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Bastidores

Bloco de Esquerda Setúbal apoia a Greve Climática EstudantilÉ tempo de governar para o futuro

A greve climática que terá lugar no dia 27 de setembro, que contará com a participação de outros setores da sociedade para além do estudantil, é um momento de participação e intervenção cívica que importa valorizar face à emergência climática que o planeta atravessa.

Na Península de Setúbal, há décadas que através de políticas meramente mercantilistas se vêm consumindo os recursos naturais da Serra da Arrábida, poluindo indiscriminadamente o ar e o Estuário do rio Sado, consumindo desenfreadamente água doce do principal aquífero para fins industriais.

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Bloco de Esquerda Setúbal apoia a Greve Climática Estudantil É tempo de governar para o futuro

Por Jornal Rostos

Durante esta semana e em todo o mundo, têm tido lugar diversas ações para a exigência de uma nova visão ambiental de defesa do futuro.

Desde o Seminário da Ação Climática promovido por António Guterres, Secretário-Geral da ONU, às manifestações convocadas em mais de 150 países ligadas à Greve Climática Estudantil de 27 de setembro, está patente o protesto contra a inércia dos governantes face às alterações climáticas, exigindo uma mudança de paradigma, nomeadamente a proibição da exploração de combustíveis fósseis, a expansão significativa das energias renováveis e o melhoramento eficiente e drástico do sistema de transportes públicos.

As evidências científicas comprovam que se nada for feito em breve, teremos ultrapassado o aumento de 2º C na temperatura global, barreira a partir da qual se terá atingido um ponto de não retorno com efeitos devastadores para a natureza e para a humanidade.

O atual sistema económico, extrativista, assente em combustíveis fósseis, em bens não duráveis e num sistema de produção orientado exclusivamente para a acumulação de capital é incompatível com a sustentabilidade ambiental.

Prova disso mesmo é o visível falhanço da política dos pequenos passos, da consciencialização individual e do capitalismo verde. Taxar o gasóleo de quem não tem transportes públicos aprofundou clivagens sociais. Apelar à responsabilidade da reciclagem não travou o aumento do plástico em circulação. O comércio das licenças de emissões de carbono consolidou o modelo energético. A emissão de gases com efeito de estufa acelerou na última década. É, por isso, urgente uma nova estratégia. A urgência climática deve levar as nações a alterar a formas de organização social e económica geradoras de crises humanitárias e de destruição da biodiversidade. A resposta às necessidades sociais deve ser dada por modos de produção sustentáveis.

Em Portugal, os efeitos do aquecimento global são visíveis, em particular nos incêndios florestais – com os incêndios de 2017 a serem o exemplo mais trágico –, na erosão costeira e na maior frequência de fenómenos climáticos extremos.

Na Península de Setúbal, há décadas que através de políticas meramente mercantilistas se vêm consumindo os recursos naturais da Serra da Arrábida, poluindo indiscriminadamente o ar e o Estuário do rio Sado, consumindo desenfreadamente água doce do principal aquífero para fins industriais, contaminando solos, queimando resíduos sólidos perigosos em processo de coincineração na Cimenteira Secil-Outão. Em pleno Parque Natural da Arrábida, subsistem pedreiras em Sesimbra e no Outão. A pretexto de “melhorar as acessibilidades ao Porto de Setúbal”, pretende-se efetuar uma dragagem que terá como inevitável consequência o colapso dos ecossistemas estuarino e marinho do Estuário do Sado e do Parque Marinho Luís Saldanha. Para trás ficarão os golfinhos, símbolo da Cidade e do rio, o desenvolvimento turístico da Península de Troia, a preservação da Serra da Arrábida e de suas praias cujas areias serão arrastadas e que só voltarão a ser repostas por métodos artificiais.

Vários movimentos de cidadãos têm alertado para os malefícios que advirão destas decisões. A sua capacidade de ação e mobilização tem sido fator determinante para o despertar de uma consciência ambientalista junto das populações, alargando a sua sensibilização e intervenção das mais diversas formas na defesa do ambiente e do planeta, muitas vezes sem correspondência por parte dos poderes instituídos.

A greve climática que terá lugar no dia 27 de setembro, que contará com a participação de outros setores da sociedade para além do estudantil, é um momento de participação e intervenção cívica que importa valorizar face à emergência climática que o planeta atravessa.

Tal como os estudantes, o Bloco de Esquerda considera que é tempo de governar para o futuro, com verdadeiras políticas sustentáveis, mudando o paradigma das políticas que tem sido base da mesma atitude e comportamento de sempre: a destruição imparável do meio ambiente e do planeta Terra.

É hora de todas e todos nós, jovens e menos jovens, trabalhadores e estudantes, lutarmos contra aqueles que pretendem continuar a usurpar e delapidar os nossos recursos naturais, que não respeitam os recursos naturais do nosso planeta, mas também do país, dos municípios e das freguesias.

Fonte - Bloco de Esquerda/ Setúbal

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