Resultados da Educação no distrito de SetúbalJuventude Socialista da Moita manifesta uma grande preocupação

Por Jornal Rostos
Um futuro hipotecado!
Recentemente, foi lançado um estudo realizado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), do Ministério da Educação, no qual são abordados fatores que podem condicionar o sucesso escolar de alunos do 2º ciclo do ensino público, nomeadamente fatores socioeconómicos, cingindo-se às habilitações literárias da mãe e às condições económicas do agregado familiar (nível de ASE), interrelacionando os resultados a nível de Portugal continental.
Os resultados do estudo sugerem uma enorme correlação entre o meio socioeconómico do aluno e o seu desempenho a nível escolar. Surpreendentemente, essa correlação não se distribui de forma linear pelos vários distritos, sendo Setúbal destacado como o distrito com maior taxa de insucesso a nível nacional (57%), face aos valores consideravelmente mais baixos de Coimbra (40%), Braga (43%) e Viseu (43%).
O estudo, ao analisar o desempenho dos alunos do 2º ciclo que recorrem ao apoio ASE, revela que, à semelhança dos dados supracitados, Viseu (53%) e Braga (54%) são os distritos líderes no que ao sucesso escolar destes alunos se refere, enquanto Setúbal (40%) ocupa o preocupante último lugar.
Não bastassem estes dados já por si alarmantes, a análise da relação entre o nível de habilitações da mãe no sucesso escolar do aluno coloca o distrito de Setúbal novamente em último, ainda que de forma surpreendente, uma vez que é precisamente em Setúbal que as mães possuem o maior nível de habilitações. Em distritos onde as mães apresentam habilitações mais baixas, como é o caso de Braga onde a média é o equivalente ao 6.º ano de escolaridade, os alunos apresentam um desempenho escolar no 2.º ciclo superior aos alunos do distrito de Setúbal cujas mães têm como habilitação o 12.º ano completo.
Ao interligar-se estes resultados com os apurados no estudo dos movimentos pendulares na Área Metropolitana de Lisboa (AML), identifica-se a necessidade de deslocação diária para o concelho de Lisboa como um fator que diminui grandemente a disponibilidade das mães para conseguirem acompanhar o percurso escolar dos seus filhos, conduzindo a uma diluição da importância do nível de escolaridade das mães no desempenho dos filhos. Do total de concelhos da AML, os residentes empregados da Moita eram dos que mais tempo despendiam nos movimentos pendulares, cerca de 85 minutos (hora e meia) em viagem a acrescentar ao horário de trabalho.
Ora, a política de emprego (ou a falta dela) no distrito de Setúbal revela-se, pois, como um obstáculo para os pais residentes noturnos, mas ausentes diurnos que, querendo, não encontram condições que lhes permitam acompanhar os seus filhos no seu percurso escolar.
A Juventude Socialista da Moita manifesta uma grande preocupação em relação a estes dados, reafirmando a educação como fator essencial e determinante para o exercício da liberdade e construção de um projeto de futuro, acessível a todos e não apenas para alguns.
Da parte da Juventude Socialista na Moita, e no que à política local se refere, fica uma vez mais vincado o compromisso de defender políticas de emprego que permitam às mães e aos pais terem a possibilidade de estar presentes no crescimento e acompanhamento do percurso escolar dos seus filhos, fator especialmente necessário ao sucesso escolar.
Moita, 31 de outubro de 2016
O Secretariado da Juventude Socialista da Moita













