António Duro Vereador PS da Câmara da MoitaAnuncia suspensão do mandato desde 3 de Fevereiro 2011
O autarca sublinha que irá - "até lá reflectir se pedirei novo período de suspensão, se retomo o mandato ou se peço a demissão definitiva".

Por Jornal Rostos
Divulgamos o texto integral da nota que recebemos de António Duro:
Exmo. Sr. Sousa Pereira, Caro director do Jornal Rostos,
Informo que nesta última reunião de câmara, realizada na quarta-feira dia 2, pedi a suspensão do mandato por 6 meses, indo até lá reflectir se pedirei novo período de suspensão, se retomo o mandato ou se peço a demissão definitiva.
Esta posição foi tomada por saturação de estar num chamado executivo completamente despresado, tal como os restantes vereadores, por não poder, como no passado já o provei, ajudar este concelho. Isto para além de ter outros motivos de saturação, de índole partidário e de política em geral. Não vale a pena voltar a "bater numa tecla" já algo gasta de que aqui na Moita metade dos vereadores são marginalizados em tudo o que possa "mexer" com o envolvimento da câmara, tirando as cerimónias da praxe, que damos jeito. Que no Barreiro e noutras câmaras CDU é diferente, na verdade o que está errado é um homem ter demasiados poderes, o que lhe dá uma Lei caduca, desajustada da realidade e dos conceitos da democracia, pois mais vale (eu defendo isso) que a orgânica da câmara seja semelhante à das juntas de fregusia, em que eleito directamente seria apenas o presidente e, os vereadores, apenas 3 em concelhos desta dimensão, sairiam dos eleitos da assembleia municipal. Esta assembleia passaria a ter mais condições para poder fiscalizar as actividades da câmara, tempo, instalações e independência em relação ao executivo. Os presidentes de junta de freguesia teriam na mesma assento na assembleia municipal mas sem direito a voto. O nº de deputados municipais também deveria ser reduzido. Além de ser mais funcional, quanto a mim, poupava-se bastante dinheiro aos contribuintes, sem pôr em causa a democracia. nesta reunião de câmara do passado dia 2 recebi a declaração de rendimentos como vereador para o IRS. Recebi durante 2010 cerca de 2.060 euros, isto pois fui o vereador que mais se fez substituir nessa ano, por entender que os restantes elementos da lista pelo PS deveriam ter oprtunidade de ver como aquilo funciona. Significa pois que os restantes não terão recebido menos que 2.500 euros, para quê? O que se fez ali de útil mais do que marcar uma posição política, o que fora os partidos podem e devem afirmar-se, para além da assembleia municipal? E ver vereadores com ideias, com vontade de fazer coisas, mesmo que para isso tivessem que existir (e tinham) acordos de coexistência de gestão política geral, tirando o Orçamento e Plano, que mesmo aqui, se quem dirige quisesse, poderia haver participação, que poderia levar a voto diferente do habitual voto contra. Poderia mas não há, sendo a câmara mais ortodoxa e sectária do distrito, apesar de ser uma câmara totalmente de forças da esquerda. O problema é que nem toda essa esquerda é de princípios democráticos, em meu entender. Como dizia o saudoso Manuel Luís Beja, "não temos só azar por nos calhar estes tipos, é que nos calharam mesmo os priores".
Também tem sido muito difícil conseguir uma forte coesão entre os vereadores do PS, por sensibilidades políticas práticas muito diferentes,havendo quem quisesse lutar duramente e quem fosse demasiado "macio", tenho que respeitar mas não concordo.
E pronto, chega, é bom que a população veja, veja o que se passa, o que é sistematicamente prometido e sistematicamente não cumprido. Este concelho, legitimamente reconheça-se, é gerido por 20 e poucos por cento da população eleitora. A população vai ter que intervir se quiser que o seu concelho saia da cauda do distrito e da área metropolitana de Lisboa. E que aceite que há também pessoas no PS que não se revêem na política governativa errada. Nem tudo é negativo mas para socialistas não é fácil assistir ao estado do país e à dureza de medidas sobre os mais necessitados.
O futuro a Deus pertence, para já é uma suspensão por 6 meses, mas, a menos que haja algo de substancialmente importante na vida deste concelho, será difícil um regresso.
Aproveito para deixar um abraço ao Rostos e a esperança de que continuem com a maior isenção, pois as notícias não têm cor.
António Duro
Vereador pelo PS na CMM com mandato suspenso.













