No Dia Internacional dos Museus em SetúbalDefendeu-se a acessibilidade plena nos edifícios públicos
O arquitecto Pedro Homem de Gouveia, que falou sobre o tema “Acessibilidade em Museus: do Direito à Recompensa”, salientou que a falta de acesso a equipamentos públicos e culturais resulta numa forma de discriminação social.

Por Jornal Rostos
A falta de acesso a equipamentos públicos e culturais, indicou o arquitecto Pedro Homem de Gouveia, penaliza não só os portadores de multi-deficiência, mas também as camadas seniores da população, assim como todos os que não “assentam” na ideia generalizada de um modelo perfeito de pessoa, com medidas físicas e capacidades de mobilidade, visão, audição e cognição semelhantes.
Para este especialista em acessibilidades em edifícios públicos, as questões da mobilidade devem ser pensadas fora do “conforto de um gabinete onde se concebem projectos de arquitectura” e a capacidade do meio edificado “deve assegurar a todos uma igual oportunidade de uso” para pessoas com diferentes características físicas e capacidades psicomotoras, como forma de inclusão social.
As comemorações, no Museu do Trabalho Michel Giacometti, incluíram um espectáculo de dança apresentado pela APPACDM de Setúbal no âmbito do projecto “Rodança” – promovido por professores e educadores da instituição e dirigido a utentes com multi-deficiência que se deslocam em cadeiras de rodas – numa representação alusiva ao mar e à indústria conserveira, aos pescadores e às varinas.
No âmbito do projecto “Centro de Memórias”, uma iniciativa camarária que visa preservar a memória oral das gentes de Setúbal, através da captação de relatos de vida e dos ofícios tradicionais, foi realizada uma cerimónia de aceitação, no quadro do mecenato, de equipamentos informáticos, que permitem, igualmente, preservar melhor o espólio de fotografias e filmes do Museu do Trabalho.
A presidente da Autarquia, Maria das Dores Meira, no acto de entrega, louvou o facto de a empresa doadora, Engel & Völkers, se preocupar com a actividade do Concelho, indicando que é também “no âmbito do mecenato que se faz a construção social”.
A autarca assinalou que “a responsabilidade social das empresas é muito boa em Setúbal” e que este é um elemento importante que tem vindo a crescer grandemente nos últimos anos, o que facilita a realização de muitas iniciativas em prol das populações.
Ao final da tarde foi inaugurada a exposição fotográfica “Reflex Os”, constituída por trabalhos dos alunos da disciplina de Fotografia, do curso de Imagem e Comunicação Audiovisual da Escola Artística António Arroio, sob a orientação do professor e artista plástico Pedro Besugo.
As celebrações no Museu do Trabalho Michel Giacometti foram encerradas com um concerto musical pelo grupo setubalense “Delfos”. A directora do museu, Isabel Victor, enalteceu a participação de “uma grande diversidade de pessoas de todas as condições e culturas, composta por pessoas de todo o mundo”.
Outros espaços municipais acolheram as celebrações do Dia Internacional dos Museus. O quartel dos Bombeiros Sapadores recebeu um debate sobre o futuro Núcleo Museológico da instituição e apresentou um relatório de estágio curricular no âmbito do projecto “De Portas Abertas à Comunidade da CBSS”.
A conferência “Inclusão pela Arte. Museus e Públicos com deficiência visual”, dirigida por Patrícia Roque Martins, na Galeria de Pintura Quinhentista do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, foi outro dos eventos comemorativos organizados pelo Município.
Foto CMS













