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Bastidores

Carta abertaAos Srs. Secretário Geral e ao Presidente da Concelhia do Barreiro do Partido Socialista
Por Pedro Estadão

Agradeço que tomem as medidas que entendam por convenientes para retirar o meu nome da lista de militantes do Partido Socialista. Faço-o agora, logo a seguir a uma inflacionada vitória eleitoral, que é para não virem a dizer que os abandonei quando o barco estava a afundar.

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Carta aberta Aos Srs. Secretário Geral e ao Presidente da Concelhia do Barreiro do Partido Socialista Por Pedro Estadão

Por Jornal Rostos

Exmos. Srs.

conforme sabem, em 1998, fui convidado pelo Aires de Carvalho e pelo Jorge Coelho para ser militante do Partido Socialista, convite esse que aceitei.

Nestes vinte anos, vivi, dentro do Partido Socialista, coisas boas e coisas menos boas; tempos bons e tempos maus; vitórias e derrotas; esperanças e desilusões. Abracei projectos, fiz amigos para a vida e também ganhei alguns anti-corpos, embora neste capítulo deva dizer que cheguei como um pária e quero pensar que, ao longo destas duas décadas conquistei o respeito daqueles com os quais trabalhei e lutei por projectos e ideias que nos uniam.

Saberão, tão bem como eu, que os Partidos Políticos, de acordo com as posições que vão defendendo e as suas lideranças se vão deslocando no espectro político e, se umas vezes estão mais à direita, outras, encontram-se mais à esquerda. O Partido Socialista tem sido muito ágil nestes movimentos, em particular nos últimos cinco anos.
Eu não mudei muito e esforço-me sempre por avaliar se a casa onde estou é adequada para eu habitar. Se os nossos pontos em comum são mais ou menos que as ideias que nos separam. Mais que isso, avalio as pessoas que participam nos projectos e deixo que isso influencie decisivamente a minha opção por apoiar, ignorar ou combater as suas acções.

Nesta perspectiva, o início do meu descontentamento já foi há tempo suficiente para vos dizer que é só irem espreitar qual foi a última quota que eu paguei. Neste momento, considero que o Partido Socialista se afastou totalmente do espaço político, das ideias e projectos em que me sinto capaz de contribuir, igualmente, encontra-se povoado e liderado por pessoas com as quais, salvo raras excepções, não tenho afinidade moral, não tenho simpatia pessoal e não encontro motivos para respeitar.

A nível nacional, o Governo deste partido mostrou-se incapaz de controlar a corrupção que grassa em todos os níveis da sociedade; não teve a coragem de defender o património nacional contra o saque que os banqueiros estão a efectuar, empenhando, por isso, os rendimentos das gerações futuras; não respeitou os direitos adquiridos de quem viu as suas carreiras e pensões penhoradas por quase uma década; proporcionou a queda em descrédito das profissões militares, dos polícias, dos professores, dos profissionais de saúde e dos magistrados, que são, no seu sumo, as profissões que distinguem um país civilizado de uma tribo selvagem; e tem embalado demagogicamente os cidadãos com jogos financeiros dos quais veremos maus resultados na próxima década. Haveria mais para falar, mas quero manter esta carta suficientemente curta para ser legível.

A nível local, limitar-me-ei a dizer que não me reconheço minimamente na acção política nem nos comportamentos dos representantes eleitos pelo partido, com a notória excepção da Sara Ferreira e da sua equipa. Infelizmente, uma andorinha não faz a primavera e por muito que eu goste de certas pessoas, no cômputo geral, isso não é suficiente para me mover. Quanto a assuntos em particular, no que diz respeito à cidade do Barreiro, terei muitas oportunidades de vos fazer saber o que penso no futuro, quer a partir do lado de fora, quer como voz de um qualquer outro partido que eu venha a integrar.
Caros António Costa e André Batista, posto isto, agradeço que tomem as medidas que entendam por convenientes para retirar o meu nome da lista de militantes do Partido Socialista. Faço-o agora, logo a seguir a uma inflacionada vitória eleitoral, que é para não virem a dizer que os abandonei quando o barco estava a afundar.

Não vos desejo boa sorte, porque não é de sorte que precisam. O que precisam é de juízo para tomar as decisões correctas para a Cidade e para o País e fazer as vossas equipas comportarem-se de forma ética, honesta e respeitadora dos valores inscritos na Constituição em vigor na República Portuguesa e dos Estatutos daquele que é, agora, o vosso, que não meu, Partido Socialista.

Dito isto, pessoalmente, envio-vos um abraço amigo.
Com os meus cumprimentos,

Pedro Chora Estadão

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