Alcácer do Sal rejeita proposta de encerramento do TribunalRedução de despesa não pode ser feita de forma cega
A Câmara Municipal de Alcácer do Sal reuniu ontem de emergência para tomar uma posição sobre a proposta de extinção daquela comarca, presente na versão do Quadro de Referência para a Reforma da Organização Judiciária disponível no site da tutela.

Por Jornal Rostos
Os eleitos marcaram já uma outra reunião, desta vez na rua, onde se pretende ouvir a população sobre esta matéria e definir formas para contestar a mesma. Esta ação pública está marcada para dia 11, às 18 horas, em pleno Largo do Tribunal, em Alcácer do Sal.
O documento, a que a autarquia teve acesso informalmente, propõe o fim da Comarca de Alcácer do Sal alegando “valores reduzidos ao nível do movimento processual” e “uma diminuição da população residente de 9,15%” patente nos últimos censos, de 2011.
Ora, Câmara Municipal de Alcácer do Sal condena veementemente esta medida, por a mesma assentar em pressupostos falaciosos e por consubstanciar um duro golpe na estratégia de desenvolvimento do concelho e pôr em causa os direitos fundamentais dos seus habitantes, designadamente o acesso ao direito expressamente consagrado no artigo 20.º da Constituição da República Portuguesa.
Numa das duas moções aprovadas na reunião de ontem, os eleitos consideram que “esta é mais uma medida cega do Governo, que em prol de números, se limita a cumprir ordens da TROIKA”, “contribuindo para o isolamento da população” do concelho e “para o seu atraso e empobrecimento, o que, nos últimos anos, tem sido contrariado pelo trabalho desenvolvido localmente pelas autarquias”.
Recorde-se que, em dezembro de 2011, Alcácer do Sal ficou sem serviço ferroviário de passageiros e ainda recentemente viu encerradas extensões de saúde e escolas, enquanto que, em contraciclo, a Câmara Municipal construiu dois centros escolares e está a levar a cabo uma profunda operação de regeneração urbana - que vai tornar mais atrativa e organizada toda a zona ribeirinha, para além de criar condições para o tratamento dos esgotos produzidos na cidade - não obstante estar classificada em 11º lugar entre os municípios com menos dívidas a nível nacional.
“A Câmara Municipal de Alcácer do Sal está consciente das sérias dificuldades económico-financeiras que afetam o país e da necessidade urgente e inadiável de promover a redução da despesa pública.
Porém, considera que esta redução de despesa não pode ser feita de forma cega e distante, à custa de um sacrifício injustificado de valores e direitos básicos e fundamentais dos cidadãos, do seu bem-estar e da sua qualidade de vida, inerentes à vivência num Estado de Direito Democrático!”, refere o documento.
“A Câmara Municipal de Alcácer do Sal reitera, assim, a sua condenação à medida preconizada pelo Direção-Geral da Administração da Justiça (…) que empurra o nosso concelho para níveis de subdesenvolvimento indesejáveis, prejudicando todos aqueles que aqui vivem e trabalham atualmente e dificultando a fixação de mais e novos residentes, investidores e visitantes!”, conclui, “exigindo a continuidade da Comarca de Alcácer do Sal”.













