Encerramento CTT Paio Pires ( Seixal ) e Lavradio ( Barreiro)Bloco de Esquerda defende a recuperação do controlo e gestão pelo Estado

Por Jornal Rostos
O governo da direita privatizou os CTT e desde então a qualidade do serviço caiu a pique, ao ponto do regulador aplicar multas à empresa por não assegurar o patamar mínimo das suas obrigações contratuais no serviço público postal.
Com a privatização, vieram os despedimentos, com prejuízo para os trabalhadores e os utentes: os atrasos na distribuição de correio são constantes. Há correspondência nacional a demorar 15 dias úteis a chegar ao destino e correio registado a ser entregue cinco dias úteis após o envio.
Quem visita hoje uma estação de correio, arrisca-se a esperar mais de uma hora para ser atendido. A par dos despedimentos que deixaram a empresa sem pessoal suficiente para a distribuição, muitos trabalhadores que faziam o atendimento foram transferidos para as tarefas do banco CTT. Mas também aqui existem longas filas de espera e atrasos consideráveis.
Entre os trabalhadores que ficaram, muitos fazem mais de 10 horas de trabalho diário sem remuneração do trabalho extraordinário, e têm aumentado as baixas médicas devido à exaustão. Neste momento, a empresa prepara a saída de mais uma vaga de centenas de trabalhadores, que têm recebido as cartas a propor rescisões e são alvo de assédio e ameaças veladas. Os primeiros na lista de saída são trabalhadores com limitações físicas causadas por acidentes de trabalho ao serviço da empresa.
O principal objetivo da administração privada dos CTT nunca foi o cumprimento dos níveis de qualidade do serviço postal, mas sim a entrada no sistema financeiro, através da licença bancária incluída na privatização. O segundo objetivo, a que já assistimos no caso da gestão privada da Portugal Telecom, foi tornar a empresa na galinha dos ovos de ouro dos acionistas. Em 2016, ano em que a empresa apresentou 62 milhões de euros de lucros, a administração resolveu distribuir 72 milhões de euros em dividendos.
A privatização abriu caminho à descapitalização de uma empresa com mais de 500 anos de história, acentuando o abandono do interior do país, a venda de património e os despedimentos em massa de trabalhadores, substituindo-os por mão de obra precária ou o recurso a empresas privadas para prestar um serviço público.
RESGATAR OS CTT AOS PRIVADOS, CUMPRIR O SERVIÇO PÚBLICO
Para travar a ineficácia e a degradação do serviço dos CTT, o Estado tem um instrumento à sua disposição, previsto no contrato que privatizou a empresa. Trata-se do resgate da concessão do serviço público postal em caso de incumprimento do nível de qualidade contratado, como se tem verificado nos últimos anos.
Para o Bloco de Esquerda, este é o momento de acionar essa cláusula e trazer a empresa de volta à gestão pública. Assistimos hoje ao acentuado crescimento do comércio através da internet, com tendência para aumentar nos próximos anos.
Os utentes, as empresas e o conjunto da economia portuguesa precisam de um operador postal que garanta o envio e a entrega de encomendas a qualquer ponto do país com rapidez e eficiência.
O serviço público postal é um pilar do desenvolvimento do país, da qualidade de vida das populações e da coesão territorial. Defender o regresso dos CTT à gestão pública é pôr um ponto final neste caminho de degradação da oferta de serviços e criar instrumentos para reforçar a empresa com os trabalhadores de que necessita para voltar a fazer dos CTT um exemplo internacional de prestação de um serviço postal de excelência.
O presidente dos CTT anunciou em dezembro o encerramento de mais 22 lojas pelo país, no âmbito do plano de reestruturação que contempla também o corte de 800 postos de trabalho. Desde 2012 já foram encerradas 131 estações de correios e 105 postos de correio e reduzidos 1108 trabalhadores.
No distrito de Setúbal está previsto o encerramento de mais duas lojas CTT. Na Aldeia de Paio Pires no concelho do Seixal e no Lavradio, no concelho do Barreiro. A distância a outros postos de correios, a insuficiência de transportes públicos e uma população maioritariamente idosa exigem a mais firme oposição ao encerramento de serviços essenciais.
A Coordenadora Distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda defende a recuperação do controlo e gestão pelo Estado do serviço público dos correios e alia-se a todos e todas na luta pela defesa dos trabalhadores, da democracia, do Estado Social e do país.
Fonte - Bloco de Esquerda / Distrital Setúbal













