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Bastidores

Bruno Dias, deputado do PCP eleito pelo círculo eleitoral de SetúbalReuniu com representantes de trabalhadores do Parque Autoeuropa
. Coloca questões ao Ministro da Economia.

"A Administração da Autoeuropa afirma que não irá despedir trabalhadores, mas essa afirmação apenas se pode aplicar aos trabalhadores directamente vinculados à Autoeuropa, porque nas empresas prestadoras de serviços e do Parque Industrial da Autoeuropa, que dependem em grande parte da Autoeuropa e que no total empregam cerca de 2.500 trabalhadores, a realidade é bem diferente e preocupante.", sublinha um comunicado do Secretariado da Célula do PCP do Parque Industrial da Autoeuropa.

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Bruno Dias, deputado do PCP eleito pelo círculo eleitoral de Setúbal Reuniu com representantes de trabalhadores do Parque Autoeuropa . Coloca questões ao Ministro da Economia.

Por Jornal Rostos

Redução para um turno na área da montagem final e pintura da Autoeuropa provoca despedimento de mais de 300 trabalhadores contratados e temporários das empresas prestadoras de serviços e do Parque Industrial da Autoeuropa

No passado dia 5, o PCP promoveu uma reunião com os Órgãos Representativos dos Trabalhadores das empresas prestadoras de serviços da Autoeuropa e do Parque Industrial da Autoeuropa, em que esteve presente o deputado da Assembleia da República Bruno Dias, eleito pelo círculo eleitoral de Setúbal.
Esta iniciativa teve lugar no Parque Industrial da Autoeuropa e contou com a participação de representantes dos trabalhadores das empresas Autovision, Faurecia, Inapal Plásticos, Logiters, Palmetal, SAS, Schnellecke, SMP e Vanpro. O objectivo foi a análise aos impactos provocados nestas empresas decorrentes da reorganização do trabalho na Autoeuropa, que passará a concentrar o trabalho na área da montagem final e pintura apenas num turno, apesar do aumento de produção.

A Administração da Autoeuropa afirma que não irá despedir trabalhadores, mas essa afirmação apenas se pode aplicar aos trabalhadores directamente vinculados à Autoeuropa, porque nas empresas prestadoras de serviços e do Parque Industrial da Autoeuropa, que dependem em grande parte da Autoeuropa e que no total empregam cerca de 2.500 trabalhadores, a realidade é bem diferente e preocupante.

Contas feitas até agora pelos Órgãos Representativos dos Trabalhadores destas empresas, são já cerca de 300 os trabalhadores contratados e temporários que estão na iminência de não regressarem ao trabalho a seguir ao verão, caindo por terra o “selo de garantia” de preocupação social e manutenção de postos de trabalho apresentado ao público pela Administração da Autoeuropa.
As administrações das empresas prestadoras de serviços e do Parque Industrial da Autoeuropa têm responsabilidades, mas o facto é que a Autoeuropa desenvolve uma “política de garrote” à volta destas empresas, lançando concursos para fornecedores e prestação de serviços em que as empresas que ganham, para atingir os valores pretendidos, são as que pagam salários mais baixos e que menos respeitam os direitos dos trabalhadores.

Esta política da Autoeuropa, que na prática é a de usar as empresas prestadoras de serviços e do Parque Industrial da Autoeuropa apenas quando lhe é mais favorável financeiramente, tem sido evidente e socialmente devastadora ao longo dos anos. Veja-se no passado, quando a Schnellecke despediu dezenas de trabalhadores no seguimento de ter perdido um concurso, quando a Autovision People despediu cerca de 500 trabalhadores em 2014, ou a Webasto, que despediu os últimos 80 trabalhadores no ano passado, no seguimento de alterações da produção da Autoeuropa, chegando mesmo a encerrar.

Esta semana, a Logiters e a Acciona, duas empresas prestadoras de serviços para a Autoeuropa, perderam um concurso, o que coloca mais 260 trabalhadores numa situação de grande incerteza e angústia quanto ao futuro, questão que o PCP continuará a acompanhar nos próximos dias.
É de notar que os novos concursos lançados pela Autoeuropa nada referem sobre a massa salarial e os direitos adquiridos pelos trabalhadores, num claro convite à precariedade e aos baixos salários, questão que nos preocupa e que vai também ser alvo de questionamento na Assembleia da República.

O PCP defende há muito que nos concursos para prestação de serviços e fornecedores da Autoeuropa tem de existir a preocupação do aumento da incorporação da produção nacional e o respeito pelos salários e direitos adquiridos de todos os trabalhadores.

Estas questões merecerão já nos próximos dias a maior atenção da parte do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República, no sentido da defesa dos postos de trabalho, dos direitos e interesses dos trabalhadores destas empresas, desde já questionando o Governo por escrito e colocando estas questões pessoalmente em reunião com o Ministro da Economia.

O Secretariado da Célula do Parque Industrial da Autoeuropa.
8/7/16

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