História da RepúblicaUm dos capítulos mais honrosos da História do Montijo

Por Jornal Rostos
Saudação aos 102 anos da Implantação da República
Dois anos passados sobre o Centenário da implantação da República, no nosso país, é com justificado orgulho que a autarquia lembra as realizações de caráter comemorativas levadas a cabo, neste concelho. Logo em 2008, com as exposições “Paulino Gomes: Um Montijense Republicano e Democrata” e “Aldeia Gallega, nas vésperas da República: as eleições municipais de 1908”; no ano seguinte, em 2009, com a exposição “O Ano de 1909”; e no ano do centenário da República, em 2010, com a exposição “A Terra Mais Maciçamente Republicana”, inaugurada no Dia da Cidade e a “Reconstituição Histórica da Implantação da República em Aldeia Galega”, no dia 4 de Outubro de 2010, num trabalho conjunto de Escolas Secundárias e Autarquia. Assinale-se ainda, para concluir, estas comemorações do centenário, a publicação pela Câmara Municipal, no ano de 2011, do livro “O Memorial Republicano”, da autoria do Dr. Francisco Correia, com introdução do Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem.
E não é de somenos importância, para o nosso concelho, evocar estes assuntos históricos: falar da História da República é pretexto para destacar um dos capítulos mais honrosos da História do Montijo: o seu contributo relevante para o movimento de Implantação da República.
É antiga a função de charneira ocupada pela antiga Aldeia Galega do Ribatejo, nas comunicações entre Lisboa, o Alentejo e até a Espanha. Por aqui passaram, ao longo de muitos séculos, tanto pessoas como produtos, dando origem a esta povoação, nas margens do Rio Tejo.
Para não nos alongarmos em demasia, diríamos que todo o desenvolvimento que se assistiu, nos finais do século XIX e princípios do século XX na antiga Aldeia Galega do Ribatejo, atual Montijo, e quando o ideário republicano se começa a implantar nas suas populações, tem nesta posição estratégica as suas origens.
O fervor com que a população recebia os dirigentes nacionais do Partido Republicano Português, aquando dos comícios republicanos, como Bernardino Machado, Afonso Costa e António José de Almeida, deu pretexto para este último confessar em alta voz e em plena sessão das Cortes, de 10 de Agosto de 1909, que esta era “talvez, a terra mais maciçamente republicana de Portugal”.
E mais do que meras palavras, o Partido Republicano Português soube reconhecer o republicanismo destas gentes, ao destacar para aqui um dos seus operacionais, Ernesto Carneiro Franco, feito secretário da Câmara Municipal, meses antes, para liderar as milícias civis que demandaram o quartel dos torpedeiros em Vale de Zebro, aglutinando pelo caminho as forças civis do concelho da Moita e do Barreiro.
O que verdadeiramente importa realçar é o republicanismo desta terra, em sintonia com o que se passava por praticamente toda esta margem sul do Tejo.
Na inauguração do centro com o seu nome, em Aldeia Galega, Centro Escolar Eleitoral Republicano Dr. Celestino de Almeida, no ano de 1907, o ambiente vivido na terra foi descrito desta forma por Afonso Costa, um dos presentes na cerimónia: “ […] se tivesse alguma dúvida de que em Portugal só um ideal aquece o povo, e as almas, o ideal republicano, disso hoje tinha plena certeza depois da grande manifestação a que acabava de assistir […]; e mais adiante “ […] É consolador entrar uma terra como esta, onde todas as pessoas, até as mais humildes, têm um ideal, serem livres cidadãos duma pátria livre […] ”.
Decorridos 102 anos, a Câmara Municipal do Montijo saúda todos os portugueses e patriotas que, antes e depois da Implantação da República, ao nível nacional e no concelho do Montijo, tudo fizeram e têm feito para defender os ideais da liberdade, da justiça, da solidariedade, da igualdade, do desenvolvimento e do progresso.
Montijo, 5 de Outubro de 2012
A PRESIDENTE DA CÂMARA
Maria Amélia Antunes













