Crónica do Pato BravoQuando perdemos energias, perdemos capacidade de fazer...
Nunca são os mesmos . Os almoços são apenas um ponto de encontro para cultivar a cidadania e manter vivo o direito de ter opinião...
Por S.P.
Esta semana a participação ficou alargado com a presença da área social democrata e dos comunistas. A Semana passada tinha ficado pela presença de Bloquistas, Socialistas e independentes, que também esta semana marcaram presença.
Como alguém comentava, não convém revelar nomes, porque, alguns dos presentes “não podem, ou não devem, ser vistos em certas companhias, correm riscos”.
Desta vez a conversa, como não podia deixar de ser, começou com Toiros e Toiradas. Depois rumou para a cultura de “invejas” e para a “teoria do mundo justo”. Falou-se de gays, de pedofilia e de estigmas sociais.
“Eu distingo homosexuais de maricas” – dizia um. Levantou-se um burburinho. Alguém comentou que - “Homosexual é aquele que tem curso superior. Maricas será um que não tenha estudos superiores”. Logo os Licenciados presentes manifestaram a sua indignação. E no meio da conversa houve quem afirmasse – “Isso é discurso fascista”.
A conversa prometia e para acalmar chegou-se à conclusão que - “Freud explica isso”, embora com discordâncias porque houve quem acrescentasse – “ A psicologia não consegue explicar tudo”.
Participação ou co-participação ?
Ora subindo de nível, ora baixando de nível, com gargalhadas e comentários marginais, o almoço lá foi decorrendo animado e participado. Até porque, desta vez, contou com a primeira participação feminina.
Falou-se de formas de fazer política, das energias que se perdem e ganham ao fazer política.
“Há energias inter especificas e energias intra especificas” – referia-se. E a este propósito comentava-se que – “ A energia é um bem limitado”, talvez por isso quando perdemos energias, desviando-as para matérias marginais, estamos a perder energias e a atrasar o desenvolvimento.
E, na política, como na vida, há muito quem esteja apostado em fazer-nos perder energias, com manobras de diversão, desviando-nos do essencial, desmotivando, e conduzindo a uma acção através da qual as força “intra especificas” anulam a acção principal que devia objectivamente animar as relações “inter especificas”.
E, nesta sequência, falou-se da importância da participação, do sermos capazes de afirmar a cidadania e lutar pela cidadania, como um dos maiores desafios dos tempos de hoje, por isso, alguém interrogou sobre as formas e as metodologias da acção políticas partidárias que estão ou não empenhadas em motivar a participação dos cidadãos.
Foi referida aquela acção política partidária que fala na mobilização, mas que esquece a participação.
Foi dito que esta é uma forma de mobilizar para influenciar e não para motivar o debate de ideias e de valores. Esta acção existe apenas para marcar o direito de influenciar e, talvez por isso, ao longo dos anos esgota-se, vai-se esgotando, no seu discurso repetido.
A acção política partidária não pode fechar-se na procura de exercer o “poder pelo poder”, porque exercer o poder deve ser – “motivar a co-participação”.
Da área bloquista vinham criticas à acção política que não motiva a participação, entendendo que esta é essencial como contributo para a definição das políticas de cidade.
Da área social democrata vinha o comentário que a perda de energias em dinâmicas “intra especificas” conduz à perda de energias que deviam apontar para rentabilizar recursos e as capacidades endógenas e reduz a participação ou a capacidade de motivar a participação.
Da área socialista vinha o comentário que a cidadania e a política tem que ser feita com a mobilização dos cidadãos, enquanto actores intervenientes e não como carne para canhão.
Onde estamos? Para onde vamos?
Por fim a conversa culminou, com uma reflexão sobre a distância que existe, real, na nossa cultura de cidadania e a cultura de cidadania na Europa em que estamos inseridos.
Falou-se, nas “teorias de acção” que referem a existência de uma primeira geração que lutou por direitos cívicos, uma segunda geração que afirmou valores e direitos sociais e uma terceira geração que afirmou identidades e autonomias, para concluir que há uma quarta geração que afirma conceitos de desenvolvimento, apontando para uma participação responsável que perspectiva um desenvolvimento sustentável.
Onde é que nós estamos no Portugal de hoje ? Fica a pergunta.
Talvez ainda estejamos ao nível da segunda geração – “ainda andamos a lutar por direitos e por valores, ainda somos incapazes de afirmar a cidadania com autonomia e vivemo-la ausente de conceitos de qualidade” – foi referenciado.
Um tema que fica em aberto para continuar, num próximo almoço.
A fechar a conversa ainda houve tempo para comentar as “Salas de Chuto” nas prisões, que era o tema do dia, concluindo-se que - “Mais que colocar a droga nas prisões o importante era existirem políticas que acabassem com as prisões de droga”.
Houve ainda quem falasse das suas verdades, das pseudo políticas de rendimento mínimo e, veio à baila, o centenário da Escola Adães Bermudes que acontece este ano... e continua ao abandono.
Enfim, foi mais um almoço de Quinta Feira.
Para a semana lá estão, os mesmos, ou outros, nesta que é uma mesa animada, onde não falta – aqui não se comenta o que é dito – aquele espaço para “as cantigas de escárnio e mal dizer”... sem invejas, nem ambições.













