No Município de Santiago do CacémBloco de Esquerda quer plano alternativo à utilização de glifosato

Por Jornal Rostos
"Eliminar o uso do glifosato, promovendo espaços públicos livres de pesticidas”
O glifosato, enquanto herbicida, tem uma utilização sistémica não selectiva. É de fácil acesso e venda. Todos os anos são aplicadas toneladas deste tipo de pesticida. A sua utilização efectua-se ao nível do solo para limpar os campos antes das sementes, mas também na água como desinfectante. Em Portugal, o seu uso é generalizado na agricultura e também nos serviços de autarquias. Este composto tem sido ligado a vários problemas ambientais e de saúde pública por diversos estudos científicos.
A Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (AIIC) da Organização Mundial de Saúde (OMS), na sequência de um estudo realizado, classificou o glifosato como “carcinógenico” provável para o ser humano” (Grupo 2A).
A investigação da AIIC identificou a relação entre a exposição ao herbicida e o Linfoma não-Hodgkin. Este tipo de cancro de sangue é dos que mais se registam em Portugal, com cerca de 1.700 novos casos por ano, de acordo com os dados disponibilizados pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.
A Ordem dos Médicos considerou inaceitável a inacção do governo ao não proibir o glifosato, e com isso poder evitar casos de cancro, a Quercus e a Plataforma Transgénicos Fora, lançaram um apelo público para que as autarquias portuguesas deixem de usar glifosato nos espaços urbanos, alertando para o risco ambiental e para a saúde pública desta prática generalizada no país.
Recentemente, Dewayne Johnson, Jardineiro de 47 anos, com um cancro em fase terminal devido à exposição continuada ao Roundup, um produto à base de glifosato, levou a Monsanto a tribunal, tendo os jurados determinado que foi esse o produto que causou o seu cancro e que a empresa falhou ao não avisá-lo do elevado perigo para a saúde associado à exposição ao produto. Consideraram ainda que a Monsanto “agiu com maldade” ao ignorar repetidamente os alertas para o carácter cancerígeno do Roundup. A Monsanto foi condenada a pagar 289 milhões de dólares.
Em Portugal, a utilização de herbicidas com glifosato em espaços públicos é proibida, mas ninguém fiscaliza o cumprimento da lei, a associação ambientalista Quercus já recebeu este ano 15 denúncias de utilização de glifosato no espaço público. Até agora, apenas 12 municípios e 20 freguesias aderiram ao Manifesto das Autarquias Sem Glifosato, quer nos locais proibidos por lei, quer em qualquer outro.
No Município de Santiago do Cacém, o Bloco de Esquerda apresentou em Abril, uma recomendação na Assembleia Municipal, para que a Câmara Municipal implemente um plano alternativo à utilização de glifosato, promovendo espaços públicos livres de pesticidas, com recurso a meios mecânicos, monda térmica, manual ou outros, que abandone em definitivo a utilização de pesticidas à base de glifosato em espaços públicos e que se declare como “Autarquia com espaços públicos livres de glifosato”, mas infelizmente foi reprovada com os votos contra da CDU, a abstenção do PSD/CDS e PS e votos a favor do BE e uma eleita do PS.
É essencial proteger a saúde pública e o ecossistema.
Apelamos,portanto, aos deputados á Assembleia Municipal, que votaram contra e se abstiveram para reconsiderarem a sua posição, assim como, desafiamos novamente a Câmara Municipal a eliminar o uso de glifosato.
fonte - BE













