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Bastidores

Assembleia Municipal do BarreiroUm minuto de silêncio em memória de José Saramago

Na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, realizada ontem à noite, no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, foram aprovados três votos de pesar, em memória de José Saramago. Sendo guardado um minuto de silêncio no final dos trabalhos.

Os votos de pesar apresentados por Fernanda Moreno, PS, e, por Sara Seruca, PSD, foram aprovados por unanimidade.
O Voto de Pesar apresentado por José Paleta, CDU, foi aprovado por maioria, com abstenção dos eleitos do PSD.

8 min de leitura
Assembleia Municipal do Barreiro Um minuto de silêncio em memória de José Saramago

Por Jornal Rostos

O voto de Pesar apresentado, por Sara Seruca, do PSD, (cujo texto não tivemos acesso), propunha que fosse guardado um minuto de silêncio.
No final dos trabalhos os deputados municipais guardaram um minuto de silêncio em memória do Prémio Nobel da Literatura.
O Voto de Pesar, apresentado por Fernanda Moreno, do Partido Socialista, foi aprovado por unanimidade.
Transcrevemos o texto integral do Voto de Pesar do Grupo Municipal do PS:

GRUPO MUNICIPAL DO PS BARREIRO
Voto de Pesar
Falecimento José Saramago

José Saramago, escritor, tradutor, jornalista, homem convicto, homem de palavra, conhecedor do mundo e capaz de o revelar, numa linguagem que todos compreendem, mesmo quando não usa a pontuação que a gramática convencional determina, faleceu no dia 18 de Junho.

Na década de 90, com a atribuição do Prémio Camões e do Prémio Nobel, em 1995 e 1998, respectivamente, José Saramago consagrou-se como um dos grandes vultos da literatura portuguesa.
É o autor português contemporâneo mais traduzido e internacionalmente editado o que nos dá a todos o orgulho de podermos percorrer livrarias, teatros e óperas acompanhados pelo texto de Saramago.
Foi o pensador crítico, profundo, por vezes mordaz, que agitou consciências, que se mobilizou por causas, que viveu com dignidade, determinação e coragem.

Havia nele uma graciosa altivez que não advinha só da sua estatura física, mas nascia no olhar sereno e simultaneamente firme, na sensatez depurada das suas afirmações, na elegância do seu gesto.
Era um cidadão do mundo que nos le9ou um património rico e incomensuravelmente fértil de beleza e reflexão. Que todos o saibamos honrar melhor do aquilo que por vezes aconteceu no passado.
Como autarcas recordamos também a sua acção engajada e muito responsável enquanto presidente da assembleia municipal de Lisboa.
Como barreirenses estaremos sempre gratos pela honra concedida de nos ter dedicado, em Abril de 1 990 a conferência “O Sabor da Palavra Liberdade”,
Neste tempo de triste partida, propomos a aprovação de um voto de sentido pesar pela morte de José Saramago.

10/06/24

Em caso de aprovação deverá ser dado conhecimento à Fundação José Saramago
O GRUPO MUNICIPAL DO PARTIDO SOCIALISTA

Também ps eleitos da CDU apresentaram um Voto de Pesar em memória de José Saramago.
Divulgamos o texto integral apresentado por José Paleta, da CDU, que foi aprovado por maioria, com abstenção do PSD.

CDU – Coligação Democrática Unitária
VOTO DE PESAR
José Saramago
“Uma Vida sem paralelo, Uma Obra do Povo”

José Saramago nasceu em Azinhaga (Golegã) em 16 de Novembro de 1922, de uma familia de
gente pobre. Dois anos depois, a família muda-se para Lisboa.
Frequenta um curso técnico. O seu primeiro emprego é como serralheiro mecânico. Depois é funcionário público.
Na Biblioteca do Palácio Galveias lê. Muito.
Jovem, iniciou a sua actividade antifascista, participando em várias iniciativas da resistência; em 1 948/49 é apoiante e interveniente activo na candidatura de Norton de Matos à Presidência da República.
Faz crítica literária na Seara Nova, traduz (Tolstoi, Hegel, Baudelaire), trabalha como jornalista, dirige o Suplemento Cultural do Diário de Lisboa.
Escreve poesia: Os Poemas Possíveis (1966) e Provavelmente Alegria (1970).
Em 1969 adere ao Partido Comunista Português, onde se mantém até à sua morte, passando desde logo a integrar a organização dos intelectuais de Lisboa.
Em 1969 e 1973 desenvolve intensa actividade na CDE no decorrer das campanhas «eleitorais» para a chamada Assembleia Nacional.

Activista do Conselho Português para a Paz e a Cooperação, participa em várias iniciativas a favor da paz.
Nesse período foi director-adjunto do Diário de Notícias, cargo de que foi afastado na sequência do 25 de Novembro de 1975.
Nesse ano publica o livro de poemas Q Ano de 1993.
Em 1977 publica o romance Manual de Pintura e Caligrafia e no ano seguinte o volume de contos Objecto Quase.

Segue-se a publicação sucessiva de um vasto conjunta de obras que o afirmam como figura cimeira da literatura nacional e mundial. Romances: Levantado do Chão (1980); Memorial do Convento (1982); O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984); A Jangada de Pedra (1986);
História do Cerco de Lisboa (1989); O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991); Ensaio sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2000); O Homem Duplicado (2002); Ensaio sobre a Lucidez (2004); As lntermitências da Morte (2005); A Viagem do Elefante (2008); Caim (2009) — para além de peças de teatro, livros de crónicas e de viagens, diário.

Entretanto, prossegue a sua actividade politico—partidária: nas eleições autárquicas de 1989, proposto pelo PCP, integra a lista da coligação «Por Lisboa» e é eleito Presidente da Assembleia Municipal; foi candidato ao Parlamento Europeu, pela CDU, em todas as eleições para aquele órgão, desde 1987 até 2009.
Em 1 998 a qualidade superior da sua obra literária é reconhecida mundialmente com a atribuição do Prémio Nobel da Literatura — e sagra-se como o primeiro, e até agora, único escritor de Língua Portuguesa galardoado com esse Prémio.

Entretanto, a sua Obra atrai a atenção de criadores culturais: inspirado no romance Memorial do Convento, o compositor Azio Carghi produz a ópera Blimunda; o realizador Fernando Meireles transpõe para o cinema o Ensaio sobre a Cegueira.
Nos anos seguintes, e até há bem pouco tempo, José Saramago correu várias vezes o mundo, participando em conferências, colóquios, fóruns, seminários, debates, levando a outros povos e outras gentes a sua reflexão sobre a situação no mundo, destacando-se como incansável activista pela paz.

Na memória dos portugueses perdura, sem dúvida, o discurso de José Saramago, em Estocolmo, quando ali foi receber o Prémio Nobel — um discurso proferido, por coincidência, no ano que se comemorava o 500 aniversário da assinatura da Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Falando dos seus livros, José Saramago disse um dia: «Creio que nada ou quase nada do que fiz depois do 25 de Abril, podia ter sido feito antes» — palavras que nos confirmam que a Obra de José Saramago é, também ela, uma conquista de Abril.
A morte de José Saramago constitui uma perda irreparável para Portugal, para o povo português, para a cultura portuguesa.
A dimensão intelectual, artística, humana, cívica, de José Saramago fazem dele uma figura maior da nossa História.
A sua vasta, notável e singular obra literária — reconhecida com a atribuição, em 1998, do Prémio Nobel da Literatura — ficará como marca impressiva na História da Literatura Portuguesa, da qual ele é um dos nomes mais relevantes.

Assim, a Assembleia Municipal do Barreiro reunida em sessão ordinária no dia 24 de Junho de 2010 manifesta o seu profundo pesar, a sua enorme mágoa pela morte de José Saramago e expressa as suas sentidas condolências à sua companheira, Pilar del Rio, e restante família.

Barreiro, 24 de Junho de 2010
Os eleitos da CDU

GRUPO MUNICIPAL DO PSD

Recebemos, entretanto, na nossa redacção o texto integral do Voto de Pesar, apresentada na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, por Sara Seruca.
A moção foi aprovada por unanimidade.

GRUPO MUNICIPAL DO PSD
VOTO DE PESAR PELA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO

O consagrado escritor português galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998, José Saramago, faleceu no passado dia 18 de Junho de 2010, com 87 anos na sua residência na ilha espanhola de Lanzarote.
Romancista, poeta e dramaturgo, é um dos autores portugueses contemporâneos mais conhecidos e distinguidos internacionalmente. Com uma obra literária vasta e valiosa, José Saramago ficará para a história como um dos grandes escritores da língua portuguesa.
Amado e odiado, o mais premiado de todos os escritores portugueses criou um estilo único tantas vezes envolvido em polémicas. Saramago procurava a essência da vida humana, questionava o inquestionável, abanava crenças e certezas. Factos que nunca lhe retiraram o reconhecimento mundial pela obra que deixa a toda a humanidade.
Pela grandeza da sua obra literária, a Assembleia Municipal do Barreiro expressa o seu voto de “profundo pesar” e guarda um minuto de silêncio pela morte do escritor José Saramago.

Barreiro, 24 de Junho de 2010

Pelos Deputados do PSD da Assembleia Municipal do Barreiro.

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