«Ouvir a População, Construir o Futuro» em Setúbal«Fomos para a rua porque é assim, junto da população, que se conhecem os problemas»

Por Jornal Rostos
A Biblioteca Municipal – Pólo das Pontes acolheu a sessão inaugural de um ciclo de encontros a desenvolver no concelho de Setúbal, em que o Executivo municipal expõe à população o levantamento exaustivo dos problemas detectados em visitas ao terreno realizadas em cada freguesia, apresentando os respectivos pontos de situação e soluções.
O projecto “Ouvir a População, Construir o Futuro” destaca-se pela aproximação do Executivo municipal aos munícipes e pela avaliação dos problemas que os afligem, sobressaindo pela minúcia com que visita cada freguesia, inventariando todas as questões encontradas, para agir posteriormente e dar conta à população do que pode ou não ser feito.
“Fomos para a rua porque é assim, junto da população, que se conhecem os problemas. Por isso é que somos diferentes”, afirmou a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira, no início da reunião de sexta-feira, que encheu a sala do Pólo das Pontes da Biblioteca Municipal.
“Com este projecto pretendemos ir ainda mais além, conhecendo profundamente todos os problemas das freguesias, e apresentar soluções quando for do âmbito da Câmara Municipal ou até mesmo da junta”, destacou a edil.
Nas reuniões são distribuídas pelo público brochuras com uma listagem dos problemas, respectivos pontos de situação e soluções possíveis, com que o Executivo se deparou na freguesia respectiva onde o encontro decorre. Antes de um período de debate entre autarcas e munícipes é exibido um vídeo com imagens da visita do Executivo e das dificuldades registadas nesse território.
“Neste livro [brochura] está a nossa programação até ao final do mandato, mas desde que foi impresso até hoje a grande maioria dos problemas já foi resolvida”, completou Maria das Dores Meira.
Na reunião de sexta-feira, centrada na freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra, foram discutidas questões relacionadas com saneamento básico e asfaltamento de ruas.
No final do encontro tinham sido raros os problemas que o público desejou analisar com o Executivo, o que para a presidente da Câmara é “sintomático do bom trabalho que está a ser feito”, concluindo que esta freguesia “está claramente a desenvolver-se”.
Maria das Dores Meira sublinhou a importância do trabalho de cooperação desenvolvido com a autarquia local, perspectiva partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia da Gâmbia, Luís Custódio, para quem “a descentralização de competências da Câmara para as juntas, principalmente as rurais, é uma grande lufada de ar fresco”.
O Executivo municipal, representado igualmente pelos vereadores André Martins, Carlos Rabaçal, Carla Guerreiro e Manuel Pisco, abordou ainda questões relacionadas com a Quinta da Serralheira, a Quinta da Amizade e o Vale Ana Gomes, loteamentos que, até ao momento, defraudaram as expectativas de quem ali comprou casa.
“Da forma com foram executados vai continuar a trazer problemas para quem lá vive, porque foi tudo muito mal feito”, denunciou o vereador do Urbanismo, André Martins, sendo que a inexistência de asfaltamento, a construção de passeios e espaços verdes e a falta de algumas tampas de esgotos se contam entre as questões mais comuns encontradas nas três urbanizações.
“O pior é que os promotores das obras fogem às suas responsabilidades e depois sobra para a Câmara e para a junta de freguesia”, constatou André Martins.
Sobre este ponto, Maria das Dores Meira anunciou que a Autarquia vai fazer valer os direitos da população “de forma coerciva”, indicando que “está tudo preparado para se começar a accionar as garantias bancárias das urbanizações”.
O lixo foi outro dos temas abordados no encontro, por iniciativa do Executivo municipal, com o vereador do Ambiente, Manuel Pisco, a indicar que na freguesia da Gâmbia se verifica com regularidade que as pessoas despejam entulho nos campos, prática que, salienta, necessita de ser corrigida.
O autarca sublinhou que Setúbal “transporta actualmente para as lixeiras da Amarsul tanto entulho quanto todos os outros concelhos do distrito juntos”, sendo que este trabalho “melhora a qualidade de vida, mas também aumenta os custos”. Manuel Pisco considera que o ideal seria as pessoas assumirem as responsabilidades pelo entulho que criam e tomarem a iniciativa de o tratarem directamente.
As próximas reuniões do projecto “Ouvir a População, Construir o Futuro”, sempre com início às 21h00, estão agendadas para o dia 20, no infantário Arco-Íris, a segunda na freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra.
Em S. Lourenço realizam-se sessões nos dias 26, no Centro Cultural e Desportivo de Brejos de Azeitão, e 28, na Casa do Povo, em Vila Nogueira de Azeitão.
O ciclo de encontros prossegue na freguesia de S. Simão, em Fevereiro, com reuniões reservadas para os dias 10, na sede da Junta de Freguesia de S. Simão, e 11, no refeitório da EB1 de Brejos de Clérigos.













