Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores MeiraExige que Ministério «anule de imediato» decisão de encerramento da Urgência de Pediatria de Setúbal
A reacção da Autarquia resulta da circular normativa divulgada hoje pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) que determina o encerramento, entre a meia-noite e as 09h00, de 15 de Junho a 15 de Setembro, da urgência de pediatria dos hospitais de São Bernardo e Barreiro-Montijo, centrando os serviços no Garcia de Orta, em Almada.

Por Jornal Rostos
“Estamos a falar de 13 concelhos afectados”, frisou Maria das Dores Meira, acrescentando que, “só por total insensibilidade e desconhecimento do que é a realidade de Setúbal e das áreas servidas pelo Hospital de São Bernardo, se pode afirmar que o Garcia de Orta se encontra a 40 quilómetros de concelhos como Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém ou Sines”.
A ARS-LVT, na comunicação divulgada hoje, refere que o transporte em caso de urgência para Almada pode ser feito por auto-estrada em 30 minutos. “Acho que pode haver pessoas em risco. De Sines a Almada não são ‘apenas’ 40 quilómetros. Estamos a falar de muitos quilómetros. Para não falar no trânsito que se regista no período de Verão naquela zona. É inadmissível uma decisão destas. É uma questão de saúde, sem esquecer que estamos a falar de crianças”, sublinhou a autarca.
Na declaração proferida esta tarde, a edil afirmou que a “Câmara Municipal de Setúbal discorda, em absoluto, da ‘operacionalização’ promovida pela ARS-LVT e destaca, desde já, a total insensibilidade e irresponsabilidade do Ministério da Saúde perante as necessidades de serviços de saúde qualificados de uma população de mais de 200 mil pessoas”.
A Administração Regional de Saúde alega que o objectivo da medida é “operacionalizar o funcionamento ininterrupto e regular das urgências de pediatria na Península de Setúbal”, contudo, Maria das Dores Meira considera “uma ofensa afirmar que o encerramento é uma ‘operacionalização’, quando, na verdade, se trata da anulação de uma importante valência do Hospital de São Bernardo, justificada, apenas, por falta de médicos”.
Para a autarca “a medida que a ARS quer agora impor mais não é do que um exemplo das erradas políticas de saúde que têm sido seguidas nos últimos anos, em particular pelos governos do Partido Socialista”. Uma política, acrescentou, “que privilegia apenas os rácios económicos e esquece as necessidades das pessoas”.
A edil adiantou que já se reuniu com a administração daquela unidade de saúde de Setúbal. “O principal problema é a falta de médicos. Em 56 profissionais, o hospital só tem quatro para garantir o serviço, o que é manifestamente pouco. Compreendemos as dificuldades existentes e destacamos o esforço que esta administração tem feito para, com os meios disponíveis, resolver os problemas.”
A falta de médicos, garantiu Maria das Dores, está “diagnosticada desde Abril, quando a administração do Centro Hospitalar de Setúbal informou a Administração Regional de Saúde de que se corria o risco de, nos meses de Verão, o número de clínicos disponíveis não ser suficiente para assegurar as necessidades de funcionamento das urgências pediátricas”.
Por isso, “cabia ao Ministério da Saúde resolver este problema, que vem desde Abril, ‘a priori”, concluiu, questionando, ainda, a inoperância da ARS-LVT, que “sabia deste problema há dois meses” e não encontrou soluções para evitar “a tal ‘operacionalização’ de que fala agora”.
Outra preocupação transmitida pela autarca aos jornalistas foi o carácter temporário da medida. “Um dos nossos receios é o ‘provisório’. Em Setúbal temos a experiência das escolas provisórias, que, inicialmente, eram só para servir dois ou três anos e acabaram por ficar 30.”
Perante este cenário, Maria das Dores Meira exige ao Ministério da Saúde que “anule de imediato esta medida e aplique as necessárias correcções ao funcionamento da ARS-LVT para que não se repitam situações destas”.
A edil adiantou igualmente que, “caso não o faça”, a Câmara Municipal “manifesta, desde já, a disponibilidade para apoiar todas as iniciativas de contestação desta medida que venham a ser realizadas”.
A presidente da Autarquia acrescentou que o Município apoia a vigília que a comissão de utentes do Hospital São Bernardo está a organizar para a próxima segunda-feira, dia 14, a partir das 21h30, naquela unidade de saúde.
Maria das Dores Meira anunciou, igualmente, que já solicitou uma reunião com carácter de urgência com a ministra da Saúde, Ana Jorge, aguardando um contacto logo que a representante governamental regresse de uma deslocação ao estrangeiro.













