Setúbal - X Congresso do MDMA Igualdade na Vida, o combate do nosso tempo.

Por Jornal Rostos
O Fórum Municipal Luísa Todi mal chegou para acolher a massiva adesão (700 pessoas segundo a organização) ao X Congresso do Movimento Democrático de Mulheres (MDM), que se realizou em Setúbal no dia 27 de Outubro sob o lema: «Igualdade na vida. O combate do nosso tempo».
As mais de 350 Congressistas, vindas de todos os cantos do País, bem como aderentes do MDM e mais de uma centena de convidadas em representação de organizações portuguesas e de movimentos sociais parceiros, discutiram os problemas mais urgentes da vida das mulheres, enquanto mulheres, trabalhadoras e mães.
Do plano internacional, destaca-se a presença da presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres, Lorena Peña, deputada e ex-presidente da Assembleia Legislativa da República de El Salvador, e de organizações de mulheres de Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné, Chipre e Espanha.
Partindo da realidade concreta das mulheres, a resolução aprovada e o conjunto das intervenções proferidas abordam temas tão diversos como a situação internacional e a resistência e a luta das mulheres no mundo; a situação nacional e as perspectivas de acção das mulheres, a valorização das lutas das mulheres pelo trabalho com direitos, como condição de igualdade e desenvolvimento do País; a defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado; a luta pela defesa da Lei da IVG e a saúde sexual e reprodutiva das mulheres; a valorização do papel e do contributo social das mulheres idosas; a luta contra a legalização da prostituição; a participação social e política das mulheres; as problemáticas da pobreza, da mobilidade, da interioridade e do desenvolvimento local, da orientação sexual, da natalidade, maternidade e famílias, da ecologia e ambiente; a cultura e os problemas específicos das mulheres e a valorização das mulheres como transmissoras do Património Cultural; a urgência da alteração das mentalidades e do uso da imagem das mulheres na comunicação social e na publicidade; o combate à multiplicidade de violências sobre as mulheres, entre muitas outras.
A solidariedade com as mulheres do mundo e a exigência da paz estiveram fortemente presentes comprometendo-se o Movimento a continuar a desenvolver e reforçar acções de solidariedade com as mulheres de todo o mundo contra a guerra e pela Paz, e exigir ao Governo Português, no respeito pela Constituição da República Portuguesa, que assuma uma posição clara em cumprimento do direito internacional, contra as guerras militares, económicas e de ingerência sobre a soberania dos povos, contribua para a autodeterminação dos povos do Sahara Ocidental e da Palestina, ratificando os tratados das Nações Unidas pelo desarmamento e pela Paz.
O Congresso exigiu uma verdadeira política de igualdade alicerçada na justiça social e no desenvolvimento do País, que combata e elimine as desigualdades, as discriminações e as violências que persistem no quotidiano das mulheres. Para o MDM o combate pela igualdade na vida representa garantir às mulheres o exercício de todos os direitos económicos, sociais, políticos e culturais, cuja realização será uma ilusão se não estiver inserida numa dinâmica de progresso ou se o seu exercício por todos for limitado.
X Congresso confirmou o MDM como um movimento com a força da vida, indispensável e insubstituível, carácter que provém da sua origem e do património de 50 anos de acção e luta, capaz de avaliar a situação concreta das mulheres, identificar a natureza dos seus problemas, formular as suas reivindicações e definir as formas de acção e de lutas pela defesa dos direitos das mulheres, tornando visível e valorizando o seu importante papel em diferentes domínios da vida.
O Novo Conselho Nacional que dirigirá a acção do Movimento nos próximos 4 anos, conta como um total de 120 mulheres de 17 distritos do continente e das duas Regiões Autónomas confirmando o carácter nacional do MDM.
Das linhas de acção aprovadas destaca-se desde já a preparação das comemorações do Dia Internacional da Mulher do próximo ano que se realizarão em todo o país, e culminarão com a realização em Lisboa, no dia 9 de Março, da Manifestação Nacional de Mulheres, que será de afirmação da unidade das mulheres na defesa dos seus direitos, a par de uma maior atenção à vida local através dos núcleos do MDM espalhados no País e que o X Congresso decidiu que será uma das primeiras prioridades: abordar os problemas concretos das mulheres aumentando a sua consciência social para uma participação mais activa em prol dos seus direitos e aspirações.
O X Congresso deixou um marco na Av.Luisa Todi, assinalando os 50 anos do MDM como tributo às mulheres de Setúbal, do País e do Mundo pela sua luta pela igualdade, o progresso e a paz.
Foi um Congresso onde grupos Corais Femininos cantaram com Celina da Piedade e se ouviu a voz da jovem Kelly Veiga mas também instalação plastica de Dilia Samarth, Joana Tomé e a poesia com Olga Dias, Graça Ochoa e Marília Espirito Santo. Foi um Congresso de Mulheres onde se falou da alegria de ser mulher com a diversidade de vozes.
Foto - Fernanda Ventura













