Grupo Municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do BarreiroPrecisamos de ter respostas verdadeiramente de esquerda
. Defende intervenção pública determinada para redirecionar a economia, responder à crise climática, reconstruir direitos do trabalho e criar emprego.
"A crise que se vive e tem tendências de agravamento, revelou os efeitos catastróficos, com centenas de milhares de pessoas, que, na sua insuficiência sem rendimento nem enquadramento em mecanismos de proteção social", afirmam os deputados municipais do Bloco de Esquerda, na Declaração Politica, feita na Assembleia Municipal do Barreiro.

Por Jornal Rostos
Divulgamos o texto integral que recebemos dos deputados do Bloco de Esquerda
Declaração Política
24 de setembro de 2020
A crise da Covid-19 obrigou à revisão das escalas sociais de valores e de necessidades essenciais, deu centralidade à provisão pública de bens e serviços de Saúde de acesso universal e, a par dela, ao reconhecimento de insubstituíveis funções de Estado nos terrenos da Educação, da segurança ou da subsistência imediata das populações mais vulneráveis.
Para amplos sectores sociais, ficou clara a inadequação da oferta privada, acentuada pela situação de emergência. Os riscos potenciados pela mercantilização da infraestrutura social ficaram evidentes na escassez de capacidade pública na assistência a idosos (contágio nos lares de idosos) e na falta de oferta publica de habitação ( contágio em populações em precariedade habitacional).
Esta nova percepção popular do papel do Estado social conjuga-se com tratamentos divergentes do recurso a poderes excepcionais pelos governos. Restricões de liberdades cidadãs foram naturalizadas de forma mais ou menos radical em diversos países, mas o mesmo não ocorreu qunto ao exercício de soberania sobre recursos económicos, fosse para impor a proteção dos trabalhadores não essenciais, fosse para requisitar capacidade produtiva ou assistencial ou de transporte para controlar o contágio.
Aqui em Portugal também isso aconteceu. A questão dos poderes excepcionais é uma questão política e de classe: poderes excepcionais para quê? Sobre que parte da sociedade? E para proteger quem?
O último mau exemplo nesta matéria é alteração unilateral que foi concedida pelo governo ao patronato para alterar os horários de trabalho, que aliás mereceu críticas dos sindicatos.
É no trabalho que os efeitos da crise económica e social se fazem sentir de forma aguda com a paragem da economia que atingiu como um terramoto social amplos sectores do mundo do trabalho, aqueles cujas relações laborais precárias deixaram em total vulnerabilidade. Quem está precário, perdeu tudo com a crise, porque fica sem rendimentos e está fora da proteção social.
A crise que se vive e tem tendências de agravamento, revelou os efeitos catastróficos, com centenas de milhares de pessoas, que, na sua insuficiência sem rendimento nem enquadramento em mecanismos de proteção social.
É certo que esta situação obrigou a medidas extraordinárias e temporárias de apoio, que na sua insuficiência para impedir um empobrecimento massivo, revelam os efeitos do triunfo liberal sobre as relações laborais que este governo resiste em alterar.
A resposta assente apenas em auxílios temporários, sem uma eliminação estrutural da precariedade e criação de empregos dignos, significa que esta crise acentuará ainda mais o modelo de exploração de controlo patronal e de prolongamento do tempo de trabalho, o que já ocorre em numerosos sectores, através do recurso ao teletrabalho, sub regulado legalmente e, portanto, determinado pelo arbítrio patronal.
Queremos em passagem sublinhar que não é verdade que a paragem de alguns sectores da economia tenha significado um ganho em termos climáticos. Para nós, que vivemos junto ao Tejo, temos dois problemas muito concretos a resolver: o perigo crescente da obsoleta Central Nuclear de Almaraz, sem o governo defender os interesses das populações potencialmente afectadas e a persistência do governo em avançar com o atentado ambiental do chamado Aeroporto do Montijo.
Fala-se agora de “bazucas” carregadas de euros vindos da União Europeia, que verdadeiramente ainda não sabemos quando chegam e em que moldes. As regras europeias sobre défice, divida e ajudas de Estado podem estar temporariamente suspensas, mas convém não nos esquecermos que os Tratados mantêm-se inalteráveis.
Temos pela frente tempos difíceis para os quais precisamos de ter respostas verdadeiramente de esquerda, voltar ao pré-covid é um objectivo medíocre. O OE/2021 será clarificador de vontades e perspectivas para o País.
O Bloco de Esquerda assume a responsabilidade de responder à crise assente em três compromissos fundamentais:
*não deixar ninguém para trás nas medidas de emergência;
*forte investimento público e recuperação de mecanismos de soberania económica;
*intervenção pública determinada para redirecionar a economia, responder à crise climática, reconstruir direitos do trabalho e criar emprego.
Três compromissos que são um instrumento de luta, que levaremos para as próximas disputas eleitorais, nas presidenciais e nas autárquicas.
O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda.
Barreiro, 24 de Setembro de 2020













