BarreiroReuniões públicas discutem Estudo Prévio do Plano de Urbanização da Quimiparque
Inserido no âmbito de uma ampla discussão pública com a população, iniciada a 3 de Abril, o Estudo Prévio do Plano de Urbanização da Quimiparque e Zona Envolvente tem sido também divulgado, parcelarmente, aos diferentes sectores da sociedade. À reunião com os Observatórios e Conselhos Municipais seguiram-se os encontros com os trabalhadores do município, bem como uma reunião com alguns empresários da Quimiparque.
Amanhã, 14 de Abril, será a vez dos restantes empresários ficarem a conhecer as propostas para o território onde se encontram instalados.

Por Jornal Rostos
Tendo em conta a importância das propostas apresentadas para cerca de 500 hectares de território inserido no Concelho do Barreiro, até agora fechado à população, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, tem vindo a afirmar publicamente que “antes de finalizarmos este Plano de Urbanização achámos importante criar um espaço, de cerca de um mês, para ouvirmos o maior numero de opiniões possível”. Trata-se, disse o autarca, de um "projecto que marcará o Barreiro nos próximos 100 anos" e como tal, “consideramos que este território terá que possuir no século XXI o mesmo papel que já teve no século XX. Um papel de desenvolvimento económico, de actividade produtiva, de emprego e de modernidade, nomeadamente tecnológica.”
“As soluções apontadas neste Estudo também procuram colmatar algumas insuficiências de equipamentos"
As principais ideias que presidem à elaboração do Estudo Prévio assentam em: aproveitar a excepcional frente rio existente (3km); ajudar a fechar a malha urbana da cidade mas, em simultâneo, permitir a abertura do território ao Concelho possibilitando, igualmente, alargar e consolidar o tradicional centro do Barreiro. A estes aspectos somam-se as vertentes ambientais e paisagísticas e de zonas verdes tão necessárias. “As soluções apontadas neste Estudo também procuram colmatar algumas insuficiências de equipamentos que temos no Concelho”, afirmou Carlos Humberto.
“Fomos juntando as entidades e construímos com elas a solução"
A forma como tem sido desenvolvido este trabalho foi explicitada pelo autarca que referiu terem optado por trabalhar em parceria. “Fomos juntando as entidades e construímos com elas a solução. Primeiro CMB, Quimiparque e equipas técnicas – AM&A e Gabinete Risco - depois Parque EXPO, seguiram-se APL, RAVE e Estradas de Portugal, somou-se CCDR Lisboa e Vale do Tejo e MST e por fim CP, REFER e Transtejo.” De acordo com o presidente da Câmara esta metodologia permite que, na fase final, se poupe muito tempo uma vez que “estas entidades que connosco têm trabalhado estão no essencial de acordo com as soluções apontadas.”
Estudo Prévio do Plano de Urbanização da Quimiparque e Zona Envolvente
Passando à apresentação das propostas, Nuno Salgado da equipa técnica (Gabinete Risco) ou José Barbosa (responsável pelo Departamento de Planeamento e Gestão Urbana da CMB) têm contextualizado o Plano referindo que o mesmo se articula com todos os territórios vizinhos da Quimiparque e, em particular, com o casco antigo da cidade do Barreiro. Definindo três novas centralidades – náutica de recreio; novo terminal fluvial de passageiros e um interface do sul – o Plano assenta, também, em corredores urbanos e em corredores verdes que fazem a ligação de todo o sistema proposto. Sobre este território surgem duas grandes infra-estruturas, a Terceira Travessia do Tejo (TTT) e a instalação do Metro Sul do Tejo (MST), vindo do Seixal e com uma estação no Lavradio.
A título de exemplo foi referido que com a construção da TTT o Barreiro passa a ficar a uma distância de 10 km, ao invés dos actuais 40 km havendo assim uma alteração muito significativa ao nível da mobilidade das populações. Com a linha de alta velocidade, o novo aeroporto e as grandes vias existentes e a construir fazem com que se fechem vários anéis, principalmente o ferroviário. A par destas alterações o Estudo Prévio propõe, também, zonas de logística e de indústrias de médio porte, actividades mistas, habitação, comércio e serviços.
Tratamento dos solos contaminados
De forma a solucionar o problema existente com os solos contaminados da Quimiparque, Nuno Salgado explicou que “desenvolvemos uma solução de um parque onde se pudessem colocar, num aterro sanitário selado, parte, ou a totalidade, dos solos contaminados que têm que ser retirados do território da Quimiparque.
"Desde o início que a nossa preocupação (e a da Câmara) é que este fosse um Plano de recuperação de postos de trabalho”
Construído artificialmente, este parque funciona como uma barreira visual relativamente à zona do pólo logístico”. Um parque urbano, elemento fundamental que faz a ligação entre o casco antigo da cidade e a nova zona a desenvolver, e uma grande caldeira artificial que permite desenvolver actividades náuticas e de recreio complementam a proposta. Por fim, foi referido que se preservam os edifícios de valor patrimonial sendo apontadas propostas da sua relocalização e isto porque, “desde o início que a nossa preocupação (e a da Câmara) é que este fosse um Plano de recuperação de postos de trabalho”.
Quimiparque e a TTT
Após a apresentação do Estudo Prévio, seguem-se as perguntas. No caso dos empresários uma das questões colocadas prendia-se com a eventualidade de não ser construída a Terceira Travessia do Tejo (TTT). “Se isso acontecer, fica condicionada a implementação do Plano de Urbanização da Quimiparque?”, questionaram. Nuno Salgado explicou que o plano apresentado parte do pressuposto que será construída a TTT. Porém, “não havendo ponte, não deixa de haver plano porque a recuperação do território da Quimiparque é um objectivo local, regional e até nacional. Se não houver ponte, faremos outro plano mais adequado porque não deixa de haver a intenção de recuperar o Barreiro”, referiu o responsável da Risco. Esta ideia foi também defendida pelo Presidente da CMB. Carlos Humberto de Carvalho considera que a TTT é importante para a criação de uma Área Metropolitana de Lisboa mais forte e a constituição da “cidade das duas margens”. Mas, “a ponte não resolve, por si só, os problemas fundamentais. O que pode criar emprego e trazer desenvolvimento económico é a requalificação do território da Quimiparque, onde terá de se construir algo parecido com o que foi apresentado mesmo que a ponte não seja construída”, referiu o autarca.
“A cada dia que passa, é mais difícil recuar em relação à construção da TTT”
No entanto, Carlos Humberto acredita que “a cada dia que passa, é mais difícil recuar em relação à construção da TTT”, até porque já foi lançado o concurso público. O horizonte temporal para a implementação do Plano de Urbanização foi outra das questões colocadas. Carlos Humberto e Nuno Salgado referiram que a requalificação do território deverá demorar cerca de 15 a 20 anos, salientando que estes processos são complicados e morosos.













