Moção de Homenagem a Sá Carneiro no Barreiro«A gente defendia as nacionalizações, Sá Carneiro, não»
“Não foi possível no Barreiro a queda deste muro de Berlim” – salientou Bruno Vitorino, PSD, acrescentando - “Hoje, sinto-me envergonhado no Barreiro”.
A moção de homenagem à memória de Francisco Sá Carneiro, foi reprovada com os votos contra da CDU, uma abstenção do BE, e os votos favoráveis do PS, PSD e um voto do BE.

Por Jornal Rostos
Luis Bravo, PSD, apresentou na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro uma moção de homenagem a Francisco Sá Carneiro.
A moção foi reprovada com os votos contra da CDU, uma abstenção do BE, e os votos favoráveis do PS, PSD e um voto do BE.
Um homem de acção politica
No decorrer dos trabalhos Humberto Candeias, do Bloco de Esquerda, expressando o seu distanciamento em relação às opções politicas de Francisco Sá Carneiro, referiu que iria “votar favoravelmente” a moção apresentada pelos sociais democratas reconhecendo que Sá Carneiro foi “um homem de acção politica”.
O deputado do BE sublinhou que, nos dias de hoje, apesar de muitos pretenderem afirmar-se herdeiros de Sá Carneiro são apenas – “falsos herdeiros”.
Sinto-me envergonhado no Barreiro
Após a reprovação da moção pela maioria CDU, Bruno Vitorino, em declaração de voto referiu que Francisco Sá Carneiro – “foi um grande estadista, um grande homem”
E sublinhou que a CDU no Barreiro, com a sua “arrogância absoluta”, votou de forma diferente da CDU em Lisboa.
“Não foi possível no Barreiro a queda deste muro de Berlim” – salientou.
“Hoje, sinto-me envergonhado no Barreiro” – referiu o deputado social democrata.
Recordou que o PSD votou na Assembleia Municipal do Barreiro moções de homenagem a José Saramago e a Álvaro Cunhal, personalidades com as quais mantém profundas diferenças ideológicas, mas, porque eram pessoas que, reconhece, gostando ou não das pessoa, elas fazem parte da história de Portugal.
Não me identificar com o seu tipo de democracia
Rosário Vaz, do Bloco de Esquerda, salientou que a sua abstenção à moção de homenagem a Sá Carneiro, não tinha a ver com o prestar uma homenagem à memória do ex-lider do PSD, mas sim pelo facto de – “não me identificar com o seu tipo de democracia”.
Nós fomos adversários políticos de Sá Carneiro
José Paleta, CDU, referiu que o voto contra da CDU não tinha a ver com a pessoa de Francisco Sá Carneiro, contestou a ideia de arrogância, sublinhando que “há uma maioria, se a maioria vota porque é que é arrogante”.
“É arrogante pensarmos pela nossa cabeça e decidirmos pelo que defende o nosso grupo? Então nós não temos o direito de exercer o nosso direito de voto?” – interrogou.
José Paleta, sublinhou que rotular as posições do PCP de arrogantes são atitudes “anticomunistas adormecidas”.
Referiu que, parece que não se admite que os comunistas estiveram nas prisões e na clandestinidade, não possam, hoje, ser maioritários em qualquer concelho, em qualquer órgão.
“Se é maioria não é ditadura é maioria. Arrogância? Nós temos direito a pensar e a votar e decidirmos por aquilo que é o melhor do nosso pensamento” – sublinhou.
“Nós não pomos em causa a vida humana” – referiu José Paleta.
“Nós dizemos é que a luta de classes existe, mas para nós a luta de classes não é a luta física, a luta de classes é entre os explorados e os exploradores” – referiu.
“Em relação a Francisco Sá Carneiro, naturalmente, lamentando a morte da pessoa, o que hoje veio para cima da mesa é uma moção de rebobinar Sá Carneiro que morreu há 30 anos. Nós não estamos a dar um voto de pesar de uma pessoa que morreu agora, que morreu recentemente” – referiu, acrescentando que com a moção o que se pretende é homenagear “o grande democrata, o grande líder, o grande estadista capaz para hoje”.
“Nós podemos compreender se isto corresponde a uma táctica do PSD formar de novo a AD, muito bem, para governar para o ano que vem, mandando o PS abaixo, é a nova AD que está aí, se é isso que pretendem, muito bem” – referiu.
“Nós fomos adversários políticos de Sá Carneiro e do PSD da altura. A gente defendia a Reforma Agrária, Sá Carneiro, não. A gente defendia as nacionalizações, Sá Carneiro, não” - sublinhou.
“Sob o ponto de vista politico eu fui um adversário de Sá Carneiro, não ponham agora o meu partido a dizer que foi uma grande pessoa, que foi um grande estadista. Para nós não foi, para nós foi um adversário, não tem nada a ver com o ser humano” – referiu José Paleta.
Divulgamos o texto integral da moção apresentado pelo PSD que foi reprovada pela maioria da Assembleia Municipal do Barreiro:
MOÇÃO
Homenagem a Francisco Sá Carneiro
“Antes quebrar que torcer” é um ditado popular que encaixa perfeitamente no perfil de Francisco Sá Carneiro. Era um homem com fortes convicções e um enigmático carisma. O seu entusiasmo contagiava e fez parte do restrito lote de políticos que foram admirados por amigos e adversários. Durante a sua vida política assumiu sempre com frontalidade a sua visão para o País. Nascido no Porto no dia 19 de Julho de 1934, concluiu, com 22 anos, o curso de Direito e principiou a sua carreira profissional como advogado. Católico praticante, frequentou os círculos mais progressistas da Igreja, tendo sido nestes círculos que começou a defender publicamente a transformação do regime numa democracia parlamentar, como o fez, aliás, com muita coragem, enquanto deputado da ala liberal na Assembleia Nacional.
Após a Revolução dos Cravos, Sá Carneiro fundou o Partido Popular Democrata (PPD), juntamente com Francisco Pinto Balsemão e José Magalhães Mota. Foi o primeiro secretário-geral e afirmou-se, desde logo, como líder histórico do Partido. Dizia aquilo que pensava, mesmo que fosse politicamente incorrecto. Foi um dos primeiros a criticar a influência que o movimento das forças armadas exercia na política nacional. Francisco Sá Carneiro foi ministro sem pasta em diversos governos provisórios. Foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e, mais tarde, para a I Legislatura da Assembleia da República.
Em finais de 1979 criou, com Diogo Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Telles a Aliança Democrática, uma coligação entre o PSD, o CDS e o PPM, que venceu as eleições legislativas desse ano - com maioria absoluta. Em 4 de Dezembro, Passados 11 meses da tomada de posse, a tragédia bateu à porta em plena campanha para as presidenciais. Francisco Sá Carneiro tinha agendado uma deslocação ao Porto para participar num comício destinado a apoiar o candidato presidencial, o general António Soares Carneiro. O avião onde seguia despenhou-se instantes após a descolagem. O primeiro-ministro teve morte imediata. Juntamente com ele faleceu a sua companheira, Snu Abecassis, e o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.
A Assembleia Municipal do Barreiro, reunida a 13 de Dezembro de 2010, delibera:
1) Prestar Homenagem à memória de Francisco Sá Carneiro, pelo papel que representou como Estadista, e pelo contributo dado para a construção de uma democracia moderna em Portugal.
Barreiro, 13 de Dezembro de 2010
Os Deputados Municipais do Grupo Municipal do PSD,
Se aprovado, este documento deverá ser enviada às seguintes entidades:
• Câmara Municipal do Barreiro;
• Órgãos de Comunicação Social Locais e Nacionais.













