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Bastidores

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro«A grande conquista é encontrar uma solução para o Bairro das Palmeiras»

O Bairro das Palmeiras, na Freguesia do Barreiro, acolheu a segunda sessão de participação pública do Plano de Urbanização (PU) da Quimiparque e Áreas Envolventes. A iniciativa insere-se no ciclo de sessões agendado para todas as freguesias do Concelho, até ao mês de Março.
Na sessão decorrida, ontem, dia 27 de Janeiro, no Grupo Desportivo 1º de Maio, o futuro do Bairro das Palmeiras foi o assunto que mais despertou o interesse dos munícipes. O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto de Carvalho, informou que o PU tem mecanismos para a sua requalificação.

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Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro «A grande conquista é encontrar uma solução para o Bairro das Palmeiras»

Por Jornal Rostos

Para além do Presidente, na mesa estiveram o Presidente de Junta de Freguesia do Barreiro, Raúl Malacão (moderador) e os vereadores Rui Lopo, responsável pela área do Planeamento, e Regina Janeiro, responsável pela área sociocultural.

Segundo Carlos Humberto de Carvalho, o Plano não está terminado, ressalvando a importância dos contributos da população. Após a sua aprovação, o PU será executado ao longo de 18 anos. O autarca adiantou que terreno intervencionado é mais de 90 % do Estado, pelo que a evolução do processo está dependente da Administração Central.
Em relação à construção da Terceira Travessia do Tejo (TTT), o Presidente está convicto da sua execução e adianta que se esta for construída “tudo andará mais depressa, senão andará mais devagar”.

“Um instrumento de gestão que nos permite alterar o que está definido”, foi como o Vereador Rui Lopo classificou o PU. E acrescentou, “o Plano vai segmentar o território e vai dizer que usos devem ser dados a cada zona”.
O autarca fez a apresentação do projecto, através da projecção de desenhos e imagens em 3D, começando pelo enquadramento genérico do Concelho do Barreiro na Área Metropolitana de Lisboa.
O PU inclui três zonas. Uma mais empresarial, logística e portuária, com actividades do sector secundário; outra mais ligada ao sector terciário, próxima da futura Gare do Sul e uma outra localizada de frente para Lisboa.
Contempla, ainda, três grandes centralidades. Uma em torno da Gare do Sul. Esta será uma estação multimodal, um interface de transportes públicos que articula a ferrovia pesada e ligeira, os transportes colectivos e o transporte individual.
A Praça Central será outra centralidade e situa-se onde é hoje o porto da Tanquipor. Aí surgirá um parque urbano.
A terceira centralidade é o Porto de Recreio, toda a zona do actual terminal rodo-ferro-fluvial, mais ligada à náutica de recreio e equipamentos de diversão de elevada qualificação. Focou, ainda, na sua opinião uma quarta centralidade, o Parque desportivo, destacando a qualidade das infra-estruturas do Grupo Desportivo Fabril.
O autarca destacou a importância da Alameda Central criada após a reconversão do corredor ferroviário, com a deslocalização das oficinas da EMEF, na Quimiparque. No futuro irá “desaparecer esta barreira e serão criados corredores verdes, no local, desde o Lavradio até ao cais do Barreiro”.

Mencionou os acessos à TTT, e adiantou que está a ser equacionada a construção de um túnel que ligará esta infra-estrutura ao cruzamento onde hoje se situa o campo do Galitos Futebol Clube, para minimizar os impactes da circulação automóvel no tecido urbano.

A título de exemplo, Rui Lopo ressalvou o “elevado grau de detalhe” utilizado no estudo com a Praça Central e o Bairro de Santa Bárbara. “A criação de uma Praça Central é muito importante para que possam surgir ali novas dinâmicas para o Barreiro”. Em relação ao Bairro de Santa Bárbara adiantou que pretendem que o mesmo se relacione com o resto da cidade.

“Património Industrial riquíssimo”

Na opinião do Autarca, o Barreiro tem um património industrial riquíssimo. O PU prevê a preservação de diversas estruturas e marcos da História industrial do Barreiro, tais como a Casa Museu Alfredo da Silva, o Bairro Operário, algumas chaminés, a rotunda das máquinas (comboios), Estação Sul e Sueste, edifício das oficinas da EMEF, entre outros.
Na fase de debate foi questionado como é que serão removidos os resíduos que estão no subsolo do território intervencionado. Em resposta, o Vereador informou que está a ser feito um trabalho de “elevado grau de detalhe. Estamos a recolher contributos de entidades que hoje estão no território, como por exemplo a Agência Portuguesa do Ambiente que já fez várias sugestões”.

Como vão ficar os acessos ao Grupo Desportivo Fabril foi outra questão colocada, à qual o Vereador esclareceu que a CMB está em contacto com a RAVE para adaptar os nós rodoviários. “Haverá uma maior pressão sobre os acessos rodoviários à cidade. Ainda estamos a fazer alguns estudos para se minimizar esses impactos”.
O futuro do Bairro das Palmeiras

Vários munícipes questionaram sobre o futuro do Barreiro das Palmeiras. Rui Lopo respondeu que o PU prevê a sua requalificação e adiantou que “numa fase posterior temos de fazer o desenho do bairro. O plano tem mecanismos para requalificar este bairro em sede de regulamento. Internamente estamos a fazer um conjunto de reuniões para estudar questões urbanísticas e sociais”.

O Bairro das Palmeiras também mereceu alguns esclarecimentos por parte de Carlos Humberto de Carvalho. No âmbito da elaboração do PU, “a grande conquista é dizer que nós colocámos, como condição, encontrar uma solução para o Bairro e garantir que a solução tem de ser encontrada no âmbito do Plano”. Adiantou que é preciso ter uma solução, mas admite a complexidade do assunto, porque é um bairro com muitos proprietários e inquilinos.

Quiseram saber que tipo de intervenções irá a CMB ter no Bairro até à implementação do PU. Quanto aos problemas actuais da zona, o Presidente informou que a CMB irá continuar a intervir quando for necessário e recordou, por exemplo, a obra realizada recentemente na rua 1º de Maio, ao nível das redes de águas e saneamento e repavimentação e as intervenções já realizadas no Centro de Animação Infantil Comunitário (CAIC). O autarca garantiu a continuação de intervenções deste tipo.
As questões da falta de segurança, também, foram colocadas. Para o Presidente “este é um problema do País e do Concelho, mas temos feito a sensibilização das entidades com responsabilidade nesta matéria”.

Foram colocadas diversas questões relacionadas com o Metro Sul do Tejo (MST) entre as quais, pretendeu-se saber se a ponte construída para o seu atravessamento não terá mais valências. O Presidente informou que a mesma permitirá o atravessamento pedonal, de bicicleta e de viaturas de emergência.
O número de fogos que o PU prevê para as áreas urbanísticas despertou a curiosidade de quem assistiu. O autarca esclareceu que o Plano não privilegia a vertente habitacional, mas sim a económica. Contudo, estima-se que para aquela zona venham morar 18 mil pessoas.

Quanto às questões do passivo ambiental do território, o Vereador esclareceu que foi constituído um agrupamento de empresas para tratar o que está à superfície. Em Fevereiro, serão removidas as lamas de Zinco. Segundo o Vereador “está a ser feito um estudo sobre a descontaminação dos solos do território” e informou que “é preciso tratar de cada produto de forma diferente e depois ter em conta o que se vai construir no local”.

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