Requalificação da Bela Vista - Setúbal«Também compete aos moradores zelarem pela manutenção dos espaços»
“Também compete aos moradores zelarem pela manutenção dos espaços, pois estas questões estão muitas vezes associadas ao comportamento cívico. É importante que todos façam um esforço”, sublinhou o vereador das Obras Municipais, Carlos Rabaçal, no encontro, no Centro Social Nossa Senhora da Paz, da Cáritas, na Bela Vista.

Por Jornal Rostos
Moradores presentes na reunião, realizada no âmbito do programa “Viver em Comunidade”, mostraram-se receosos de que este primeiro passo para a requalificação da Bela Vista, no âmbito de um programa geral de regeneração urbana do bairro, possa vir a ser afectado pelo comportamento de alguns. A obra de requalificação dos espaços comuns, orçada em 1 milhão e 612 mil euros, vai realizar-se no último trimestre do ano.
A arquitecta Ana Muller, da equipa projectista, destacou como principais medidas do projecto a limitação do estacionamento nos logradouros e a reorganização dos espaços, que passam a ser multifuncionais e podem ser “usados por todos, em vez de estarem a ser utilizados como campos desportivos ou como parques infantis”.
A criação de uma zona em sistema de anfiteatro, “com arbustos e sombras proporcionadas por árvores de folha caduca e uma zona inferior circular para a prática de alguns desportos como jogging”, bem como o aproveitamento dos muros existentes “como áreas adicionais de estadia” constituem as mais-valias destacadas pela arquitecta.
O projecto incide sobre a reabilitação de passeios, logradouros e iluminação pública, pretendendo assegurar a circulação pedonal entre os blocos de edifícios, bem como a criação de espaços comuns que proporcionem uma ocupação colectiva e multifuncional, abrangendo 19 logradouros e pátios.
As intervenções incluem reabilitação de pavimentos, plantação de árvores, colocação de mobiliário urbano, nomeadamente bancos e papeleiras, instalação de sumidouros para aumento da eficiência da drenagem de águas pluviais e remodelação da rede de iluminação pública.
No encontro com os moradores foi indicado que o ideal seria que, antes do arranque das obras dos arranjos exteriores, tivesse havido a recuperação dos fogos habitacionais. O vereador Carlos Rabaçal recordou que a Autarquia apresentou ao Governo um projecto global, num investimento na ordem dos 15 milhões de euros, que não foi aceite.
O autarca frisou que a Câmara Municipal ficou “muito desagradada” com a decisão do Governo de inviabilizar a recuperação global do Bairro da Bela Vista. “Perante não se fazer nada ou recuperar parte do bairro social, a escolha foi a de se fazer o que foi permitido”, salientou.
O autarca indicou que no âmbito das pequenas obras, a Câmara Municipal, através de meios próprios, vai auxiliar os moradores com trabalhos de manutenção. Além disso, informou o vereador Carlos Rabaçal, está a decorrer uma candidatura a fundos europeus que permitirá recuperar janelas, telhados e algerozes.
O arquitecto responsável pela equipa projectista da recuperação dos espaços comuns, Charters Monteiro, reiterou as palavras do autarca, indicando que “a Câmara Municipal sempre pugnou para que a recuperação fosse primeiro nos edifícios e só depois nos espaços exteriores”.
O técnico lamentou que as verbas governamentais não tivessem permitido estas obras, já que, frisou, “mais de 30 anos na vida de um edifício é muito tempo”, havendo problemas acrescidos pela utilização dos materiais da época.
As restantes reuniões de apresentação e discussão do projecto de requalificação dos espaços comuns da Bela Vista decorrem nos dias 13, 14, 20, 22 e 27, a partir das 21h00, no Centro Social Nossa Senhora da Paz.













