Falta de profissionais de saúde no Centro Hospitalar de SetúbalPCP questiona o Governo

Por Jornal Rostos
PCP questiona o Governo sobre falta de profissionais de saúde no Centro Hospitalar de Setúbal
Frequentemente chegam ao Grupo Parlamentar do PCP diversas preocupações relativas ao Centro Hospitalar de Setúbal e à prestação de cuidados de saúde à população que abrange.
A carência de profissionais de saúde no Centro Hospitalar de Setúbal é uma realidade que resulta das políticas de desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde e de ataque ao emprego público. O governo PSD/CDS prosseguiu uma política de desvalorização profissional, social e remuneratória dos profissionais de saúde e de não contratação dos profissionais de saúde em falta.
Perante a enorme carência de trabalhadores, muitas administrações hospitalares recorrem à contratação de empresas de trabalho temporário para a colocação de profissionais de saúde sobretudo no serviço de urgências, mas não só. São conhecidos anúncios públicos destas empresas de trabalho temporário para contratar médicos especialistas ou internos a partir do terceiro ano de especialidade (medicina interna, anestesiologia ou cardiologia) para a unidade de cuidados intensivos. O anúncio refere que é para o preenchimento de 120 horas semanais por vários profissionais, sendo oito horas por dia e 24 horas de urgência. Sabe-se também de outro anúncio de uma empresa de trabalho temporário que pretendia contratar um médico especialista para prestar serviço numa enfermaria do Hospital do Outão.
Esta prática não é solução para os estabelecimentos hospitalares, nem para os profissionais, nem para os doentes. O recurso à contratação de empresas de trabalho temporário para suprir as carências de profissionais não dá estabilidade aos serviços, implica uma enorme rotatividade de profissionais e coloca profissionais de saúde a prestar cuidados em instituições que não conhecem a sua organização. A solução para os estabelecimentos hospitalares que integram o Serviço Nacional de Saúde passa pela contratação com vínculo público dos profissionais de saúde. Esta é a solução que dá garantias para o adequado funcionamento dos serviços, a estabilidade e a prestação de cuidados de saúde de qualidade.
A carência de profissionais de saúde coloca em causa o adequado funcionamento dos serviços. Por exemplo, nos passados dias 30 e 31 de janeiro, o serviço de urgência pediátrica não tinha assegurado a escala de serviço entre as 9h e as 21h, segundo foi noticiado. Foi ainda noticiado que “pelo facto de ter existido redução da equipa de Urgência de Pediatria do Centro Hospitalar de Setúbal, não foi possível, hoje, ao Centro Hospitalar de Setúbal receber parturientes e crianças em estado critico.” E que algumas situações tinham sido encaminhadas para o Hospital do Barreiro. Situações como esta não salvaguardam uma resposta às necessidades da população, neste caso concreto, às crianças e jovens. É fundamental dotar o Centro Hospitalar de Setúbal dos meios adequados para prestar cuidados de saúde de qualidade e atempados.
Os deputados do PCP, Paula Santos, Francisco Lopes e Bruno Dias, perguntaram ao Governo como avalia a situação do Centro Hospitalar de Setúbal quanto à carência de profissionais de saúde e quais as carências de profissionais de saúde que estão identificadas no Centro Hospitalar de Setúbal. Solicitaram informação por especialidade médica, carreira profissional e serviço. Também quiseram saber quantos profissionais estão a desempenhar funções no Centro Hospitalar de Setúbal que são contratados por empresas de trabalho temporário, em que serviços, com que qualificações e quantas horas estão contratadas. Os deputados comunistas também questionaram que medidas vai o Governo tomar para dotar o Centro Hospitalar de Setúbal dos profissionais de saúde em falta, contratando-os e integrando-os numa carreira com vínculo público.
Além disso, também perguntaram ao Governo como justifica o sucedido no serviço de urgência pediátrica no final do mês de Janeiro e que medidas vai tomar para evitar que situações como essa ocorram novamente.
Fonte - DORS do PCP













