte dos consumidores”. Segundo a mesma, esta informação deve ser passada para a opinião pública para que esta possa estar informada e, se for necessário, possa tomar decisões conscientes.
“No Barreiro temos 70 anos de investimento na rede, anos onde sucessivamente fomos desapoiados pelo Estado e também por isso temos falhas”, disse a Vereadora, no entanto “estas falhas não podem justificar as ofensivas da privatização”. Assim, e na opinião de Sofia Martins, “temos que trabalhar, trabalhar muito, com dedicação e esforço, com poucos meios financeiros ou mesmo sem eles, para conseguirmos chegar a uma gestão equilibrada em que os proveitos (e não os lucros) cheguem para cobrir os custos. O único lucro que queremos é o da qualidade da água que chega às pessoas.”
Foto CMB













