Construção de Casa Mortuária junto ao Centro de Saúde de Santiago do CacemRevela falta de sensibilidade ao implantar edifício num local que potencia o conflito emocional

Por Jornal Rostos
SOBRE A LOCALIZAÇÃO DA NOVA CASA MORTUÁRIA DE SANTIAGO DO CACÉM
A Camara Municipal anunciou recentemente a construção de uma Casa Mortuária junto ao Centro de Saúde de Santiago do Cacem, num montante de aproximadamente 150 mil Euros, admitindo inclusive que a obra já está adjudicada e iniciará brevemente.
É certo que a atual Casa Mortuária não oferece condições para cumprir a sua função e que cabe ao executivo municipal encontrar uma alternativa em espaço público, isto é, propriedade do município, com condições, designadamente de comodidade, acesso fácil por pessoas com mobilidade reduzida ou sem transporte próprio, proximidade do cemitério e que assegure igualdade na utilização, independentemente do credo ou religião.
Esta questão prende-se com o problema do novo cemitério, assunto que se discute há mais de 70 anos sem qualquer desenvolvimento, mesmo considerando tratar-se de um assunto que levanta inevitavelmente muitas susceptibilidades. Não deixa de ser absolutamente surpreendente que em 40 anos de poder local democrático, exercido em Santiago do Cacém sempre pela mesma força política nunca tenha havido capacidade para verdadeiramente dar andamento ao problema.
Mais uma vez somos assim confrontados com uma situação, em que é apenas colocada parte do problema, no caso a questão da casa mortuária. E em relação a este assunto em concreto, a Concelhia do Bloco de Esquerda de Santiago do Cacém tem antes de mais a declarar que a sua localização não pode de forma alguma conflituar com a vontade popular, nem voltar a localizar-se numa proximidade excessiva de zonas habitacionais.
Daí que:
1. Manifestemos o desagrado com o modo como todo o processo foi desenvolvido pela Câmara Municipal, sem qualquer consulta à população, numa atitude que, para mais, revela falta de sensibilidade ao pretender implantar um edifício destinado a tal fim num local que potencia o conflito emocional entre a doença e a morte.
2. Lamentemos que a necessidade de construir uma nova Casa Mortuária volte a não ser possível na contiguidade de um novo cemitério, silenciando-se completamente este problema e, objectivamente, continuando assim a adiá-lo indefinidamente.
Um novo cemitério Municipal, a exigir sempre um processo de transferência prolongado em relação ao atual, faz parte de uma estratégia de modernização urbana, que nem por isso deixa de acolher, em harmonia, a revalorização do património histórico como factor de desenvolvimento e que, pelos vistos, não existe para a vereação em funções.
Qualquer localização de uma nova Casa Mortuária não pode deixar de ter este enquadramento em linha de conta e, em qualquer circunstância, na nossa opinião, a população não pode deixar de ser ouvida.













