Corte de cinco carreiras entre as duas margens do Barreiro - LisboaPCP confronta Governo com degradação do transporte fluvial

Por Jornal Rostos
PCP confronta Governo com degradação do transporte fluvial
A grave situação que se vive nas empresas públicas de transporte fluvial – Transtejo e Soflusa – tem merecido do PCP uma grande atenção nos seus desenvolvimentos, o que nos levou a questionar em diversos momentos os diferentes governos sobre que medidas estavam a ser tomadas para a sua superação.
Recentemente, tomámos conhecimento de um novo corte na oferta do transporte fluvial na SOFLUSA em hora de ponta, que vem agravar ainda mais o serviço publico de transporte fluvial que liga o Barreiro a Lisboa.
A Soflusa anunciou um novo horário a partir do passado dia 11, que implica o corte de cinco carreiras entre as duas margens (do Barreiro as que eram às 7h20m, 8h10m e 9h e, de Lisboa, as que eram às 7h45m e 8h25m)
Estes cortes foram anunciados depois de um anúncio por parte do Governo de 10 milhões de euros para recuperação da frota. Pelos vistos, na prática, o que os utentes têm agora é menos carreiras. É esta a resposta dada ao problema da falta de trabalhadores: em vez de os admitir e reforçar o seu número, reduzem-se carreiras.
Como é do conhecimento de todos, as máquinas e equipamentos exigem cuidados de manutenção continuados, de modo a que a sua operação decorra em segurança e com a maior fiabilidade possível, o que implica a existência de serviços e de técnicos que tenham por tarefa dar resposta a este propósito.
Como sabemos, esta foi uma das áreas destas empresas que sofreram cortes drásticos que levaram a uma extrema dependência de serviços prestados por terceiros em claro prejuízos da fiabilidade da operação.
Para o PCP, o sistema de transportes tem um papel estruturante e estratégico na vida do País,
pelo essencial papel que representa o transporte público e a mobilidade para a vida dos trabalhadores, dos estudantes, das populações em geral, com enormes benefícios para o ambiente e para o desenvolvimento; e porque através dele é possível garantir a circulação global da produção (mercadorias e bens), pelo peso que tem em termos do investimento, pelo que é indispensável o reforço do serviço público de transporte fluvial, com enormes benefícios para desenvolvimento e o progresso económico e social da região e do país.
Os deputados do PCP eleitos pelo distrito de Setúbal colocaram ao Governo as seguintes questões: - que medidas estão consideradas para a adoção urgente de plano de modernização da frota da Transtejo e Soflusa e implementação de plano de manutenção que devolva a fiabilidade á operação?
- Nomeadamente após o anuncio de desbloqueamento de uma verba de 10 milhões de euros, que navios já fora intervencionados, e que tipo de reparações foram feitas?
- Quais os próximos navios a ir para estaleiro, em que datas, e que tipo de reparações vão ser efetuadas?
- Vai o Governo dar orientações para repor a oferta entretanto cortada aos fins de semana (pois existem quer navios quer trabalhadores para se poder efetuar esta reposição), ou vai permitir que tal corte se mantenha? - Para quando a reconstituição dos serviços próprios de manutenção de modo a ser assegurada uma resposta pronta aos diversos problemas que se colocam a operação no dia a dia?
- Para quando o estabelecimento de um nível mínimo de materiais consumíveis e de sobressalentes necessários à operação regular, de modo a por fim ao recurso à “canibalização” de navios como método na resolução de avarias?
- Que medidas considera o Governo levar a cabo para interromper e inverter esta destruição de postos de trabalho e precarização das relações laborais, completando os quadros operacionais das empresas com trabalhadores efetivos, assegurando a integração dos trabalhadores com vínculos precários, a par da dignificação das carreiras e reposição do poder de compra?
- Vai ou não ser atendida a reivindicação dos trabalhadores, no sentido de ser desencadeado um plano de formação permanente que garanta a preparação dos trabalhadores para responder às exigências técnicas do futuro?
- Quando vão ser lançados os programas de admissão de trabalhadores, em especial para as áreas da manutenção e marítima, visando a recomposição dos quadros das empresas?
- Estando em curso um programa nacional que visa combater e eliminar a precariedade, no caso destas empresas vai o Governo passar para os quadros destas empresas os trabalhadores com vínculos precários, nomeadamente os tripulantes das embarcações, auxiliares (vulgo “pontões” ou “batelões”), no apoio à acostagem de navios para o embarque ou desembarque de passageiros, alguns a trabalhar neste serviço há mais de uma dezena de anos, ou vai permitir que a Administração mantenha esta escandalosa
situação?
Fonte -PCP













