Presidente CM Barreiro«Somos o Concelho da Península de Setúbal que tem maior número de idosos a viver isolados»
O Presidente CMB, Carlos Humberto de Carvalho, salientou que “somos o Concelho da Península de Setúbal que tem maior número de idosos a viver isolados, ou com outras pessoas idosas. Isto exige alguma reflexão e a tomada de medidas que procurem intervir sobre esta realidade e atenuar os problemas”.

Por Jornal Rostos
O Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro recebeu, ontem, dia 23 de outubro, o Fórum “O Envelhecimento Demográfico no Concelho do Barreiro: Desafios, Possibilidades e Constrangimentos”, promovido pelo Conselho Local de Ação Social do Barreiro (CLASB). Esta iniciativa, inserida no programa do Mês Sénior, promovido pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB) até 28 de outubro, abordou, entre outros aspetos, a problemática do elevado índice de envelhecimento no Concelho do Barreiro e as insuficientes respostas sociais como lares, centros de dia ou apoio domiciliário.
Na Sessão de Abertura, a Vereadora responsável pela Intervenção Social, Regina Janeiro, deu as boas-vindas aos participantes, explicou o programa de trabalhos do Forum e as iniciativas do Mês Sénior, convidando os participantes a assistirem às Comemorações do Dia Nacional da 3ª Idade, Encerramento do Mês Sénior e Aniversário da UTIB, na Casa da Cultura da Quimiparque, no dia 28 de outubro, pelas 15h00.
O Presidente CMB, Carlos Humberto de Carvalho, salientou o “caminho interessante” que tem sido feito pelo CLASB, considerando, no entanto, que “é necessário ir mais longe porque vivemos momentos complexos na vida nacional e isso exige uma intervenção cada vez mais eficaz e articulada”.
O Autarca referiu que o envelhecimento é um problema da Europa e de Portugal, salientando a situação concreta do Concelho do Barreiro. Carlos Humberto de Carvalho lembrou que, fruto da desindustrialização e da falta de mobilidade (“sendo dos concelhos mais próximos da capital, por via rodoviária está, no entanto, mais distante”, referiu), o Concelho do Barreiro tem um elevado índice de envelhecimento, visto que “setores mais jovens da sociedade acabaram por sair do concelho. Há 20 ou 30 anos, grande parte da população trabalhava no concelho, mas os dados foram invertidos nas últimas décadas”. Referiu ainda que “somos o Concelho da Península de Setúbal que tem maior número de idosos a viver isolados, ou com outras pessoas idosas. Isto exige alguma reflexão e a tomada de medidas que procurem intervir sobre esta realidade e atenuar os problemas”.
Salientou que a atenuação destes problemas passa principalmente pela criação, no Barreiro, de desenvolvimento económico e emprego. Para tal, é necessário “investimento na área produtiva e de acessibilidades”, referindo-se à Terceira Travessia do Tejo, à ligação rodoviária ao Seixal e ao Metro Sul do Tejo.
É necessário intervir em três direções, salientou o Autarca, nomeadamente intensificar a articulação entre a administração central, local, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), rede de associativismo e populações; garantir apoios do Estado aos equipamentos de apoio à terceira idade; continuar o trabalho desenvolvido pela Autarquia no apoio à integração social, lúdica e desportiva dos idosos. Neste último aspeto, Carlos Humberto de Carvalho lembrou a cedência de terrenos municipais às IPSS para construção ou ampliação de equipamentos sociais, isenção de taxas e tarifas, promoção de atividade ou projetos como a Universidade da Terceira Idade do Barreiro (UTIB), Ginástica Sénior, atividades lúdicas, passeios, etc. “É uma multiplicidade de ações que considero importantes. Devemos ter mais de duas mil pessoas em todas as atividades”.
A Diretora do Centro Distrital de Segurança Social de Setúbal (CDSS), Ana Birrento elogiou o programa do Fórum considerando-o “rico e participado”. Salientou também que “reflexão e partilha devem ser a pedra de toque entre instituições e o poder central e local. Em conjunto devemos procurar resolver os problemas que nos afligem a todos”.
Considera que a “qualidade de vida dos nossos idosos, de quem trabalhou toda a vida e contribuiu para a riqueza do País, deve ser uma das nossas principais preocupações”.
Salientou ainda que “ninguém pode ficar para trás ou ser esquecido ou descartado”, realçando a importância do conhecimento e da experiência de vida do idoso.
A moderar a mesa temática, Apolónia Teixeira, Chefe de Divisão de Intervenção Social da CMB, falou sobre as “Estratégias do Município para a Promoção do Envelhecimento Ativo da População Sénior”, completando o que foi referido pelo Presidente acerca das iniciativas e projetos promovidos pela Autarquia dirigidos à população sénior do Concelho.
Além da UTIB (criada há cerca de 10 anos e atualmente com 750 inscritos e cerca de 40 disciplinas), da Ginástica Sénior (que envolve cerca de 900 pessoas), da cedência de terrenos para construção ou ampliação de equipamentos sociais, a CMB tem promovido também aulas de hidroginástica, criou o Cartão Sénior (que permite a redução de tarifas da responsabilidade da Autarquia ou descontos na aquisição de bens e serviços de entidades privadas), disponibilizou espaços para as associações de reformados, promove o programa de mobilidade sénior (implementado em 2008 em colaboração com os centros de saúde com o objetivo de avaliar os efeitos da atividade física e a eficácia do programa de ginástica), organiza o Mês Sénior há vários anos, entre outros.
“Continuamos a apostar neste conjunto de projetos e tentamos chegar a pontos mais distantes do Concelho”, rematou Apolónia Teixeira.
“O Envelhecimento Cognitivo: Mitos e Realidades”
João Gorjão Clara, Coordenador da Unidade Universitária de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e Membership da Academia Europeia de Medicina do Envelhecimento, desmistificou alguns mitos relativamente ao envelhecimento, considerando que “vivemos ainda preconceitos como no século XIX”.
Em relação à memória, referiu que a grande ‘chave’ é “use-a ou perde-a”, salientando que a grande novidade do século XXI é a “plasticidade neuronal”, ou seja, o cérebro de um idoso pode produzir novos neurónios, sendo necessária a estimulação mental.
João Gorjão Clara referiu algumas ‘tarefas’ para “melhorarmos as nossas funções cognitivas”:
- Exercícios intelectuais, dando como exemplo simples ver telenovelas visto que obrigam a decorar enredos;
- Exercício físico;
- Vida social regular (criar amigos, ir ao teatro, cinema, encontros de convívio);
- Evitar o neuroticismo (depressão, ansiedade, raiva, vergonha).
“Temos de ajudar o cérebro a envelhecer bem”, convivendo, fazendo exercício, lendo, tendo uma atitude positiva, salientou. “Temos idade sempre para tudo desde que a pessoa tenha disposição para isso”.
“O Envelhecimento Demográfico no Concelho do Barreiro”
Armando Gomes, técnico de intervenção social da CMB e responsável pelo Secretariado Técnico do CLASB, salientou o aumento significativo da população idosa do Concelho, sendo que o Barreiro tem o maior índice de envelhecimento da Península de Setúbal (152%). De salientar que em 1991 era de 65%, e em 2001 de 122%.
“São indicadores que nos devem fazer pensar e agir”, referiu Armando Gomes.
“Equipamentos e Respostas Sociais para Idosos: Dinâmicas Concelhias” foi o tema abordado por Paula Franco, responsável do Centro Social Padre Abílio Mendes.
Explicou a rede solidária que existe no Concelho (IPSS) e rede privada lucrativa, salientando que não existe correlação entre as taxas de cobertura das respostas sociais e os índices de envelhecimento. “Temos no Barreiro 5,8% de taxa de cobertura para 152% de índice de envelhecimento”, referiu.
“O Barreiro é o Concelho do Distrito que tem maior taxa de utilização da rede solidária o que significa que a resposta das IPSS está esgotada”, conclui.
“O Barreiro apresenta uma realidade distinta e reclama a diferenciação das respostas de apoio à população idosa”, disse Paula Franco, alertando para a necessidade das entidades que tutelam as respostas sociais “recentrarem no Concelho o focus das políticas públicas e respetivas medidas de apoio, garantindo o acesso às respostas sociais”.
Como propostas, Paula Franco sugeriu que o Grupo Concelhio do CLASB para as Questões dos Idosos deverá apresentar para “deliberação do CLASB uma proposta no âmbito da temática que reflita as conclusões que venham a sair deste fórum e outras tidas como convenientes face às circunstâncias do território do Barreiro” e “solicitar à tutela uma audiência conjunta das IPSS e CMB”.
“Dinâmicas e Desafios da Intervenção com a População Idosa” foi o tema abordado por Filipa Aires, Coordenadora do Grupo Concelhio para as Questões dos Idosos. Referiu que este grupo mantem uma atividade permanente desde 2005 e tem procurado a construção coletiva e articulada de soluções partilhadas que permitam apoiar de forma mais eficaz este grupo vulnerável da sociedade.
Apresentou, ainda, os objetivos do grupo e procedimentos em termos de acompanhamento e intervenção junto do idoso em situação de risco.
As ultimas quatro intervenções podem ser consultadas na totalidade em http://www.cm-barreiro.pt/pt/conteudos/noticias+e+eventos/noticias/forummessenior.htm
No encerramento e apresentação de conclusões do Fórum, Armando Gomes realçou que “num contexto complexo de austeridade e de empobrecimento de todos os setores da sociedade, a realidade de envelhecimento do Concelho é um alerta e apelo a uma intervenção mais articulada e cooperante”. Salientou que é também o momento de “afirmarmos a pessoa idosa, lutando contra o envelhecimento precoce, desmistificando estereótipos sociais negativos. As funções intelectuais podem ser mantidas e recuperadas pelo treino. O desuso é a principal causa da perda das funções intelectuais”.
Por outro lado, como conclusão, Armando Gomes salientou que “o Barreiro necessita de um olhar diferente sobre as respostas sociais. É necessário que as entidades que tutelam as respostas sociais recentrem no Concelho o foco das políticas públicas e de apoio à população idosa”.
CMB













