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Bastidores

Presidente da Câmara Municipal da Moita, João LoboGaranto-vos que trabalharemos como uma equipa que pese embora as diferenças politicas

Intervenção do Presidente da Câmara Municipal da Moita, João Lobo, na Instalação dos Órgãos Municipais.

10 min de leitura

Por Jornal Rostos

Senhor Presidente da Assembleia Municipal,
Senhoras e senhores eleitos nos órgãos municipais e de freguesia,
Senhoras e senhores jornalistas,
Caros convidados,
Minhas senhoras e meus senhores,

No seguimento das eleições autárquicas realizadas no passado dia 11 de Outubro encontramo-nos aqui reunidos na cerimónia de instalação dos órgãos municipais do Município da Moita consequentes dos resultados eleitorais alcançados, e só possível no plano do Poder Local Democrático, uma das maiores conquistas que a Revolução de Abril nos proporcionou.

Saúdo todos os cidadãos do concelho, que exercendo o seu direito de voto participaram nestas eleições e elegeram democraticamente os novos órgãos autárquicos, bem como todos os jovens, mulheres e homens dos vários quadrantes políticos que participaram activamente na campanha eleitoral defendendo as suas propostas e ideais, respeitando a diferença de opinião e honrando a história democrática do nosso concelho.

Uma saudação especial àqueles que integram o nosso projecto politico, aos que abnegada e publicamente manifestaram o seu apoio a este projecto, e aos que são hoje empossados para um novo mandato nos órgãos autárquicos, fazendo votos para que assumamos com responsabilidade democrática o mandato que nos foi confiado.

Nas eleições do passado dia 11, os eleitores do concelho da Moita reafirmaram a sua confiança no projecto autárquico da CDU com uma vitória inequívoca na Câmara e Assembleia Municipais e a presidência de cinco das seis juntas de freguesia do Município.

Os resultados destas eleições, que traduzem a vontade da nossa gente, são a expressão legitima da democracia, merecedores de todo o nosso respeito, dedicação e empenho no decurso do mandato que hoje iniciamos.

Estes resultados eleitorais testemunham uma intervenção norteada pela defesa do interesse público e da melhoria da qualidade de vida das populações e dos trabalhadores, bem como a capacidade de trabalho e de entrega dos nossos eleitos na resolução dos problemas das populações.

Um trabalho orientado para o estímulo permanente à participação dos trabalhadores, das populações e suas organizações e que tem permitido, em muitas áreas, superar as dificuldades e os condicionalismos resultantes da redução do investimento público nacional e o conjunto de constrangimentos impostos pela política levada a cabo pelos sucessivos governos contra o Poder Local.

Garanto-vos que trabalharemos como uma equipa que pese embora as diferenças politicas, ponha em primeiro lugar o interesse de todos os cidadãos independentemente das suas opções.

O nosso projecto, o projecto da CDU, constitui uma valiosa experiência política que ultrapassa em muito os limites da sua expressão eleitoral, afirmando-se como um espaço de acção política reconhecida pela capacidade de realização concreta revelada ao longo dos anos de trabalho autárquico.

O nosso projecto tem contribuído de forma decisiva e enérgica para o significativo progresso do Município da Moita assente numa estratégia de desenvolvimento local que tem permitido contrariar e atenuar as nefastas consequências económicas e sociais das políticas nacionais, nomeadamente no desmantelamento dos sectores produtivos que fizeram a história desta região, na ausência de investimento público e nos constrangimentos orçamentais impostos aos Municípios.

Contrariando as maiores adversidades, temos, na Câmara Municipal da Moita , de forma equilibrada e consequente, realizado importantes investimentos que defendem um ambiente urbano de qualidade, com intervenções ao nível do ordenamento do território, do saneamento básico, na defesa do seu património natural e ambiental, uma área que ficará marcada, no mandato que hoje iniciamos, pela conclusão da ETAR Moita/Barreiro.
Integrado num projecto global de natureza ambiental e de qualificação do nosso rio, o Tejo, de melhoria da qualidade de vida de todos nós, pelo qual temos vindo a lutar há dezenas de anos.

Continuaremos a pugnar pela defesa do Tejo, pela sua preservação e valorização bem como de toda a nossa Zona Ribeirinha, de que é exemplo mais recente disso a Operação de Valorização Integrada da Zona Ribeirinha entre a caldeira da Moita e a praia do Rosário.

Mas também continuaremos a reivindicar a participação activa e em pleno do nosso município nos grandes investimentos, como a Terceira Travessia do Tejo, a Plataforma Logística do Poceirão, o Novo Aeroporto de Lisboa e o TGV, de forma a que as nossas gentes e o tecido empresarial do nosso concelho tenham benefícios sociais e económicos.

Teremos uma posição perante o projecto denominado Arco Ribeirinho Sul , não nos contentamos em ser meros observadores de um quaisquer conselho consultivo. Queremos mais, merecemos mais, este Município tem que ser ressarcido pelos contributos dados ao desenvolvimento de tudo o que aconteceu e por aquilo venha a acontecer nos territórios da Quimiparque.

Minhas senhoras e meus senhores,

A realidade socioeconómica dos Municípios é hoje bem diferente da que conhecemos aquando da instituição do Poder Local Democrático.

Aos Municípios são atribuídas cada vez mais responsabilidades e competências, outrora do domínio da Administração Central, não sendo essa descentralização acompanhada dos meios financeiros, técnicos e humanos, necessários à sua correcta execução.

Não é possível encapotar a ofensiva do Governo dirigida às autarquias, visando as suas condições de funcionamento e contrariando a política de descentralização prometida, invertendo o papel do Poder Local Democrático e procurando transformá-lo em meras extensões da administração central na prestação de serviços públicos que a esta competem, ao debilitar a capacidade financeira dos municípios e das freguesias, comprometendo assim o desenvolvimento económico local e aprofundando as desigualdades e as assimetrias regionais.

Sim, continuaremos a responsabilizar o Governo, independentemente da força política no poder, pela ausência de investimentos no nosso concelho, pelo esquecimento sistemático, a que assistimos, na resposta às carências próprias de um Município, que vivendo as dinâmicas de crescimento e também os problemas da Área Metropolitana de Lisboa e da Península de Setúbal, tem desenvolvido um enorme e continuado esforço não apenas no sentido de aprofundar a sua integração no processo evolutivo destas duas realidades territoriais, bem como para alcançar condições mínimas de progresso efectivo, de que dependem tanto a qualidade de vida dos seus munícipes como o desenvolvimento integrado de todo o espaço metropolitano.

Continuaremos a reclamar para que seja contemplado no PIDDAC – Plano de Investimentos da Administração Central, entre outras propostas:

 Mais e melhor segurança no Concelho, com o reforço de policiamento de proximidade, com a concretização de instalações condignas, nomeadamente o novo Quartel para a GNR na Freguesia da Moita e um Posto da PSP no Vale da Amoreira, em terreno disponibilizado, há muito, pelo Município;

 No que concerne à saúde, não desistimos de reivindicar a substituição da Unidade de Saúde Familiar da Baixa da Banheira e a requalificação e reapetrechamento do posto de Saúde de Alhos Vedros.

 E no apoio á construção de instalações e outras infraestruturas para o Movimento associativo.

Temos confiança de que as propostas que a Câmara Municipal da Moita tem apresentado, e continuará a apresentar, sendo da maior importância para o progresso local e regional, e para a melhoria da qualidade de vida das populações, acabarão por ser atendidas e contempladas em Orçamento de Estado tal como aconteceu, ao fim de mais de uma dezena de anos com a Escola Secundária da Moita e a Electrificação da Linha do Sado.

Temos confiança de que o novo enquadramento político na Assembleia da República será determinante para que as nossas propostas sejam atendidas.

Mas há uma coisa que certamente todos esperam de nós: a constante melhoria dos serviços prestados pela Câmara. Das respostas atempadas aos munícipes. Continuar a melhorar a limpeza e higiene urbana, o tapar os buracos, tratar cada vez melhor dos jardins e espaços verdes. Enfim conservar o nosso espaço de vivencia.

Pela nossa parte, defenderemos para o país e para o concelho da Moita a afirmação do tecido produtivo, a criação de emprego, as medidas necessárias para a superação da crise do sector leiteiro e da agricultura, entre outras.
Cremos que este é o caminho para a construção de um concelho e de um país de progresso e afirmação da democracia.

Neste sentido, considerando insustentável a situação criada em torno do Plano Director Municipal da Moita, documento estratégico para o desenvolvimento do nosso Município, em processo de revisão há mais de 12 anos, alvo de inúmeros atrasos e obstruções processuais, apelamos nesta sessão para que todas as instituições se empenhem na sua aprovação final.

É nossa convicção que esta é a vontade do concelho da Moita, tal como em 2005, agora sufragada, e que a aprovação do PDM constitui um passo determinante para a prossecução de projectos e obras há muito ansiados pela população e forças vivas do Município.

Minhas senhoras e meus senhores,

Permitam-me uma palavra a todos os trabalhadores e em especial aos nossos, os trabalhadores da Câmara Municipal da Moita, ao lado dos quais continuaremos a lutar pela defesa dos direitos conquistados com o 25 de Abril.

E, aos trabalhadores que tendo integrado as listas candidatas de outros partidos, e aos quais tem sido transmitida a ideia de que ao assumirem posições politicas diferentes da maioria que lidera a autarquia estão a correr riscos, reafirmamos o nosso respeito pela liberdade democrática, prezando a diferença de opinião e o direito que todos temos de podermos livremente assumir as nossas posições políticas e sociais.

Desengane-se quem, lamentavelmente, compara a liberdade existente no Município com uma forma de exercício de poder que não tenha o povo, os seus anseios e aspirações como eixo principal.

Ao fazerem tal comparação ofendem penosamente os milhares de mulheres e homens que por todo o país, e particularmente no concelho da Moita, lutaram durante mais de quatro décadas e continuam a lutar por um país livre, pelos direitos dos trabalhadores e do povo, pela igualdade e por uma sociedade mais justa.

Este nosso projecto politico e os seus eleitos nos diversos órgãos autárquicos, desde a instituição do Poder Local Democrático são gente de trabalho, de confiança, com provas dadas na vida local nas mais diversas áreas. Por muito que procurem inverter esta realidade, a população é conhecedora da história desta terra, das lutas travadas, das conquistas alcançadas, e reconhece quem esteve e estará sempre ao seu lado.

Uma palavra de agradecimento à Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Moita pela cedência das suas instalações para a realização desta cerimónia.
Uma obra conseguida com muita persistência e luta dos órgãos dirigentes desta “casa”, que contaram sempre com o apoio da Câmara Municipal para que este projecto ganhasse forma e pudesse servir condignamente as mulheres e homens voluntários que se dedicam a uma causa de nobre e reconhecido mérito.

Minhas senhoras e meus senhores,

Perante todos os constrangimentos que nos têm sido impostos e por aqueles que advierem, podemos assegurar aos nossos munícipes que prosseguiremos um trabalho ao longo dos próximos quatro anos como o temos feito até aqui: com dedicação, honestidade e competência, na defesa e afirmação do Poder Local Democrático enquanto espaço de resolução dos problemas locais, de elevação das condições de vida das populações e de progresso e desenvolvimento.

Seguiremos a nossa intervenção política e social, nas pequenas e grandes lutas: na defesa dos direitos dos trabalhadores e das populações, do serviço público, das pequenas e médias empresas, pela garantia dos valores e direitos de Abril, enfim, por um Concelho Melhor para Viver e Trabalhar!

Viva o Município da Moita!

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