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Bastidores

Assembleia Distrital de SetúbalCentenário da Proclamação do Dia Internacional da Mulher

A Assembleia Distrital de Setúbal reunida em 1 de Março de 2010, aprovou, por unanimidade, uma Saudação às mulheres Portuguesas na passagem do Centenário da Proclamação do Centenário do Dia Internacional da Mulher.

"As mulheres portuguesas têm marcado pontos nas suas lutas, mas no mundo do trabalho são o elo mais fraco: é muito baixa a percentagem de mulheres em cargos executivos, são pior pagas do que os homens e são as primeiras a serem despedidas. Todavia, não esmorecem no seu combate por uma sociedade mais justa, mais humana, mais igual." - sublinha o texto da saudação.

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Assembleia Distrital de Setúbal Centenário da Proclamação do Dia Internacional da Mulher

Por Jornal Rostos

Divulgamos o texto integral da Saudação:

SAUDAÇÃO

Centenário da Proclamação do Dia Internacional da Mulher

Neste Centenário da Proclamação do Dia Internacional da Mulher, a Assembleia Distrital de Setúbal saúda a persistente e árdua luta das nossas companheiras, que muito têm sofrido ao longo do seu combate pela emancipação e a igualdade social. Admiramo-nos e solidarizamo-nos com o combate das mulheres do distrito e de todo o país pelo tratamento igual e melhores condições de vida e de trabalho.

Esta luta tem séculos, mas há um facto que deve ser assinalado pela sua relevância: a greve geral que as operárias norte-americanas realizaram no dia 1 de Maio de 1886, num dos maiores centros industriais de Chicago. As trabalhadoras exigiam uma jornada de 8 horas e melhores condições laborais. Passado três dias, num comício realizado naquela cidade, explodiu uma bomba que matou um polícia. Foram detidas centenas de pessoas e seis delas foram condenadas à morte e outra a 15 anos de prisão. Um jornalista de Nova Iorque escreveu: “Uma República livre executou cinco pessoas pelas suas convicções”.

O papel das mulheres na luta geral pela emancipação e igualdade tinha que ser assinalado mundialmente. Assim, na II Conferência Internacional de Mulheres (Copenhaga, 1910), Clara Zetkin, do Partido Social-democrata Independente da Alemanha, propôs a comemoração de um Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Oito de Marco, foi o dia que viria a ser escolhido. Na proposta de Zetkin lia-se: “Em acordo com as organizações políticas e sindicais do proletariado nos seus respectivos países, as mulheres socialistas de todos os países organizarão todos os anos um dia das mulheres (…). Este dia das mulheres deve ter carácter internacional e ser cuidadosamente preparado”.

Como grandes momentos do combate das mulheres contra a discriminação de que ainda hoje são alvo, recorde-se a Revolução Francesa, a Comuna de Paris e a Grande Revolução de Outubro. Em Portugal, durante o esmagador período do fascismo, muitas mulheres pagaram com grandes sofrimentos ou até com a vida o seu amor à liberdade e igualdade. Saiba-se e preste-se homenagem a Sofia Ferreira, Georgette Ferreira, Maria Alda Nogueira, Maria Machado, Sara Beirão, Angélica Porto, Elina Guimarães, Virgínia Moura, Maria Lamas, Isabel Aboim Inglês ou Maria Luísa da Costa Dias. Nas masmorras de Salazar perderam o fio da vida Luísa Paula, Albina Fernandes e Maria Helena Magro. A saudosa Catarina Eufémia foi assassinada durante uma luta das trabalhadoras rurais, em terras alentejanas. Foi a 19 de Maio de 1954. Catarina tinha 19 anos, estava grávida e deixou três filhos. Foi cantada por José Afonso e “O Alentejo a viu nascer” ainda hoje é murmurado com tristeza e admiração por milhares de lábios.

As mulheres portuguesas têm marcado pontos nas suas lutas, mas no mundo do trabalho são o elo mais fraco: é muito baixa a percentagem de mulheres em cargos executivos, são pior pagas do que os homens e são as primeiras a serem despedidas. Todavia, não esmorecem no seu combate por uma sociedade mais justa, mais humana, mais igual. São elas, muitas vezes, que incitam os seus companheiros à luta pelos direitos no trabalho e sociais, são elas que os acalentam nos momentos mais difíceis, são elas que gerem o lar, que cuidam dos filhos, que trabalham horas sem fim, depois da jornada laboral. Na guerra – lembre-se o papel fundamental das mulheres para a vitória na II Grande Guerra, em todas as frentes e em todas especialidades bélicas, desde comandantes de grupos guerrilheiros a comandantes de esquadrilhas aéreas de ataque nocturno.

No nosso país há hoje milhares de mulheres em luta: na esfera dos têxteis, do calçado, serviços, saúde, ensino, só para enumerar algumas. Sabemos que o capitalismo tem uma longa escola, protegeu-se contra a justa luta dos trabalhadores e trabalhadoras com barreiras legistas e castelos financeiros. Sabemos que as lutas ganham-se e perdem-se. Mas também sabemos que, qualquer seja o resultado, as mulheres sairão delas marcadas pela dignidade com que as travaram.

Viva o Centenário da Proclamação do Dia Internacional da Mulher!
Vivam as mulheres trabalhadoras portuguesas!
Vivam as mulheres de todo o mundo, que lutam pela igualdade, contra a discriminação, por uma vida melhor e mais justa.

A Assembleia Distrital de Setúbal
01 de Março de 2010

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