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Bastidores

Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira«Há vários anos que é pedido que a gestão das praias e da serra passe para o Município»

A presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, mostrou-se disponível para levar “às mais altas instâncias” a contestação popular que exige a melhoria das condições da Arrábida.

Numa acção, promovida por um movimento cívico, no sábado à tarde, na praia do Creiro, a autarca afirmou que, numa altura em que o Parque Natural da Arrábida é candidato a Património Mundial Misto da UNESCO e a uma das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, neste caso à semelhança do Portinho, assume ainda maior importância “chamar à responsabilidade as entidades com competências para actuar na Arrábida”.

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Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira «Há vários anos que é pedido que a gestão das praias e da serra passe para o Município»

Por Jornal Rostos

De entre os diferentes problemas denunciados pelo movimento de cidadãos, destacam-se o do lixo, de trânsito e o seu regulamento policial, de estacionamento e desassoreamento das praias e dos acessos pedonais, situação agravada com o desmoronamento parcial do corredor Portinho/Creiro.

Maria das Dores Meira reforçou, ainda, a solidariedade com a iniciativa de sábado, adiantando que “a Câmara Municipal pode estar à frente deste movimento de cidadãos, se assim o desejarem, para levar o manifesto até ao Governo, se isso for necessário”.

A presidente da Autarquia, que interrompeu as férias para participar na iniciativa, adiantou que a Câmara Municipal “está do lado” dos cidadãos, sublinhando que “há vários anos que é pedido que a gestão das praias e da serra passe para o Município”.

Maria das Dores Meira frisou que a Autarquia não está “a sacudir a água do capote”, explicando que não pode actuar nos diferentes focos de problemas por não ter a gestão territorial na Arrábida.

A edil esclareceu que as várias questões apontadas pelos populares, do ponto de vista legal, actualmente, só podem ser resolvidas pelas entidades com gestão das praias e da serra, ou seja, a Capitania do Porto de Setúbal, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, através do Parque Natural da Arrábida, e a Administração Regional Hidrográfica do Alentejo.

Maria das Dores Meira salientou que “por várias vezes se contactaram as entidades responsáveis pelos problemas aqui existentes”, mas, reforçou, nada foi resolvido entretanto.

“O problema é que as próprias entidades responsáveis não têm meios suficientes para intervir, porque não são dotadas da necessária capacidade financeira”, sublinhou Maria das Dores Meira, frisando que, perante este cenário, o Ministério do Ambiente e, em última análise o Governo, que tutelam os institutos que gerem o território da Arrábida, devem intervir e ter uma participação activa na resolução dos problemas.

A autarca recordou que “a Câmara Municipal tem substituído, esporadicamente, as entidades responsáveis na limpeza de praias como Albarquel e a Figueirinha, mas não se pode funcionar assim”, observando que desde que a edilidade assumiu com maior protagonismo a gestão da
Figueirinha, aquele areal passou a ostentar Bandeira Azul.

A iniciativa popular de sábado, em que participaram perto de 300 pessoas, foi organizada por Pedro Vieira, que definiu a intitulada “Happy Hour de Luto pela Arrábida” como um “movimento civil de cidadãos preocupados pelo estado da Arrábida”.

Pedro Vieira leu publicamente um manifesto que aponta um conjunto de problemas na Arrábida, realçando o significado da presença da Autarquia na acção deste fim-de-semana, enquanto “outras entidades se deviam ter juntado à iniciativa, tal como aconteceu com a Câmara Municipal”.

Durante a iniciativa foi hasteada uma bandeira negra na praia do Creiro e ostentada uma faixa com a frase “Arrábida de Luto”, o mesmo texto que foi impresso em centenas de t-shirts pretas distribuídas pelos utentes do areal que se associaram ao movimento.

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