Centro de Informação Autárquico ao Consumidor do BarreiroDia Mundial da Poupança assinalado a 31 de outubro
«O conceito de poupança está diretamente ligado a renda, ou seja, aquilo que ganhamos como salário ou outra remuneração. Desta renda retiramos uma parte para satisfazermos necessidades. A este gasto chamamos consumo.

Por Jornal Rostos
Com a abertura do mercado de crédito aos consumidores em Portugal multiplicaram-se as formas de conceção de crédito, por “arte” das Instituições financeiras, cada vez mais competitivas num mercado cada vez mais inovador e transacionável, o que permitiu o desenvolvimento de instabilidade financeira por parte das famílias, que se tornaram alvos fáceis de endividamento.
Ao mesmo tempo que o crédito permite às famílias dispor de um capital, que, apesar de não próprio, é imediato, também significa que se está a criar uma penhora futura, sem que, muitas vezes, as próprias famílias se apercebam disso. Também significa para as famílias a possibilidade de poderem usufruir de bens e serviços que, numa determinada situação da vida, façam sentido.
A necessidade crescente de poupança por parte das famílias, com a questão do sobre-endividamento, está cada vez mais distante, dada a dificuldade acrescida em cumprir com os compromissos, que, muitas vezes, surgem associados a créditos, como, por exemplo, para compra de habitação.
Em 1936, John Maynard Keynes, economista britânico, defendia que o consumo tendia a subir com o aumento dos ganhos, todavia não se eleva em proporções desses ganhos. A poupança depende dos ganhos familiares. Quanto maior forem os ganhos maior será a poupança. Segundo Keynes, as pessoas com elevados ganhos tendem a ter elevadas poupanças. Assim, a poupança dependa da boa vontade ou capacidade de cada indivíduo para esse fim.
Em 1980, George Katona, economista britânico e pai da psicologia económica, procurou explicar as contingências do comportamento de poupança. Segundo este economista, para explicar o fenómeno da poupança é necessário ter em conta fatores como a idade, o agregado familiar, estabilidade financeira, situação profissional, etc. A poupança depende, por isso, da interação entre a personalidade do sujeito e o ambiente económico. Katona identificou três tipos de poupança: a contratual, a discricionária e a residual.
Dez anos depois, Vanh Veldhoven e Groenland, baseados no modelo de Katona, acrescentaram a existência de variáveis socioeconómicas nos comportamentos e poupança, como clima económico (crescimento, inflação, taxa de interesse, taxa de desemprego); informação económica (media); contexto económico pessoal (património, lucros) e contexto institucional (sistema bancário e fiscal). Desta forma, a motivação para poupar consiste na precaução, na riqueza, nas compras futuras, investimentos e projetos para os filhos. As pessoas tendem a realizar mais economias sobre as despesas fundamentais, como as de alimentação.
Fred Van Raaij realizou, em 1986, vários estudos sobre os comportamentos de poupança e de consumo nas crianças. Os estudos revelaram o papel fundamental dos pais e da publicidade no incentivo à abertura de contas bancárias e à representação que as crianças têm sobre a poupança. Defendia que o papel dos pais assentava na preocupação de dar um futuro melhor aos filhos e o incentivo à poupança era considerado um hábito muito positivo. Baseado no modelo e aprendizagem social, Van Raaij defende que a criança poupa porque é um comportamento socialmente correto, sendo, por conseguinte, recompensada relativamente aos seus objetivos.»
Bibliografia: BARRACHO, Carlos, Lições de Psicologia Económica, Instituto Piaget, Lisboa, 2001; KEYNES, John Maynard, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, Editora Atlas, 1992; Trabalhos em Economia Comportamental – www.academicoo.com/van-raaij’s-model/.
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